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Mercedes-Benz Classe A: um guilty pleasure real | Avaliação

Logotipo do(a) iCarros iCarros 11/06/2019 João Brigato / Fotos: Thiago Moreno

No mundo das gírias internéticas, o termo guilty pleasure surgiu para definir aquele tipo de prazer culpado. É algo inocente que te faz feliz de verdade, mas no fundo sabe que não é a melhor opção ou que poderá ser criticado por gostar daquilo. Sabe aquela série ridícula da Netflix que você assiste sozinho em casa? Ou aquele funk que escuta somente no fone de ouvido? São guilty pleasures. E isso me leva ao Mercedes-Benz Classe A.

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Razão?

A categoria de hatches médios está em franca queda. Sem VW Golf nas versões regulares e Ford Focus aposentado, basicamente sobra Chevrolet Cruze e os modelos de luxo, como o Classe A. Com pegada mais esportiva que os SUVs e preço elevado, eles assumiram o posto de modelos de nicho. Pela lógica de mercado, não há razão para levar um hatch médio para casa.

O próprio Classe A já surfou em ondas que começaram fortes, mas perderam força. Ele nasceu como uma minivan, que até foi produzida no Brasil. Durou duas gerações com esse formato, até que se transformou em hatch médio. Coincidência ou não, a categoria de minivans e de hatches médios foi engolida pelos SUVs ao longo dos anos.

Se o mercado de carros fosse movido somente pela racionalidade, todos andaríamos de Corolla prata. Só que as coisas não são bem assim. O lado emocional fala mais alto em muitos casos. E é justamente aí que o novo Classe A se insere como um verdadeiro gulty pleasure. Por R$ 201.900, você leva um monte de SUV para casa, ou até um Classe C, mas o hatch é mais legal

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Começa pelo visual. Inspirado no CLS, ele tem dianteira longa, linhas discretas e pose agressiva. O novo Classe A é bem menos espalhafatoso que o modelo anterior, que contava com linhas desconexas na lateral e volumes mais avantajados. O novo hatch apela para a elegância e esportividade, destacada pela grade frontal invertida e faróis afilados.

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A linha de cintura é alta e discretamente marcada, já a linha dos vidros em arco segue o que a Mercedes-Benz faz em outros carros. A traseira bela casaria bem com uma perua por contadas lanternas espichadas e o formato rechonchudo. O desenho geral lembra mais outros modelos da marca da estrela que na geração anterior. No Brasil, todo Classe A tem rodas de 18 polegadas e retrovisores pretos, o que ajuda a dar um estilo mais esportivo.

Menos tamanho, não é menos luxo

Se espera por um interior mais pobre no Classe A, simplesmente pelo fato de ser um Mercedes pequeno, ledo engano, caro leitor. Ele não deve em nada para os irmãos maiores Classe C e Classe E, tanto em tecnologia quanto em qualidade de materiais. Tudo que tocar, ou é macio ou de boa qualidade.

A exceção nessa percepção de qualidade fica para o plástico do braço central, que possui uma perigosa rebarba. Os comandos físicos do ar-condicionado também deixam a desejar e mereciam um cuidado maior, condizente com o visual interessante que ostentam. Ar-condicionado digital de uma zona só também é uma mancada nesse patamar de preço.

Na versão A250 Vision avaliada, o acabamento interno em bege deu um aspecto mais elegante. Ele contrasta bem com as peças em preto piano e a parte superior das portas e painel em preto. Quebra o visual monocromático do meu primeiro contato com o Classe A. Já o estilo é típico Mercedes, com três saídas de ar e desenho horizontalizado.

O que merece destaque no A250 Vision é seu par de telas de 10,25 polegadas. A da esquerda funciona como painel de instrumentos, traz personalização em todos os cantos e até três tipos de visual diferente. Tudo é configurado facilmente pelos botões do lado esquerdo do volante.

Mas o que o Classe A mais evoluiu em relação a todos os outros Mercedes é na central multimídia que finalmente recebeu opção de comandos diretamente na tela. Antes, usar o Android Auto era uma tarefa bem complicada nos modelos da marca. Além disso, há como controlar por um botão no volante ou pelo touchpad no console.

A tela tem ótima definição, os menus são claros e fáceis de usar. A redundância de comandos faz com que fique fácil optar pelo comando menos trabalhoso durante a condução do Classe A.

Destaque também para o sistema “Hey Mercedes” que permite conversar com o carro e acionar algumas funções por voz, como controlar o ar-condicionado, obter informações do motor e até fechar o teto solar. Mesmo com a música alta, ele reconhece todos os comandos de voz. Só cuidado ao falar Mercedes por qualquer motivo pois o Classe A vai achar que a conversa é com ele.

Se antes o Classe A era um modelo claustrofóbico e apertado, a Mercedes corrigiu esse problema na nova geração. O espaço traseiro ainda é acanhado, mas melhorou consideravelmente em relação ao hatch antigo. Não há mais aquela sensação de aperto. Os bancos são macios e confortáveis para todos, além de contar com diversos ajustes elétricos na dianteira.

Algo que o SUV nunca vai te entregar

Ainda que os SUVs tenham evoluído muito em dinâmica, o comportamento mais esportivo de um hatch médio é algo único. Não à toa, eles são base para os modelos de tração dianteira mais rápidos do mundo e estão entre os carros mais cultuados pelo mundo: Golf GTI não me deixa mentir. Por falar no Golf, o Classe A é mais rápido no 0 a 100 km/h por 0,8 segundos.

Com motor 2.0 quatro cilindros turbo de 226 cv, o Classe A anda bem. Ele acelera forte e faz seu corpo grudar no banco, especialmente com o modo Sport acionado que dá privilégio às rotações mais altas. Nessa configuração, o Mercedes joga seus 35,7 kgfm de torque a cada mínima cutucada no acelerador.

Em modo Comfort, o A 250 privilegia a condução mais relaxada, com trocas de marcha praticamente imperceptíveis na transmissão de dupla embreagem com sete marchas. Ele mantém vivacidade, mas é mais contido. Já em Eco, as rotações são sempre baixas e ao pisar no acelerador, o hatch parece te questionar várias vezes se é isso mesmo que você quer fazer.

Enquanto o antigo Classe A era duro igual a uma pedra nas ruas, o novo modelo ficou mais confortável, sem perder o apetite pelas curvas. Mais macio, ele não reclama tanto em buracos e solavancos na rua. Já na estrada, roda de maneira surpreendentemente confortável, enquanto gruda em curvas feitas em velocidade mais alta.

Fez falta um piloto automático adaptativo como em outros rivais, especialmente porque a Mercedes se mostrou muito boa nessa tecnologia com o Classe E. O hatch Classe A oferece estacionamento automático que controla sozinho volante, marchas, aceleração e frenagem. Seu funcionamento é rápido e pode causar alguns sustos pela maneira agressiva com que entra nas vagas.

Conclusão

O Classe A é um hatch médio caro, justamente aí dois problemas para um mercado acostumado aos SUVs. Ele é mais apertado que um GLC, mais caro que um Classe C e tem alguns itens que ainda faltam a ele. Mesmo assim, é um carro que mexe com o emocional.

Gostoso de dirigir, bonito e elegante, o Classe A entrega uma experiência fora do corriqueiro das ruas. É um gulty pleasure, sem dúvida, daquele que seus amigos o questionarão a razão por não ter comprado um Golf GTI ou algum SUV da moda. O A 250 Vision vai bem além dos motivos racionais, apela para o emocional e é nesse ponto que ele te conquista.

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