Você está usando um navegador antigo. Por favor, utilize versão suportada para ter acesso às melhores funções do MSN.

A violência explícita de Lars Von Trier causa deserções em Cannes

Logotipo do(a) EL PAÍS EL PAÍS 16/05/2018 El País
Lars Von Trier, nesta segunda em Cannes, antes da projeção de 'The House that Jack Built'. © AFP Lars Von Trier, nesta segunda em Cannes, antes da projeção de 'The House that Jack Built'.

Lars Von Trier está de volta. Mas o retorno do controverso cineasta ao Festival de Cannes provocou uma debandada de espectadores. Desta vez, não por conta de alguma declaração polêmica do diretor e roteirista dinamarquês, mas devido ao seu mais recente filme, The House That Jack Built, apresentado nesta segunda-feira, 14 de maio, fora da competição. A obra inclui sequências tão violentas e desagradáveis que dezenas de pessoas que a assistiam abandonaram a projeção entre vaias e protestos, enquanto alguns jornalistas e críticos questionavam, inclusive, se era apropriada a exibição de um filme tão explicitamente violento no festival francês.

Não é a primeira vez que Von Trier causa controvérsia em Cannes. Em 2011, o cineasta disse, durante uma coletiva de imprensa, que "entendia Hitler", num comentário que causou uma onda de protesto e fez com que a organização do evento o declarasse persona non grata. Finalmente, sete anos mais tarde, o festival abriu as portas novamente ao diretor, mas seu retorno foi longe de pacífico.

"Por que o festival deixou que esse filme fosse exibido?", questionou o Ramin Setoodeh, da revista norte-americanaVariety. Outros jornais diários, como os britânicos The Guardian ou The Telegraph, publicaram as diferentes reações dos espectadores que deixavam a exibição do longa: "De fazer vomitar, repugnante, patético, vil" são alguns dos adjetivos usados para descrever o filme. "Misógino e cruel" foi como o brasileiro Folha de S.Paulo classificou The House That Jack Built, descrito pelo Estadão como "desumano"

Mesmo assim, segundo o The Hollywood Reporter, o público que continuou na sala durante a projeção (cerca de metade dos espectadores que ali estavam), ovacionaram o longa do dinamarquês com longos aplausos. A polêmica também parece ter atraído o interesse das redes sociais, onde muitos escreveram que "não viam a hora" de assistir ao filme.

O filme narra 12 anos da vida de Jack (interpretado pelo ator norte-americano Matt Dillon), um serial killer extremamente inteligente, que tem prazer ao mutilar e estrangular suas vítimas, em sua maioria mulheres. As vaias centravam-se sobretudo no momento em que crianças e animais eram alvo de sequências extremamente violentas. As cenas eram tão explícitas que Thierry Frémaux, diretor do Festival de Cannes, reconheceu que, de "tão controverso", a obra só poderia ser exibida fora da competição oficial.

Matt Dillon acompanhou a estreia ao lado de Lars Von Trier, enquanto outros protagonistas, como Uma Thurman e Riley Keough alegaram problemas de "agenda" para não participar do evento. Após a projeção, suspeita-se que as razões reais da ausência dos atores tenham sido outras.


Siga o MSN no Facebook

Mais de El País

image beaconimage beaconimage beacon