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'Jurassic World: Reino Ameaçado' é bobo, divertido... E surpreendentemente tocante

Logotipo do(a) HuffPost Brasil HuffPost Brasil 21/06/2018 Matthew Jacobs
Universal Pictures © T-rex, baby! Universal Pictures

O que posso dizer sobre Jurassic World: Reino Ameaçado para te chocar?

Os dinossauros estão mais assustadores: é claro. A referência à polêmica sobre o salto alto de Bryce Dallas Howard aparece no primeiro segundo da atriz em cena: é claro. O ciclo de ganância humana que insiste em criar, monetizar e militarizar bestas pré-históricas é infinito: bem, é claro, né?

No quinto filme da franquia, o deslumbramento capturado por Steven Spielberg no original Jurassic Park (Parque dos Dinossautos) se perdeu do DNA da franquia. Em 2018, a mágica da computação gráfica aperfeiçoada por ele para levar às telas um triceratops malvado e um T-Rex intimidante virou coisa mundana, o que já tinha sido o caso quando Jurassic World ressuscitou a série (sem muito sucesso) em 2015. Todo blockbuster rouba um pouco da tecnologia de Spielberg, ainda que cada vez menos deles sejam capazes de capturar o espírito.

O que significa dizer que Jurassic World: Reino Ameaçado, em toda sua caríssima estupidez, oferece muito pouco de novo. Ainda assim, querido leitor, tenho algo a dizer que pode te chocar – algo que não posso dizer nem sequer sobre o Park dos Dinossauros original, uma fatia quase perfeita da engenhosidade americana: chorei assistindo ao filme.

Sim, derramei algumas lágrimas durante uma sequência bizarramente emocionante em um filme em que os dinossauros são mais espertos que os humanos. Permita-me explicar.

O cenário é Isla Nublar, a ilha próxima da Costa Rica onde ficam os restos do Jurassic World (e do Jurassic Park). Três anos depois, a destruição transformou a ex-diretora de operações do parque, Claire Dearing (Howard) em uma ativista decidida a proteger os dinossauros remanescentes de um governo que não dá à mínima para a segurança dos animais. Depositando sua confiança em um assistente inquieto (Rafe Spall), que trabalha para o ex-sócio do arquiteto do parque (James Cromwell), Claire recruta dois colegas (um especialista em computadores interpretado por Justice Smith e uma "paleoveterinária" mordaz interpretada por Daniella Pineda) e o ex-namorado Owen Grady (Chris Pratt, ainda mais bronzeado e sarado) para salvar os dinossauros de um vulcão prestes a entrar em erupção.

Chris Pratt, Bryce Dallas Howard and Isabella Sermon vs. a new dinosaur called an indoraptor. © Universal Pictures Chris Pratt, Bryce Dallas Howard and Isabella Sermon vs. a new dinosaur called an indoraptor.

As coisas não dão muito certo, porque o plano não era bom para começo de conversa. (Todos os planos são ruins neste filme. É um testamento de 128 minutos à idiotização de Hollywood desde os personagens comedidos e inteligentes do filme de Spielberg.) Claire e Owen fogem da lava de maneira dramática, carregando um navio com as jaulas contendo os dinossauros. Mas, quando o navio zarpa, a câmera mostra a ilha desmoronando. Numa doca, gritando pela vida, está um lindo brontossauro.

"Por favor, não vão embora", parecem implorar seus olhos. Conforme nos afastamos da terra, as chamas e a fumaça envolvem a criatura, anunciando sua morte iminente. A trilha de Michael Giacchino sobe de volume.

Eu disse que chorei? É provável que seus filhos também chorem.

Veja, na tentativa de mostrar a selvageria dos humanos, Reino Ameaçado inflige muito mais terror sobre os dinossauros que qualquer um dos filmes anteriores. Claire e Owen querem proteger os répteis de uma propriedade que, na prática, pretende leiloá-los por cerca de 10 milhões de dólares cada um. (Parece barato, não? Um crânio de T-Rex foi vendido por 1,8 milhão de dólares. Imagine o preço de um baryonyx vivo!) Se você conseguir não se distrair por essa trama infeliz – é pura loucura -, pode notar como ficou angustiado com o roteiro. A ideia central, que pondera se clones ameaçadores merecem os mesmos direitos defendidos por entidades de defesa dos animais, fica nítida quando os dinossauros são exibidos para os possíveis compradores. Naturalmente, há muitas tempestades e trovoadas.

Em meio a todo esse nonsense – e incluo o brontossauro solitário, porque ainda estou bravo por ter sacrificado lágrimas com esse filme --, acontece algo maluco: diversão. Não diversão do tipo "Uhuuuu!", nem do tipo filme tão-ruim-que-é-bom. Estamos falando de por que-diabos-não? O descaramento da coisa toda. O puro espírito desse tipo de blockbuster.

Com Jurassic World, o diretor Colin Trevorrow lutou bravamente para recuperar o senso de deslumbramento de Spielberg. Fracassou. Mas, aqui, o maestro J.A. Bayona (O Orfanato e Sete Minutos Depois da Meia-Noite) – trabalhando com um roteiro atribuído a Trevorrow e Derek Connolly – nem sequer tenta. Abençoada seja a decisão. Bayona permite que a estupidez da segunda metade se desenrole sem nenhuma tentativa de transformar o filme em algo mais que um filme de férias. Questões existenciais não existem (apesar da aparição de Ian Malcolm, o personagem de Jeff Goldblum, que afinal decidiu que o parque é uma má ideia); os vilões à la Bond são óbvios; o núcleo emocional é quase não-existente, mesmo quando se trata de brontossauros condenados à morte. (Ainda estou chorando, droga!) No fim das contas, a habilidade técnica de Bayona dá de dez a zero na de Trevorrow, tanto que até mesmo uma surpresa da trama envolvendo um clone humano parece melhor do que vimos em Jurassic World.

Reino Ameaçado pelo menos não tenta oferecer mais do que é capaz de entregar. Como alguém que sempre reclama dos blockbusters idiotas que lotam os cinemas hoje em dia, deveria estar gritando com as mãos erguidas para o céu sobre mais um produto de má qualidade. E, sim, está na hora de enterrar o mundo Jurassic, apesar de o filme deixar tudo ajeitado para uma continuação. (O que acontece se os dinossauros invadirem os subúrbios? Fique ligado!) Mas algo dentro de mim – algo que talvez tenha se resignado à realidade das franquias recicladas de Hollywood e aos espetáculos de computação gráfica sem vida (brincadeira, vou continuar reclamando) – apreciou o fato de que este filme não tentou fazer demais. Ele sabe como montar um belo circo e depois sair da frente.

Jurassic World: Reino Ameaçado estreia nos cinemas nesta quinta-feira (21).

Assista ao trailer:

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