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Apesar do vírus, Japão celebra flores de cerejeira, 'alegria da primavera'

Logotipo do(a) AFPAFP 23/03/2020 AFP
Pessoas tiram fotos das flores de cerejeira no parque Ueno, em Tóquio, em 21 de março de 2020 © CHARLY TRIBALLEAU Pessoas tiram fotos das flores de cerejeira no parque Ueno, em Tóquio, em 21 de março de 2020

As cerejeiras estão em plena floração e, apesar das advertências contra o coronavírus, os japoneses se reúnem para admirar o deslumbrante espetáculo branco e rosa, enquanto alguns se entregam ao piquenique, fortemente desencorajado este ano pelas autoridades. 

Na semana passada, a agência meteorológica japonesa (JMA) declarou o início da floração em Tóquio. Este início nunca foi tão cedo desde que as estatísticas florais foram estabelecidas em 1953.

Os galhos desnudos das árvores nos parques, jardins de templos, escolas e avenidas exibiram repentinamente uma explosão de botões, dando início ao "hanami", o costume japonês de contemplar a beleza das flores de cerejeira.

Dezenas de milhares de transeuntes, muitos deles usando máscaras, como é o caso na primavera no Japão devido a alergias ao pólen, reuniram-se em parques e jardins, para fotografar-se em frente às árvores ou procurar ângulos artísticos das flores.

"Há mais pessoas do que eu pensava", diz Etsuo Fujisawa, técnico em odontologia de 57 anos no parque de Ueno, em Tóquio. "Venho aqui todo ano. Não consigo parar de fazer isso", explica à AFP.

Cerca de 800 cerejeiras floresceram neste parque, local que reúne os habitantes da capital para piqueniques de primavera, generosamente acompanhados de bebidas alcoólicas.

Ambos os lados da avenida principal exibiam uma faixa que dizia: "áreas sem piquenique".

- "Festejar ao menos uma vez"

No bairro de Ichigaya, em uma longa avenida para pedestres cercada por árvores com vista para um canal, um banner convida as pessoas a "abster-se de comer e beber" sob as flores de cerejeira.

A pequena faixa exorta a "não se esquecer de usar máscaras ao conversar e caminhar".

No entanto, não muito longe dali, várias meninas, nenhuma delas usando máscara, estavam reunidas sob as cerejeiras.

Em Ueno, os alto-falantes espalham mensagens alertando contra as multidões.

Yuichiro Tanaka, um atacadista de legumes, fazia um piquenique com seus amigos, apesar das recomendações. "Dizem que devemos nos abster, mas quero comemorar pelo menos uma vez", afirmou, chamando o hanami de "verdadeira alegria da primavera".

"Geralmente, na primavera, passamos por aqui todo fim de semana, mas este ano faremos apenas uma vez, hoje, e assim será", diz Tanaka

As flores de cerejeira simbolizam na cultura japonesa a fragilidade da vida, a natureza efêmera da existência. De fato, as flores abrem completamente por apenas uma semana, antes que suas pétalas se dispersem quando folhas verdes claras invadem os galhos das árvores. 

Vários turistas planejam suas férias em função da floração.

Mas o coronavírus perturbou tudo no Japão, com mais de 1.000 casos registrados e 41 mortes. Várias escolas fecharam e grandes empresas pediram que seus funcionários trabalhassem de casa.

Pesquisadores da Universidade de Kansai (oeste do Japão) preveem uma queda este ano de 40% do volume de negócios relacionado às festividades do hanami em todo o arquipélago japonês.

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