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Espécies invasoras explorarão mudanças climáticas na Antártica

Logotipo do(a) AFPAFP 27/11/2019 AFP
Liquens em Collins Bay, na Península Antártica, em fevereiro de 2018 © HO Liquens em Collins Bay, na Península Antártica, em fevereiro de 2018

Na pequena parte da Antártica onde a neve derrete na primavera, musgos, líquens e grama crescem ao lado de moscas, ácaros e colônias de microrganismos que se alimentaram e se reproduziram por milhões de anos. 

A rica biodiversidade é preservada por um antigo equilíbrio de frio extremo e o isolamento de uma massa terrestre cercada por poderosas correntes oceânicas. 

Mas os cientistas argumentam, em um relatório publicado nesta quarta-feira, que a mudança climática facilitará que espécies invasoras se estabeleçam, mesmo que o continente esteja aquecendo em um ritmo mais lento do que outras partes do planeta. 

"A mudança climática reduz a barreira para entrar, então torna isso menos estressante (...) e isso reduz os problemas para a instalação", disse Peter Convey, especialista da British Antarctic Survey, coautor da pesquisa publicada na revista "Science Advances". 

A Antártica é o lar de espécies que podem se reunir em densidades maiores do que aquelas vistas em climas temperados ou tropicais, disse Convey, apontando para artrópodes microscópicos conhecidos como Collembola, dos quais um milhão de exemplares podem se espremer em um metro quadrado. 

Milhares de pesquisadores e 50.000 turistas que visitam o continente remoto a cada ano correm o risco de perturbar esse equilíbrio, trazendo consigo plantas e insetos. 

Um tipo de grama, Poa annua, já fincou raízes em algumas ilhas, enquanto os humanos importaram duas espécies de mosca.

Algumas espécies conseguem voar ou chegar por outros meios naturais da ponta da América do Sul, a cerca de 1.000 quilômetros, mas esses migrantes não conseguem se estabelecer permanentemente. 

"O ponto principal é que os humanos trazem 99% das [espécies invasoras] e superam em muito qualquer processo natural", disse Convey, que pode citar cerca de 100 espécies que entraram nos últimos dois séculos. 

Na atual taxa de aquecimento, a área de terra sem gelo na península Antártica, no oeste, deve aumentar 300% no próximo século. 

Isso significa que qualquer espécie invasora terá muito mais terras para colonizar, disse o cientista. 

Com mais terra e mais água disponíveis graças ao derretimento do gelo, é provável que a vida aumente muito e a competição por recursos entre as espécies se intensifique. 

As gramíneas lutarão contra os musgos, as espécies locais de mosca enfrentarão as invasoras. É difícil prever com precisão o efeito exato. 

O Tratado da Antártica de 1959 prevê a proteção do meio ambiente do continente. 

E enquanto o debate atual se concentra no derretimento do gelo, os autores do relatório desta quarta-feira alertam que outras atividades humanas, "particularmente as de exploração marinha histórica, mudança no uso da terra e invasões biológicas, provavelmente vão continuar tendo impactos imediatos muito maiores nos ecossistemas antárticos do que as mudanças climáticas em si".

ico/jh/ft/db

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