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Irmã de Mark Zuckerberg conta que sentiu na pele o machismo no Vale do Silício

Logotipo do(a) Forbes Brasil Forbes Brasil 6 dias atrás Ana Julia Mezzadri
Divulgação © Fornecido por Forbes Brasil Divulgação

Muito mais do que irmã do famoso fundador do Facebook, Randi Zuckerberg é uma empreendedora, investidora e autora especializada em mídia e tecnologia.

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Psicóloga formada em Harvard, Randi Zuckerberg ingressou na área de marketing e publicidade logo depois da graduação. E foi sua especialização em marketing digital e interativo que fez com que o irmão famoso a recrutasse quando sentiu necessidade de ter um profissional do tipo para atuar ao seu lado no Facebook. Randi passou quase uma década sendo uma das poucas mulheres na indústria da tecnologia.

Depois de sair do Facebook, a jovem fundou a Zuckerberg Media, empresa da qual é a atual CEO e onde desenvolve tecnologia, conteúdo e eventos que têm sempre como foco a inserção da mulher na área dos negócios e da tecnologia – pauta que tem muito a ver com a trajetória da empreendedora, que, por muito tempo, teve de “sentir o desconforto de ser a única mulher na sala”.

FORBES: Qual foi a sua trajetória antes de chegar ao Facebook?

Randi Zuckerberg: Eu estudei psicologia na universidade, e me interessei especificamente por marketing e publicidade. Depois de me formar, fui trabalhar em uma agência de publicidade na cidade de Nova York, a única agência que tinha uma CEO mulher. Lá eu me especializei em marketing digital e interativo, que era um campo totalmente novo na época. Isso foi em 2003.

Mais tarde, acabei indo trabalhar para FORBES [nos Estados Unidos], ajudando na produção de um programa de televisão chamado “Forbes on Fox”. Foi nesse período que meu irmão e os outros fundadores estavam criando o Facebook. Eles precisavam de alguém que entendesse de marketing digital e que tivesse experiência com TV e mídia. Então Mark disse: “Eu acho que eu conheço a pessoa certa!”. Eu amava viver em Nova York, mas estava pronta para uma nova aventura. Então eu disse a ele que trabalharia lá por um ano – e esse um ano acabou se tornando quase uma década. Foi assim que eu fui parar no Vale do Silício.

FORBES: Como você acha que o Facebook a preparou para as funções que você desempenha hoje?

Randi: No Facebook nós estávamos começando uma indústria que não existia. E isso realmente me mostrou que é possível conquistar qualquer coisa, que não é preciso ir para a universidade e estudar um assunto por anos e anos para ser capaz de fazer com que algo aconteça. Uma ideia e uma paixão podem ser transformadas em realidade.

Eu realmente levei isso para a minha carreira pós-Facebook. Eu agora faço coisas que eu não treinei para fazer e nem estudei – criei um programa de televisão de animação para crianças e atuei na Broadway, por exemplo. Trabalhar no Facebook me mostrou que você não precisa estudar especificamente para alguma coisa. No atual mundo em que vivemos podemos aprender trabalhando.

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FORBES: Você enfrentou algum desafio específico por ser uma mulher no campo da tecnologia trabalhando no Vale do Silício?

Randi: Com certeza. E eu não estava preparada para esses desafios porque, como mencionei, eu trabalhava em uma agência de publicidade com uma CEO mulher. Eu pensava que as mulheres podiam ter altos cargos, mas no Vale do Silício era muito diferente. Não havia praticamente nenhuma outra mulher em um cargo alto. Eu me sentia muito ciente do meu gênero todos os dias quando eu estava lá.

Por isso eu acho que sempre tive um relacionamento complicado com a indústria da tecnologia. Por um lado, eu amava o que estávamos fazendo. Era muito animador ser parte de uma empresa como o Facebook. Por outro lado, eu me sentia muito sozinha e desconfortável em ser a única mulher na sala.

FORBES: Você sente que isso está mudando atualmente?

Randi: Eu acho que ainda há um longo caminho a percorrer, então nós estamos longe do fim. Mas estamos fazendo mudanças. Eu estou começando a ver muito mais mulheres criando empresas, investindo em startups e tecnologia. Eu tenho um programa de rádio semanal, chamado “Dot Complicated”, no qual entrevisto mulheres de negócios. São três anos no ar e eu nunca precisei repetir uma convidada. Parece que há muito mais mulheres entrando nesse espaço. Dito isso, é importante lembrar que nós ainda somos menos de 15% de toda a indústria. E, considerando que a maioria dos clientes das startups e das grandes empresas de tecnologia, é formada por mulheres, nós somos muito sub representadas.

FORBES: O que você acha que deveria ser feito para mudar esse cenário?

Randi: Essa é uma ótima pergunta. Eu acho que esse assunto tem de ser algo em que nós estejamos pensando e trabalhando de muitas maneiras diferentes. Acho que as empresas têm de ter políticas melhores sobre maternidade e diversidade de contratação. Além disso, acredito que as escolas precisam se assegurar de que estão fazendo um bom trabalho ao ensinar habilidades de negócios às jovens alunas. Outro ponto, ainda, é que cultura pop e nosso entretenimento precisam se assegurar de mostrar mais meninas e mulheres de negócios, e não apenas glorificar as mulheres por serem bonitas ou sexy.

FORBES: Que dicas você daria a alguém que queira abrir um negócio ou começar algo novo?

Randi: Eu acho que nunca houve uma época melhor para começar um negócio. Então, eu diria: se jogue.

Mas eu alertaria para começar pequeno. Se você já tiver um trabalho, comece como um projeto paralelo. Provavelmente, chegará um ponto em que você se sentirá pronto para perseguir suas ideias em tempo integral.

Há muitas maneiras de conseguir dinheiro e apoio para as suas ideias hoje em dia. Você pode utilizar crowdfunding ou recorrer a investidores anjo de fora da sua rede de amigos e família, por exemplo. Então, eu também acho que nunca foi tão barato e fácil começar uma ideia como agora. Com as redes sociais e todas as ferramentas disponíveis, é possível testar uma ideia de maneira muito barata e saber se as pessoas gostam antes de investir todo o seu tempo e dinheiro.

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FORBES: O que você recomendaria especificamente para empreendedores brasileiros?

Eu encorajaria os empreendedores no Brasil a lembrar que, atualmente, toda empresa é uma empresa global. Não é possível começar uma empresa que seja apenas para o Brasil ou apenas para os Estados Unidos. A partir do momento em que você coloca algo online, esse algo se torna global. Então eu encorajaria todos nós a pensarmos em nossos negócios como negócios globais.

FORBES: No Brasil nós estamos nos recuperando de uma crise econômica. Quais seriam os seus conselhos para alguém que queira abrir seu próprio negócio em um momento como este?

Randi: Eu diria: teste as suas ideias antes de se jogar. Utilize as redes sociais, o crowdfunding. Essas são maneiras excelentes de receber feedbacks e saber se as pessoas estão realmente interessadas no seu produto ou serviço antes de você mergulhar totalmente nisso.

Mas eu também acho que é durante os períodos de crise que as ideias mais criativas vêm à tona, porque nós precisamos de mudanças. Eu acho que, às vezes, é durante a crise que as melhores ideias e os melhores empreendedores surgem.


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