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2019 já é um ano perdido para a economia, diz Mendonça de Barros

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Mendonça de Barros: “O custo já está pago, infelizmente © Flávio Santana / Biofoto Mendonça de Barros: “O custo já está pago, infelizmente

São Paulo – O ano de 2019 está perdido para a economia, na avaliação de José Roberto Mendonça de Barros, fundador da MB Associados.

“O custo já está pago, infelizmente. Agentes econômicos já estão revendo para baixo o avanço do PIB deste e dos próximos anos, o mercado de trabalho não deve melhorar e as empresas vão continuar tendo dificuldades com isso”, disse economista em debate no Fórum VEJA EXAME 100 dias de governo, nesta segunda-feira, 15.

Um sinal importante de que a avaliação de Mendonça de Barros vai no caminho certo é a publicação do IBC-BR, visto como uma prévia do PIB, feita hoje pelo Banco Central.

O índice apresentou recuo de 0,73% em fevereiro na comparação com o mês anterior, segundo o Banco Central. Foi o segundo mês de queda seguido e o pior resultado para o indicador desde uma queda de 3,1% vista em maio de 2018.

O boletim Focus também reduziu sua expectativa para o PIB nesta segunda-feira pela sétima vez consecutiva, de 1,97% para 1,95% este ano. O Itaú revisou sua previsão de 2% para 1,3%.

O problema que começou a aparecer, segundo o economista, é que o presidente Jair Bolsonaro esfria um pouco a forma como a reforma da Previdência está sendo apresentada. “Primeiro, disse que preferia não fazer a reforma, agora, a regra para aposentadoria rural e o BPC já estão fora antes de começar a tramitação praticamente. Isso é um problema. Acaba com o discurso de que todo mundo vai ter sacrifício”, afirma Barros.

Para o Mendonça de Barros, se a economia fiscal da reforma em 10 anos for reduzida de cerca de R$ 1 trilhão para menos de R$ 500 bilhões, o Brasil não volta a crescer. Se ficar em algo em torno de R$ 800 bilhões, “não é o ideal, mas o país pode crescer 3% em 2020, impulsionado por investimentos”.

Para ele, a reforma é boa, a equipe econômica é boa, o trabalho do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, é positivo, mas nada disso será suficiente para acelerar a tramitação do projeto, que “vai levar o ano inteiro para ser aprovada no Congresso”.

Além da agenda fiscal do governo, Daniel Goldberg, sócio-diretor da gestora Farallon Capital, tratou na discussão da agenda de produtividade do setor privado e do setor público. Segundo ele, se, de um lado, esse primeiro ainda se beneficia de “um pacotão de medidas maduras dos governos anteriores”, o segundo depende da “eliminação de regras e subsídios que destroem a economia”, e da capacidade de o governo se relacionar com o Congresso.

“A tabela de frete está distorcendo os preços mais importantes da economia. E o governo está pagando centenas de dezenas de reais por causa disso”, diz. “É fácil dizer que vai eliminar privilégios e subsídios, mas, quando você se defronta com a realidade, a história é outra (…) Mexer com privilégios tributários, por exemplo, não é mole. Tem que mobilizar o Congresso e fazer política com p maiúsculo. Sabemos que isso é difícil para o atual governo”.


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