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Ant Group: tudo o que você precisa saber sobre o maior IPO da história

Logotipo do(a) Forbes Brasil Forbes Brasil 17/10/2020 Ana Paula Pereira
Do grupo Alibaba, a chinesa Ant tem 1,3 bilhão de usuários com acesso pagamentos on e offline, transferências digitais, empréstimos e investimentos em um único aplicativo © Thana Prasongsin/GettyImages Do grupo Alibaba, a chinesa Ant tem 1,3 bilhão de usuários com acesso pagamentos on e offline, transferências digitais, empréstimos e investimentos em um único aplicativo

O IPO da fintech mais valiosa do mundo, o Ant Group, não deve acontecer até o fim de outubro – como desejado pela companhia – já que os órgãos reguladores de Hong Kong e de Xangai ainda não liberaram a dupla listagem da empresa. Mas, como tudo na China, o Ant prepara uma abertura de capital de proporções colossais, com expectativa de levantar US$ 30 bilhões com a oferta, tornando-se o maior IPO da história e deixando para trás a oferta inicial da Saudi Aramco, que movimentou US$ 25,6 bilhões.

A preocupação com o uso de dados é o motivo pelo qual a Casa Branca quer incluir o Ant Group na lista de entidades com restrições comerciais com os EUA, em que constam dezenas de empresas chinesas, entre elas a gigante das telecomunicações Huawei Technologies.

Com a oferta, o Ant Group poderia atingir uma capitalização de mercado de US$ 300 bilhões, cifra em linha com o valor de mercado dos maiores bancos globais, como o norte-americano JPMorgan Chase.

Quem é o Ant Group?

O Ant Group está sediado em Hangzhou, na China, e é um dos ativos no portfólio do Alibaba Group Holding. A fintech começou a funcionar em 2004 com a criação do Alipay, que tinha por objetivo solucionar um problema do Alibaba: garantir as transações entre compradores e vendedores que não tinham fontes de pagamentos confiáveis. A conta de garantia (serviço de custódia) do Ant recebia os recursos, que só eram liberados ao vendedor após o recebimento do produto em boas condições pelo comprador. O impacto dos serviços de pagamentos implementados desde então no Alibaba transformaram o ecossistema financeiro chinês, tornando o país asiático líder mundial em transações digitais e mudando a forma como os chineses lidam com o dinheiro através do Alipay.

Em números, o Ant teve mais de 1,3 bilhão de usuários ativos no ano passado, movimentando US$ 16 trilhões em pagamentos – número quase 25 vezes maior do que o volume movimentado pelo PayPal, a maior plataforma de pagamentos online fora da China.

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O Ant Group também já teve outros nomes: Alibaba e-Commerce, Ant Small e Micro Financial Services, para então adotar o nome atual. O termo fintech, a propósito, é algo que a empresa tenta se livrar: Jack Ma prefere chamá-la de techfin. O que parece ser apenas uma questão etimológica, carrega o símbolo que a companhia quer associar à sua imagem: uma empresa de tecnologia voltada aos serviços financeiros, e não o contrário.

Quais são os negócios do Ant Group?

A transição de nome acompanhou bem a evolução nos serviços prestados pelo Ant – em português, formiga – que, assim como o inseto, atua em diferentes frentes no ecossistema em que está inserido. O Ant possui uma plataforma integrada, combinando serviços como pagamento por aproximação (offline) e online, a exemplo do PayPal; transferências financeiras digitais, como os brasileiros poderão em breve fazer pelo PIX; bandeira de cartão de crédito, financiamentos e empréstimos, além de investimentos e seguros, tudo em um único aplicativo, o famoso Alipay.

A receita com meios de pagamentos respondeu por 36% dos negócios do Ant no primeiro trimestre deste ano, além de servir como porta de entrada dos usuários para outros serviços financeiros, como os empréstimos da companhia, direcionados a microempresas e com taxas que variam entre 7% e 14% ao ano. A aprovação de crédito é realiza em três minutos também dentro do aplicativo, que utiliza mais de 3 mil variáveis em seus modelos de risco de crédito. Segundo o Alibaba, mais de 500 mil pedidos de empréstimos podem ser processados por segundo na plataforma.

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Os recursos destinados a pequenas empresas representam 5% do mercado de crédito chinês e 15% da fatia de empréstimos ao consumidor. Atualmente, a empresa conecta tomadores a bancos ao custo de uma taxa pelo serviço de tecnologia e cobrada apenas das instituições financeiras. O crédito respondeu por 39% das receitas do Ant no 1T20.

O braço de investimentos teve início em 2013, quando a empresa passou a oferecer a compradores e vendedores a possibilidade de aplicar o saldo em conta em um fundo do mercado monetário, dando origem ao maior fundo do mundo na categoria. O Ant é hoje um dos canais de distribuição de ativos mais poderosos da China, ofertando mais de 6 mil produtos financeiros na plataforma entre ações e títulos de crédito.

Por que a empresa está na mira dos EUA?

Com todo esse tamanho, é natural que a super formiga desperte atenção global. O departamento de Estado dos EUA já propôs que o Ant fosse adicionado à lista de entidades com restrições comerciais, que tem por objetivo impedir que companhias estrangeiras exportem tecnologia e dados sensíveis.

A inclusão do Ant na lista poderia causar danos ao IPO, assim como já aconteceu a outras empresas chinesas que viram ofertas de ações serem minadas pela inclusão na temida lista. Nem a participação de bancos norte-americanos no prospecto da oferta diminuiria o impacto sobre a listagem.

Como comprar ações do Ant Group?

Os investidores no Brasil que não desejam esperar por uma BDR do Ant Group na Bolsa brasileira têm como opção o papel do próprio Alibaba (BABA34), que no fechamento de ontem (16) encerrou negociado pela pechincha de R$ 1.747,00, com alta de 3,87% no dia. Se nem no fracionário for possível incluir o ativo na carteira, fundos de ações dedicados ao mercado chinês e os ETFs de índices de tecnologia na China e nos EUA são ainda algumas das opções ao investidor brasileiro, além, obviamente, da abertura de conta em corretoras de valores no exterior.

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