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Apenas 1% da população global tem 45% da riqueza

Logotipo do(a) Agência O GloboAgência O Globo 19/06/2017 Agência O Globo -
© Foto: Getty Images

Em todo o mundo, o número de milionários e bilionários está crescendo. Apesar do crescimento mais lento da economia global, os ricos ficaram ainda mais ricos. São quase 18 milhões de famílias que possuem mais de US$ 1 milhão, segundo o último relatório do Boston Consulting Group (BCG). Os ricos representam apenas 1% da população mundial, mas detêm 45% da riqueza de US$ 166,5 trilhões do planeta. Segundo o BCG, até 2021, eles vão controlar mais da metade da riqueza mundial.

Para analistas, o crescimento da desigualdade não é uma surpresa na medida em que, nas últimas décadas, os ricos têm concentrado as maiores fatias de renda — especialmente nos Estados Unidos, onde os lucros das empresas atingiram recordes, enquanto os salários dos trabalhadores permanecem estagnados.

Pouca criação de nova riqueza

Hoje, há cerca de 7 milhões de americanos com mais de US$ 1 milhão, e o BCG espera que o número de milionários alcance os 10,4 milhões até 2021 nos Estados Unidos. Essa é uma taxa de crescimento anual de 8%, ou cerca de 670 mil novos milionários a cada ano.

Os milionários são muito mais raros no resto do mundo do que nos Estados Unidos, onde 5,7% das famílias possuem mais de US$ 1 milhão em ativos. Os únicos países com maior concentração de milionários são nações muito menores, como Bahrein, Liechtenstein e Suíça. A China tem o segundo maior número de ricos, com 2,1 milhões, embora sua população seja quatro vezes maior que a americana.

O aumento da renda para aqueles que fazem parte do 1% mais ricos nos Estados Unidos mais do que duplicou nos últimos 35 anos, depois de cair nas décadas após a Segunda Guerra Mundial, quando eles foram altamente tributados. A maré mudou na década de 1980, sob o regime do presidente republicano Ronald Reagan, uma década na qual os americanos viram os impostos caírem para os ricos, ao mesmo tempo em que a Bolsa de Valores batia recordes de alta. Agora, essas políticas ajudaram a colocar 63% da riqueza privada dos Estados Unidos nas mãos de milionários e bilionários do país, de acordo com o relatório do BCG. Em 2021, sua participação na riqueza da nação aumentará para cerca de 70%.

Globalmente, metade da nova riqueza vem dos ativos financeiros, a partir do aumento dos preços das ações ou rendimentos em títulos e depósitos bancários. O resto vem do que o BCG classifica como “nova criação de riqueza”, ou seja, de pessoas que economizam dinheiro que ganharam por meio do trabalho ou empreendedorismo.

Nos Estados Unidos, a “nova criação de riqueza” tem um peso bem menor e representou só 28% do aumento de renda do país em 2016. E o novo cenário político pode aumentar ainda mais o enriquecimento dos milionários americanos. Após as eleições de 2016, o rendimento das ações no país aumentou, uma vez que os investidores esperam que o presidente Donald Trump e um Congresso republicano adotem políticas de redução de impostos para empresas e para os cidadãos mais ricos do país.


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