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Bettina: “Eu nunca falei que transformei 1520 reais em 1 milhão”

Logotipo do(a) Veja São Paulo Veja São Paulo 19/03/2019 Matheus Prado
© Richard Fernandes

Recém-promovida a meme nacional, Bettina Rudolph acredita piamente no que fala no vídeo que dominou a internet na última semana, no qual ela explica como multiplicou seu patrimônio em pouco tempo. Aparentemente inabalada, a jovem de 22 anos é administradora de empresas e funcionária da empresa de educação financeira responsável pela publicidade, a Empiricus.

Com a repercussão da peça, questionou-se a veracidade dos valores mencionados, a origem e o suporte de familiares que a moça recebeu. Bettina nega ter dito que transformou 1 520 reais em mais de 1 milhão no período de três anos. Explica que usou este valor para mostrar que é possível investir na Bolsa com pouco. Ela, na verdade, entre outras quantias, teve um ajuda de 35 000 reais proveniente de uma poupança que seu pai fez ao longo dos anos.

A administradora também assume que a publicidade exibe um tom agressivo, mas que o método tem sido utilizado pela empresa com bastante sucesso nos últimos anos. No período de uma semana, cerca de 1 milhão de pessoas se inscreveram para ganhar acesso gratuito ao conteúdo da empresa. Mais de 15 milhões viram o tal anúncio.

Confira a entrevista com a moça:

VEJA SÃO PAULO: Conte um pouco das sua origens.

Bettina Rudolph: Nasci em São Paulo, morei aqui até os 15 anos. Estudei no Pentágono, em Alphaville, do maternal aos 15. Quando tinha 11 anos, meu pai, gerente comercial de uma multinacional, foi desligado da empresa. Percebeu da noite para o dia que não tinha guardado nada. Então buscou estreitar os laços com a empresa da família, a Rudolph Usinados, fundada pelo avô na garagem de casa. A gente foi para Blumenau por causa disso. Em 2015, meu pai conheceu a Empiricus e aos poucos foi me introduzindo.

VSP: Uma das questões mais polêmicas foi a evolução do seu patrimônio…

Bettina: A primeira compra de ações que eu fiz foi, sim, de 1 520 reais. Foi com o meu dinheiro. Quando eu completei 19 anos, tinha uma poupança que meu pai cultivava para mim e meu irmão desde pequenos. A gente deu entrada na papelada para liberar e aí recebeu essa grana também: um pouco mais de 35 000 reais depois da dedução de impostos. Esse foi 100% da grana que meu pai me deu. Nunca falei que eu transformei 1 520 reais em 1 milhão. Mas tem todo mundo aí para manipular as palavras. A gente preza pelos aportes constantes.

VSP: Qual mensagem quis passar?

Bettina: Hoje o brasileiro acha que investir em ação é coisa de elite. Sim, eu era de uma família estruturada, não pagava contas. Mas eu tirava tudo que eu tinha e colocava em ações. Que jovem hoje faz isso? Dei aulas de dança, fiz trabalhos como modelo, tinha até brechó. Entrei na Bolsa em um período muito bom. Tiveram vários valores acrescidos. Os 35 000 não chegam nem perto dos valores que eu coloquei depois também. Eu botava todo mês, por três anos. E continuo colocando.

VSP: Como você começou a trabalhar na Empiricus?

Bettina: Eu e meu pai só sabíamos falar de Empiricus. Nunca me encontrei em Blumenau, sentia falta de um agito em São Paulo. Me formei em administração em 2017 e queria encontrar um trabalho em São Paulo. Aí eu fiz uma lista de empresas nas quais gostaria de trabalhar. Mandei e-mail para a Empiricus: “Sou mulher, tenho 21 anos e vocês mudaram a realidade da minha família”. Depois de alguns contratempos, entrei em março de 2018. Às favas com os memes. O Brasil nunca parou para discutir um tema de educação financeira.

VSP: O risco era calculado quando você colocou sua cara na campanha?

Bettina: Sempre é. A gente tem um processo. Eu não sabia que ia dar toda essa repercussão, mas a gente está tranquilo porque sabe da nossa verdade. É agressivo? É. Mas eu podia ter comprado passivo. Quem ganha 35 000 reais do pai e compra ações? É isso que a gente está tentando mostrar. Ia ser criticada de qualquer forma, eu nasci assim.

VSP: Você sabe do despreparo do brasileiro médio em relação ao conteúdo. Você não acha que essa entrada com o pé na porta é mais prejudicial do que educativa?

Bettina: Quando a gente não fazia isso, a gente falava com meia dúzia de pessoas. Quando a gente importou esse método, passou a falar com milhões. Haters gonna hate.

VSP: Do que trata a série que você vai lançar?

Bettina: É uma série de três vídeos, de graça, que conta um pouco da minha história. Mas eu não vou ficar falando de mim, vou mostrar como todo mundo pode fazer igual a mim.

VSP: Como chegou para você a repercussão?

Bettina: Começou na terça, no meu Instagram, a vir muita gente falar. Na quarta, apareceram alguns memes. Na sexta, pensei “caramba, zerei a internet”. Valeu a pena.

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