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Campos Neto diz que real caiu frente ao dólar porque juros baixaram

Logotipo do(a) Poder360 Poder360 02/12/2019 Paulo Silva Pinto
Campos Neto falou em almoço da Febraban, em São Paulo © Marcos Oliveira/Agência Senado Campos Neto falou em almoço da Febraban, em São Paulo

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que a desvalorização do real frente ao dólar é resultado da redução da taxa de juros, algo que trará grandes benefícios para a economia brasileira. “O ciclo vicioso de taxas altas foi quebrado, estamos entrando em ciclo virtuoso”, afirmou, nesta 2ª feira (2.dez.2019), em almoço da Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

Campos Neto destacou a demora para que as mudanças nas taxas de longo prazo proporcionem benefícios. “Câmbio é reflexo de curva longa de juros mais baixa. Havia renda atraente e isso foi caindo. O fluxo [de dinheiro destinado ao mercado financeiro] desaparece antes que o fluxo real apareça. Mas vai aparecer. É importante continuar com as reformas porque vem fluxo grande da parte real”, disse ele, em alusão à perspectiva de ampliação dos investimentos diretos em produção no país. O ex-presidente do BC Gustavo Loyola já havia chamado atenção para essa mudança estrutural na economia brasileira.

Ele mencionou a “frustração do mercado com o processo da Petrobras”, em referência ao leilão de áreas do pré-sal como 1 fator para a desvalorização do real frente ao dólar. A expectativa era de arrecadar R$ 106,6 bilhões, mas o valor foi de R$ 70 bilhões.

O discurso de Campos Neto na Febraban reúne argumentos que têm sido mencionados por ele, por diretores e por técnicos do BC para explicar a alta do dólar frente ao real.

Também costumam citar que as empresas brasileiras estão aproveitando os juros baixos no Brasil para trocar dívidas em dólar ou outras aqui, em reais. A médio prazo, isso tira pressão do câmbio porque as companhias terão menos obrigações em moeda estrangeira. No início, porém, é preciso comprar dólares para quitar a dívida no exterior, o que eleva a cotação da moeda estrangeira.

Algo fundamental, porém, para o BC é que a instituição não busca uma cotação específica. O que se quer evitar é a volatilidade, por isso as intervenções no mercado. O BC vem usando com mais frequência o swap cambial, no qual oferece pagamento da variação do dólar em relação ao real em troca do pagamento pela variação dos juros pelo investidor. Com isso, empresas que terão pagamentos em dólar a ser feito em algum tempo podem se proteger sem comprar a divisa norte-americana, evitando pressionar a cotação.

O BC também faz leilões de linha, oferecendo dólares que terão de ser devolvidos mais tarde. O resultado líquido é neutro, portanto as reservas não são reduzidas. Há também a venda direta de dólares, o que o BC evita fazer pelo impacto nas reservas.

Na 3ª feira (26.nov), o BC retomou a venda direta de dólares para conter a perda de valor do real depois de declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes.

A desvalorização do real foi usada como argumento pelo presidente norte-americano Donald Trump para elevar tarifas ao aço e ao alumínio brasileiros exportados aos EUA.

Para o diretor de desenvolvimento industrial da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Carlos Abijaodi, a acusação de Trump não tem fundamento. “O câmbio do Brasil é flutuante”, disse.

Ele destacou que, para as empresas industriais, não é vantagem a desvalorização adicional do real agora. “Compram-se muitos insumos importados. O que é necessário é a estabilidade da cotação, para que haja previsibilidade nos negócios”, afirmou.

Abijaodi disse que há risco de o governo dos EUA usar o argumento genérico de que o Brasil desvaloriza sua moeda para limitar a venda de qualquer produto brasileiro em seu mercado. “É protecionismo”, disse.

O economista Sidnei Nehme, diretor da corretora de câmbio NGO, afirmou, porém, que para conter a volatilidade o BC deveria ter vendidos dólares no mercado à vista em agosto, quando a demanda pela moeda norte-americana aumentou devido à percepção do mercado de que os juros cairiam com mais intensidade.

Seria como dar água ao mercado em 1 momento de sede.” Em vez disso, continuou-se com a oferta de swaps. Na semana passada, o BC vendeu dólares à vista, mas com efeito bem inferior ao que conseguiria em se tivesse feito a oferta 4 meses atrás. “A ordem dos fatores altera o produto.

Na avaliação de Nehme, o fato de o BC não ter atuado para segurar o valor da moeda em agosto pode ser usado como argumento pelos EUA para apontar política de desvalorização da moeda brasileira, ainda que não seja algo intencional.

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