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Futuro da Uber pode depender de ele prever quanto você vai pagar

Logotipo do(a) Exame.com Exame.com 19/05/2017 Da Redação
Carro com bandeiras do Uber, em Taiwan, dia 26/02/2017 © image/jpeg Carro com bandeiras do Uber, em Taiwan, dia 26/02/2017

São Francisco — Os motoristas da Uber reclamam que a diferença entre a tarifa paga pelo passageiro e o montante recebido pelo motorista está aumentando.

Após meses de respostas insatisfatórias, a empresa deu uma explicação: está cobrando mais de alguns passageiros porque precisa de dinheiro extra.

A mudança decorre de um recurso lançado pela Uber no ano passado, chamado preço antecipado. A companhia afirma que ao garantir aos clientes uma certa tarifa antes de eles reservarem, oferece mais transparência.

Mas continuou a pagar os motoristas usando o modelo antigo, uma combinação de quilometragem, tempo e multiplicadores baseados na demanda geográfica. Na diferença entre esses dois cálculos pode estar o futuro do negócio da Uber.

Daniel Graf, chefe de produto da Uber, disse que o preço antecipado não pode ser resumido em uma fórmula simples. Segundo ele, a empresa aplica técnicas de aprendizagem de máquina para estimar quanto os grupos de clientes estão dispostos a gastar em uma viagem.

A Uber calcula a propensão dos passageiros a pagar um preço mais elevado por uma rota particular em um determinado horário do dia.

Por exemplo, a empresa pode aplicar um preço maior a uma pessoa que vai de um bairro nobre a outro em comparação com o valor pedido a uma pessoa que se dirige a uma parte mais pobre da cidade, mesmo que a demanda, o trânsito e a distância sejam os mesmos. A Uber chama isso de “preço baseado na rota”.

Nesta sexta-feira, a Uber começa a comunicar as mudanças com mais clareza aos motoristas. A empresa começará a reportar o preço pago por passageiro a cada corrida, mas deixará de detalhar a porcentagem que a Uber recebe da tarifa.

Além disso, a companhia enviará aos motoristas um acordo de condições de serviço atualizado que reflete o novo sistema de comissões.

O preço baseado na rota atualmente está limitado a 14 cidades nas quais a Uber oferece seu serviço de compartilhamento de carros.

Graf disse que as técnicas de preços da Uber se tornaram incrivelmente sofisticadas. Ele supervisiona uma equipe chamada marketplace, na sede da empresa em São Francisco, formada por economistas e estatísticos.

Graf, um ex-executivo do Google e do Twitter, vê a engenharia financeira como uma vantagem competitiva, uma forma de a Uber permanecer à frente do Lyft e de outros operadores de caronas compartilhadas.

“A busca no Google é muito simples de fazer, mas o que acontece nos bastidores é muito complexo”, disse Graf. “É a mesma coisa aqui. Fazer a corrida é fácil. Fazer tudo isso funcionar em todo o mercado, e de forma sustentável, é muito, muito difícil.”

No ano passado, a Uber havia atribuído as discrepâncias de preços à incerteza em torno da estimativa das tarifas, embora estivesse fazendo experiências com técnicas desenvolvidas para explorar o desequilíbrio entre o que os clientes estavam dispostos a pagar e o que os motoristas recebiam.

O Rideshare Guy, um blog popular entre os motoristas, realizou um estudo na cidade de Nova York, publicado em maio, que descobriu disparidades generalizadas entre as tarifas pagas pelos passageiros e os ganhos dos motoristas.

Os trabalhadores não ficaram contentes. “Trata-se de um comportamento imoral e antiético”, disse Chris Estrada, que trabalha para a Uber em Riverside, Califórnia.

A Uber informou que não está guardando a receita adicional gerada com o preço baseado nas rotas.

A companhia afirma que reinveste boa parte do dinheiro em aumentar o número de viagens, subsidiar o uso do UberPool e pagar bônus aos motoristas.

Christian Perea, que escreve para o Rideshare Guy, disse que os motoristas vão apreciar a transparência maior sobre quanto os passageiros estão pagando. “Isso é importante”, disse ele.

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