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Juros: decisão do BC mostra preocupação com cenário externo

Logotipo do(a) VEJA.com VEJA.com 17/05/2018 Fabiana Futema
Gráfico de juros: A partir de julho, os bancos terão de oferecer uma linha de crédito mais baratas aos clientes que ficarem no cheque especial por 30 dias seguidos © iStock A partir de julho, os bancos terão de oferecer uma linha de crédito mais baratas aos clientes que ficarem no cheque especial por 30 dias seguidos

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, de manter a taxa básica de juros em 6,50% ao ano mostrou ao mercado financeiro que o órgão está atento ao impacto das turbulências internacionais para a economia do país. Se por um lado reforçou a confiança do mercado na política econômica, a decisão também pôs um freio no já enfraquecido processo de retomada do crescimento.

“O mercado fica seguro de que o BC está preocupado com a inflação e foi prudente. Isso é muito importante para a formação de expectativas, o que é positivo”, diz Ricardo Balistiero, mestre em economia e coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia.

A manutenção da Selic em 6,50% interrompeu o processo de redução da taxa de juros iniciado em 2016 e surpreendeu parte do mercado, que apostava em um corte de 0,25 ponto porcentual na reunião desta quarta-feira. O que pesou na decisão do Copom foi o cenário internacional. “A crise cambial da Argentina acendeu o alerta dos economistas de que o cenário atualmente para a política monetária deve ser cauteloso”, afirma André Diz, professor de macroeconomia do Ibmec/SP.

Segundo ele, o Copom passou o recado de que está preocupado com o efeito da valorização do dólar sobre a inflação. “Foi uma decisão muito acertada e passa o recado de precaução, ainda mais em uma época em que o câmbio está sofrendo bastante pressão e o real se desvaloriza cada vez mais frente ao dólar.”

A questão para o setor produtivo é que a interrupção do corte de juros desacelera o processo de retomada da economia, que vem em um ritmo menor que o desejado. “Do ponto de vista da retomada, a notícia não é boa. Toda vez que não se corta juro, a economia não se acelera, pois impacta no crédito. Os dados econômicos autorizariam o BC a fazer mais um corte de juro”, diz Balistiero.

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a decisão do Copom. “Corremos o risco de ver morrer a retomada da economia, num momento em que o Brasil tenta sair de sua pior crise. O crescimento ainda é muito frágil – e só vai ganhar força se ficarem em nível razoável os juros para quem quer investir e consumir.”

A economia brasileira recuou no primeiro trimestre, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que registrou queda de 0,13% nos primeiros três meses deste ano na comparação com quarto trimestre de 2017 (outubro a dezembro). Conhecido como “prévia do BC para o PIB”, o IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses.

Na opinião de Diz, o efeito sobre a retomada do crescimento é mínimo. “A nossa economia ainda não está com um movimento forte de recuperação. Nossa retomada é lenta e repleta de solavancos. Então cortar 0,25 agora ou daqui a 45 dias poderia ter o mesmo efeito, praticamente ainda pequeno, para o crescimento econômico.”

O cenário eleitoral, mesmo sem ser mencionado pelo Copom, é outro fator que preocupa o mercado financeiro. “A economia, tanto a nacional quanto a internacional, está bastante turbulentas Internamente, nos aproximamos cada vez mais das eleições, e ainda é difícil conseguir analisar as propostas econômicas dos candidatos mais competitivos”, afirma o professor do Ibmec/SP.

Para Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos, a retomada sustentável da economia depende não só da política monetária, mas também da aprovação de reformas macroeconômicas e microeconômicas que estimulem a atividade comercial no país e corrijam nosso déficit fiscal. “Mas essas pautas estão paradas no Congresso há alguns meses. Então, o corte de 0,25, se tivesse ocorrido, poderia provocar alguma continuidade na atividade econômica.”

O fato de o Copom ter citado a frustração com continuidade da agenda de reformas não justifica a decisão de hoje. “Esse já era um assunto passado. Pelo menos desde o início da intervenção militar no Rio de Janeiro não se fala do impacto do enterramento da reforma da Previdência para a economia do país. Então não faz muito sentido.”

Em nota, o Copom sinalizou que o ciclo de redução se corte da taxa de juros foi finalizado. “Para as próximas reuniões, o Comitê vê como adequada a manutenção da taxa de juros no patamar corrente. O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.”


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