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Recorde de mortes derruba o varejo e a logística na bolsa

Logotipo do(a) Você S/A Você S/A 07/04/2021

Não há otimismo que resista aos últimos números da pandemia. Você sabe: ontem quebrou-se a barreira de 4 mil mortes em 24 horas. 1.389 só no Estado de São Paulo, responsável por um terço do PIB do país. Aliás: logo após o fechamento do mercado, saiu o número desta quarta: 3.829 mortes.

A resposta ao agravamento veio com clareza na bolsa. Das nove maiores quedas do dia, todas foram de setores mais sensíveis a um eventual desabamento da economia nacional: sete do varejo, seja físico, seja online – caso da Magalu (-2,03%) e da Iguatemi (-1,89%); duas de logística: CCR (-1,59%) e a Rumo (-3,25%). 

A bolsa vinha basicamente ignorando os aumentos nas mortes. Faz parte. O mercado não olha para o presente. Ele precifica o futuro. Mas o que se precificou hoje foi um afundamento do buraco em que já estamos, com quedas justamente nas ações das empresas mais dependentes da economia brasileira.

Para quem não depende, por outro lado, o dia foi positvo. A Vale, para quem a saúde econômica da China importa mais do que nossa, fechou em alta forte de 2,46%. 

A mineradora subiu na esteira do preço do minério de ferro lá no porto chinês de Qingdao. A commodity valorizou 1,60%, impulsionada por uma expectativa de alta na demanda por aço no mercado chinês. As siderúrgicas também surfaram nessa onda. A CSN subiu 1,91%, a Gerdau, 1,89%.  

Com Brasil em baixa e China em alta, o Ibovespa terminou meio que empatado: estável em +0,11% aos 117.623 pontos. 

Quem fala demais dá bom dia para cavalo

Já para quem depende do bom senso de Jair Bolsonaro, o dia foi cinzento. A Petrobras chegou a subir 1%, mas perdeu o embalo (fechando em -0,08%) depois de mais uma declaração do presidente. 

O atual morador do Palácio da Alvorada que não perde oportunidades para ficar quieto, voltou a criticar os preços praticados pela estatal, que aumentou o gás em 39%. 

Bolsonaro afirmou que não vai interferir, mas que a política de preços da companhia deve mudar – mas, ei: da última vez que ele disse que não meteria a mão, derrubou o presidente da empresa, responsável por entregar o maior lucro trimestral da história da bolsa: R$ 59,9 bilhões no 4T20. 

Vejamos agora o que vem pela frente. 

IRB Brasil, a novela, capítulo 345 

A IRB Brasil não depende de consumo nem da China, nem do humor presidencial. É uma resseguradora (empresa que faz seguros para companhias de seguro). O que importa para ela é outra coisa, menos tangível: confiança do mercado na sua capacidade de honrar sinistros (o momento em que uma seguradora é acionada).    

E ela teve uma boa notícia hoje nessa linha: seu castigo chegou ao fim. A Susep (Superintendência de Seguros Privados) encerrou, nesta quarta-feira (7), a “fiscalização especial” a que a companhia estava envolvida desde maio de 2020.

O seu inferno astral começou em fevereiro do ano passado, quando a gestora de fundos Squadra soltou dois relatórios dizendo que o IRB maquiava seus balanços. Acontece que a empresa reportou lucro de R$ 1,7 bilhão em 2019, mas a Squadra afirmava que, desse total, pelo menos R$ 1,5 bi tratavam-se de ganhos pontuais. Ou seja, não tinham como se repetir no futuro. 

Normal. Acontece com qualquer empresa. O problema é que a IRB não disse isso em seus relatórios, como qualquer empresa costuma fazer. E o mercado entrou em modo alerta – e as ações passaram a cair. Mas o que parecia ser só um problema de relatório virou uma bola de neve. 

Em uma medida desesperada para controlar a queda dos papéis, a diretoria soltou um boato no início de 2020 dizendo que “Warren Buffett triplicou sua participação no IRB”. Só que o dono da Berkshire Hathaway respondeu, num comunicado oficial, avisando que “não era, nunca tinha sido nem não tinha a intenção de ser acionista da resseguradora”. Escândalo. E um indicativo poderoso de que a IRB fraudava mesmo seus balanços. 

Resultado:  CEO e CFO deixaram a empresa, e em menos de um mês as ações já tinham caído mais de 80%. Além disso, investigações internas revelaram que ex-executivos haviam roubado R$ 60 milhões da companhia.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) precisou intervir e abrir dois inquéritos administrativos para apurar irregularidades. Já a Susep (a CVM do mercado de seguros) colocou a IRB em um regime especial de fiscalização – quando a superintendência faz uma análise nos demonstrativos financeiros da companhia para garantir que ela tem dinheiro suficiente para cobrir suas obrigações. No caso da IRB, o principal era garantir que ela poderia cobrir os sinistros, que é quando o seguro precisa ser acionado.

A resseguradora, então, fez algumas emissões de debêntures para contar com essas garantias no caixa (em novembro, por exemplo, conseguiu levantar R$ 229 milhões). O objetivo era emitir até R$ 900 milhões e ele foi cumprido. 

O afrouxamento da Susep deixou os investidores mais tranquilos sobre a estabilidade da IRB. Nisso, as ações da empresa chegaram a liderar as maiores altas do Ibovespa hoje, e fecharam no positivo: 2,30%.

Braskem

A empresa anteriormente conhecida como Odebrecht (hoje é Novonor) começou a conversar com potenciais interessados em adquirir sua fatia na Braskem – noticiou o Valor

Uma senhora fatia, aliás: 38,3% da petroquímica. A companhia de Emílio e Marcelo é a maior acionista ali. Ou seja: a Braskem vai mudar de dono. E os papéis da companhia subiram 6,1%, configurando a maior alta do dia. Pelo visto, deixar de depender da família Odebrecht faz bem para a saúde.  

Maiores altas

Braskem: 6,05%

Hapvida: 3,89%

Minerva: 3,63%

Tim: 2,86%

Intermédica NotreDame: 2,57%

Maiores baixas

Hering: -3,34%

Rumo: -3,25%

B2W: -2,96%

Lojas Americanas: -2,25%

BRMalls: -2,18%

Ibovespa: 0,11%, aos 117.623 pontos

Em NY:

S&P 500: +0,14%, aos 4.079 pontos

Nasdaq: -0,07%%, aos 13.688 pontos 

Dow Jones: +0,05%, aos 33.446pontos 

Dólar: +0,78%, a R$ 5,64

Petróleo

Brent: +0,67%, a US$ 63,16

WTI: 0,74%, a US$ 59,77

Minério de ferro: alta de 1,60%, no porto de Qingdao (China)

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