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Reunião do Copom termina nesta quarta; expectativa é de manutenção da Selic

Logotipo do(a) Poder360 Poder360 01/08/2018 Mariana Ribeiro
Copom reúne-se nesta semana para decidir sobre a Selic, taxa básica de juros © Antônio Cruz Copom reúne-se nesta semana para decidir sobre a Selic, taxa básica de juros

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central termina nesta quarta-feira (1º) à sua 5ª reunião do ano. A expectativa geral dos analistas de mercado consultados pelo Poder360 é de manutenção da taxa básica de juros da economia, a Selic, em 6,5% ao ano.

Para os economistas, o choque causado pela greve dos caminhoneiros não deve afetar a decisão do colegiado. Eles acreditam que a inflação ainda abaixo da meta de 4,5% e o fraco desempenho da atividade econômica serão suficientes para justificar a permanência da taxa na mínima histórica nesta reunião. Outros, entretanto, já apontam a possibilidade de alta nos juros ainda neste ano.

O movimento de queda da Selic começou em outubro de 2016, quando a taxa caiu de 14,25% para 14%. Desde o 1º corte, houve redução de 7,75 pontos percentuais. Nas últimas duas reuniões. o Copom optou por interromper o ciclo de queda. Também preferiu não indicar os próximos passos na condução da política monetária.

Inflação e atividade econômica  

Impactada pelo greve dos caminhoneiros, a inflação acelerou 1,26% em junho e acumulou alta de 4,39% em 12 meses. Na esteira desse movimento, economistas consultados pelo BC no Boletim Focus revisaram suas expectativas para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2018. Há 1 mês, falavam em 3,92%, nesta semana, em 4,17%.

Mesmo com a forte aceleração, as estimativas para o índice continuam abaixo da meta do governo para o ano –de 4,5%, com 1,5 ponto percentual de tolerância para cima (6%) ou para baixo (3%).

Além disso, as projeções dos economistas para o crescimento do PIB caíram no último mês, de 1,94% para 1,53%. O governo também reduziu sua estimativa de 2,5% para 1,6%. Em maio, serviços, comércio e indústria recuaram devido à paralisação dos caminhoneiros.

Temos atividade fraca, inflação estável no cenário corrente e expectativas ancoradas. Isso respalda a decisão do Copom de manter a taxa em 6,5% ao ano, considerada estimulativa. A economia ainda tem necessidade de 1 juro real em patamar abaixo do neutro”, afirmou Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.

Para o economista, o IPCA acumulado, que até maio estava abaixo de 3%, mudou de patamar. Ele acredita, entretanto, que não há risco de aumento persistente nos preços ao longo do ano.

Já André Perfeito, economista-chefe da Spinelli, afirma que a pressão sobre os preços não é resultado apenas da greve dos caminhoneiros. “É possível ver isso nos preços administrados, como energia elétrica e combustíveis, que vêm passando por 1 forte processo de alta. O efeito inflacionário deve ser mais persistente do que o que está sendo especulado.”

Ainda assim, o economista trabalha com a perspectiva de manutenção da Selic na reunião desta semana.

Eleições e juros

Para o final do ano, os economistas consultados pelo Focus mantêm a projeção de 6,5%. Parte dos especialistas, entretanto, já defende que o BC pode reiniciar o movimento de alta dos juros ainda em 2018. Para eles, o processo eleitoral é o principal fator que pode alterar a condução da política monetária.

“Se o resultado das eleições presidenciais for diferente do que o mercado espera, podemos ter 1 efeito muito radical sobre a taxa de câmbio. Esse ambiente mais hostil poderia levar o Banco Central a antecipar o início da normalização da política monetária”, explicou Rosa.

Para Perfeito, o mercado financeiro está relativamente confiante na vitória de 1 candidato que dará continuidade à agenda de reformas econômicas. Ele destaca, entretanto, que é preciso levar em conta que o cenário eleitoral permanece indefinido. “Dada a desaceleração da economia, candidatos de esquerda e centro-esquerda ganham espaço. Ainda há muita incerteza.”

O Copom

O comitê iniciou suas atividades 1996 e é composto pelos membros da diretoria colegiada do BC. O objetivo principal do grupo é estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela vigora por todo o período entre reuniões ordinárias do colegiado.

A reunião tem duração de 2 dias. No 1º, é apresentada uma análise da conjuntura doméstica. No 2º, são apresentadas alternativas para a taxa de juros de curto prazo e feitas recomendações acerca da política monetária. Após as ponderações de todos os membros, o comitê inicia a votação das propostas para a Selic.

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