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Brasileiro corta iogurte e fralda descartável da lista de compras

Logotipo do(a) VEJA.com VEJA.com 13/07/2017 Thaís Augusto
Pesquisa da Kantar Worldpanel, que monitorou 11.300 lares no país e mostrou a nova composição do carrinho de compras dos brasileiros: Compras em supermercado © Reinaldo Canato Compras em supermercado

A composição do carrinho de compras dos brasileiros vem se alterando. Iogurte, fralda descartável e lâmina de barbear são alguns dos itens que sofreram queda de consumo. Por outro lado, os brasileiros passaram a comprar mais chás (+74%), complemento alimentar e capuccino.

Os dados são da pesquisa da Kantar Worldpanel, que monitorou 11.300 lares no país e mostrou a nova composição do carrinho de compras dos brasileiros – levantamento mostra comportamento em geral e por faixa etária. Foram analisadas compras durante abril de 2016 e o mesmo período deste ano.

As variações dos produtos podem ser explicados pela busca pelo custo-benefício, de acordo com Christine Pereira, diretora de Business & Marketing da Kantar Worldpanel. “Com o bolso vazio, o consumidor tem que fazer cada vez mais escolhas inteligentes, tem de racionalizar cada vez mais o consumo”.

Segundo a especialista, a frase que norteia as compras dos brasileiros agora é “eu posso pagar?”.

A pesquisa mostra que o comportamento de consumo pode variar por faixa etária. “O apelo pela praticidade faz com que a a compra de linguiça e hambúrguer tenha crescido entre os consumidores até 29 anos”, cita Christiane.

Para o coordenador da Provar/FIA (Fundação Instituto de Administração), Claudio Felisoni, as informações da pesquisa oferecem uma fotografia ‘limitada’ ao deixar de lado dados sobre a renda dos consumidores. “O que nós sabemos por outros trabalhos é que ao longo dos anos de 2004 até 2012 houve uma mudança na valorização de itens que não faziam parte da cesta das pessoas. Água de coco, capuccino e complementos alimentares são itens que passam a compor a cesta de produtos das pessoas médias. Quando a crise se instala, a partir de 2014, muda essa condição”.

Felisoni ainda afirmou que a crise econômica foi a responsável para a queda no consumo de produtos como fraldas descartáveis, pães caseiros e leites. “É de se esperar que o consumo no Brasil cresça, vimos o que aconteceu quando o cenário foi positivo. A distribuição de renda cresceu no período do Plano Real e no primeiro mandato do Lula, por exemplo. Essas mudanças, independentemente de partido político, fez com que o consumo crescesse celeremente. Eu acredito que nós temos um problema conjuntural ditado pelas condições políticas desfavoráveis”.

O caminho para a sustentação do consumo, segundo o coordenador, é a criação de empregos. “A reforma trabalhista é um passo, uma mudança importante, mas não vai mudar substancialmente. É importante porque dá mais flexibilidade para as contratações, mas não é imediato e não é uma solução”.

Para Christiane, os resultados da pesquisa demonstram um amadurecimento das famílias brasileiras, que estão dando mais valor para o próprio bolso. “A compra é mais consciente, cada vez mais o brasileiro busca promoções. É uma maneira de continuar adquirindo em algumas categorias.”


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