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Salões de beleza se preparam para reabertura em meio à pandemia de COVID-19

Logotipo do(a) EM.com.br EM.com.br 6 dias atrás Ana Mendonça*

Empresária Oriadina Panicali, dona do Studio Up, localizado no Buritis, Zona Oeste de Belo Horizonte © Juarez Rodrigues/EM/D.A PRESS Empresária Oriadina Panicali, dona do Studio Up, localizado no Buritis, Zona Oeste de Belo Horizonte Com a notícia da reabertura gradual do comércio em Belo Horizonte, divulgada nesta sexta-feira (22)os salões de beleza se preparam para atender aos clientes seguindo todas as orientações impostas pela prefeitura. Em meio aos preparativos, a criatividade de funcionários e empresários é o que mantém a renda fixa dos profissionais da beleza. Em conversa com o Estado de Minas, esses trabalhadores compartilharam como tem sido a rotina e a organização desses espaços.   De acordo com a empresária Oriadina Panicali, dona do Studio Up, localizado no Buritis, Zona Oeste de Belo Horizonte, a grande dificuldade na reorganização tem sido conseguir os materiais necessários para seguir as regras impostas. “Estou com dificuldade de achar as máscaras profissionais e o termômetro. Quando acho, o preço é exorbitante. Acredito que o governo precisa se juntar aos empresários e à população para garantir a possibilidade de trabalhar com segurança”, diz.

Ela conta que antes da pandemia comprava máscaras profissionais feitas de TNT em grande quantidade. Isso porque o material já era usado dentro do salão como medida de segurança e higiene. Apesar disso, agora os preços do material aumentaram. Segundo a empresária uma caixa com 50 máscaras chegava a custar R$ 18; agora, durante a pandemia, a unidade de máscara varia entre R$ 15 e R$ 20. 

Há cerca de 15 dias, Oriadina vem reunindo seus funcionários para garantir o treinamento necessário para a reabertura do salão. A empresária afirma que se sente na obrigação de cumprir todas as regras para priorizar a saúde de clientes e funcionários.  Em coletiva de imprensa feita nesta sexta-feira (22) o secretário municipal da Saúde Jackson Machado afirmou que "Salões de beleza, manicure, pedicure somente poderão funcionar com horário marcado, sem espera e com intervalo de no mínimo 30 minutos após a finalização do cliente anterior.”  Por isso, Oriadina vai modificar todo o layot do salão. Para a reestruturação serão feitas duas salas, uma para manicure e outra para cabelo. A ideia é que as clientes, que agora serão marcadas por horário exclusivo, nunca se encontrem dentro do salão.

Outra medida é a higienização de todos os materiais e móveis dentro do espaço. Além da desinfecção, serão instalados álcool em gel e entregues máscaras para todos os clientes. 

“As pessoas vão ter dúvidas. Eu sei que estamos todos com medo. Acredito que a reabertura vai ser gradual, nada vai acontecer imediatamente. Vivemos em outra realidade. Precisamos de algo que nos ensine e estruture nossa população a consumir conscientemente”, afirma.  A empresária Vera Mascarenhas, dona do Salão Spazio Vera Mascarenhas, também no Buritis, vem se organizando para reabrir o negócio. Ela conta que a ansiedade da volta tem sido motivadora para a organização de todo o espaço. “Estamos comprando álcool em gel para profissionais e clientes, fazendo a higienização de cadeiras e materiais e pretendemos fazer isso a cada troca de clientes. Além de comprar aventais e máscaras”, afirma.

Durante a quarentena, para manter os negócios, a empresária optou pela venda de vouchers. O serviço varia de R$ 80 até R$ 240 e será utilizado pelas clientes depois que a reabertura for uma realidade. Cobrindo serviços como mechas, tratamento, finalização, retoque na área de crescimento, nutrição, escova, pé e mão, essa foi a forma que Vera encontrou para manter a receita. Os salões de beleza fazem parte do primeiro grupo que foi liberado pela Prefeitura de Belo Horizonte. Já a partir desta segunda-feira, voltarão ao funcionamento salões de beleza (exceto clínicas de estética), shoppings populares e comércios varejistas, com horários estabelecidos previamente com o objetivo de diminuir aglomerações no transporte público. 

Atendimento em casa

A cabeleireira Naya Faria, de 31 anos, optou por fazer atendimentos à domicílio durante a quarentena. Seguindo todas as medidas de segurança, ela que foi impedida de trabalhar no salão e acabou tendo a renda comprometida. “Atender em casa foi a melhor solução. Apesar disso, tive que abaixar o valor do meu trabalho, mas trouxe comodidade, o que acabou dando um retorno legal”.

Naya é profissional do estúdio YOLO, localizado no bairro São Bento, Zona Norte da capital. Ela conta que tem recebido diversas capacitações e recomendações para que, ela possa atender os clientes com responsabilidade. Segundo Naya, vários kits para clientes estão sendo vendidos e serão usados quando o salão reabrir. Além disto, a compra de materiais de segurança como luvas, máscaras, aventais, termômetro e álcool em gel estão sendo feitas.

Criatividade e tecnologia

Pondo a criatividade em prática, a maquiadora Ana Luiza Alves resolveu divulgar seu trabalho e manter a renda de forma inusitada na quarentena. A jovem, de 20 anos, começou um canal no Youtube e vem publicando dicas de maquiagem para seus seguidores. 

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Uma publicação compartilhada por ANA ZENHA - BH/MG (@anazenhamk) em 19 de Mai, 2020 às 1:53 PDT

Ela conta que, apesar de estar com o negocio parado, conseguiu no entretenimento continuar trabalhando: “Fomos incapacitados de trabalhar, o que de certa forma foi um baque. Recebo muitas mensagens das minhas clientes, falando que sentem saudade de se produzir e maquiar. Foi aí que tive a ideia de levar meu conhecimento para a casa dessas pessoas e o canal do Youtube foi a forma mais legal que eu consegui encontrar”.  

Além de dar dicas via Youtube, a maquiadora também está postando diversos vídeos no Instagram. As dicas variam entre tutorias de maquiagem até vídeos com certo tom de humor, onde a jovem ensina como por exemplo, limpar pincéis. 

Ana Luiza também viu na venda de vouchers a melhor forma de manter a renda. Estudante de publicidade e propaganda na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), ela desenvolveu tickets para os clientes consumirem após a quarentena. “Foi uma forma de continuar ganhando dinheiro e manter os clientes. E o mais legal é que de certa forma as pessoas se sentem animadas e ansiosas para a chegada da maquiagem”, afirma.  *Estagiária está sob supervisão da subeditora Kelen Cristina

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