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Junot Díaz renuncia como presidente do Pulitzer após ser acusado de agredir sexualmente uma jovem

Logotipo do(a) EL PAÍS EL PAÍS 12/05/2018 Sandro Pozzi
O escritor norte-americano de origem dominicana Junot Díaz, em 2013 em Nova York © Fornecido por El Pais Brasil O escritor norte-americano de origem dominicana Junot Díaz, em 2013 em Nova York

Um mês depois de revelar ao mundo o dano que carrega consigo por um estupro que sofreu quando era criança, o escritor norte-americano de origem dominicana Junot Díaz anuncia que deixa a presidência do Prêmio Pulitzer após ser denunciado por agredir sexualmente uma jovem. A organização abriu uma investigação independente para determinar o alcance das acusações. Díaz continuará como membro do conselho até a conclusão da mesma.

“Eu me responsabilizo pelo meu passado”, afirma o autor em um comunicado em que responde à acusação feita pela jornalista Zinzi Clemmons, de que a assediou e a beijou sem seu consentimento há seis anos quanto estudava na Universidade de Columbia. Junot Díaz, de 49 anos, é atualmente professor de escrita criativa no Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) e tem um Pulitzer por seu livro A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao.

O autor foi eleito presidente da organização em abril. Explica que renuncia porque considera que a conversa iniciada com o movimento MeToo é “importante e deve continuar”. “Essa é a razão pela qual tomei a decisão de contar a verdade sobre meu estupro e suas consequências nocivas”, explica, ao mesmo tempo em que se declara disposto a colaborar com a investigação. “Escuto e aprendo com as histórias das mulheres nesse movimento cultural essencial e tão esperado”, acrescenta.

Clemmons perguntou a Díaz em um simpósio em Sidney (Austrália) sobre o artigo que ele escreveu na revista The New Yorker contando o trauma que lhe causou ter sido estuprado aos oito anos e nesse momento o questionou diante do público por que ele a tratou tão mal quando era estudante. A jovem jornalista foi depois às redes sociais para afirmar que estava longe de “ser a única” mulher que sofreu uma agressão sexual por parte do escritor. De fato, outras autoras questionaram sua conduta agressiva e seus comentários misóginos depois.

Junot Díaz, que dessa forma entra na lista crescente de autores acusados de abuso e agressão sexual durante os últimos meses, se limita a dizer no comunicado de renúncia que é fundamental ensinar “a todos os homens sobre o consentimento e os limites”. Eugenne Robinson, colunista do The Washington Post, assume temporariamente a presidência do Pulitzer.

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