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O cinema brasileiro protesta na Berlinale “contra o Governo ilegítimo”

Logotipo do(a) EL PAÍS EL PAÍS 17/02/2017 Gregorio Belinchón
A partir da esquerda, os atores Julio Machado, Isabel Zuaa e Welket Bungue, com o diretor Marcelo Gomes (no centro), na estreia de gala de 'Joaquim' na Berlinale. © Guillaume Horcajuelo A partir da esquerda, os atores Julio Machado, Isabel Zuaa e Welket Bungue, com o diretor Marcelo Gomes (no centro), na estreia de gala de 'Joaquim' na Berlinale.

Há quase um ano os principais representantes do cinema brasileiro aproveitam qualquer evento internacional para protestar contra a situação política de seu país. Desta vez foi na Berlinale, e os indignados, a equipe técnica e artística de Joaquim. "O Brasil está vivendo uma grave crise democrática", declarou Marcelo Gomes, na coletiva de imprensa. Além de apresentar seu filme, deixou na capital alemã um manifesto assinado por doze cineastas compatriotas alertando para essa situação e seus efeitos sobre o setor. Em seu país se instalou “há quase um ano um Governo ilegítimo”, argumenta o texto, que apela à solidariedade da comunidade internacional ante essa situação.

Gomes enfatizou que a história contada na tela, a de Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, um dos heróis da independência brasileira, traça as raízes dos desequilíbrios de seu país na atualidade, “os males do presente”. “As estruturas de poder do Brasil colonizado se mantêm no Brasil atual”, afirmou. “A exploração e a crueldade do homem branco sobre o negro, a exploração da riqueza que foi praticada no século XVIII se enraizou nesta sociedade e se perpetua agora em forma de corrupção.”

O diretor ressaltou: “Tiradentes ainda é visto como um Deus, mas na luta da época não havia deuses nem heróis. Ele tampouco pretendeu ser um deus”. Joaquim está centrado nos anos em que Tiradentes não passava de um alferes no Exército português no Brasil: não ascendia porque não tinha nascido na metrópole. E nessa época de penúria (1781-1787), o dentista, soldado e mineiro foi mudando até acender nele o espírito revolucionário.

Em maio, em Cannes, a equipe de Aquarius, encabeçada por seu diretor, Kleber Mendonça Filho, mostrou cartazes no tapete vermelho contra “o golpe de Estado no Brasil” e qualificando o Governo de Michel Temer de “ilegal”. Em dezembro, na Cidade do México, durante a premiação Fênix, Kleber Mendonça Filho, que acabou não sendo indicado pelo Governo brasileiro para a corrida do Oscar, voltou a falar na “triste” situação vivida em seu país, e desta vez foi acompanhado em seus comentários por Wagner Moura, o protagonista de Narcos.

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