Você está usando um navegador antigo. Por favor, utilize versão suportada para ter acesso às melhores funções do MSN.

Copa do Mundo: Como Salah virou arma para limpar a barra de político sanguinário

Logotipo do(a) ESPNESPN 13/06/2018 ESPN.com.br
Mohamed Salah (esq) posa ao lado de Ramzan Kadyrov na cidade de Grozny © Getty Images Mohamed Salah (esq) posa ao lado de Ramzan Kadyrov na cidade de Grozny

A seleção do Egito viveu dias agitados na Rússia antes do início da Copa do Mundo de 2018.

Nesta semana, o diretor-executivo da equipe, Eihab Leheita, se recusou a fazer comentários depois que fotos do maior astro do time, o atacante Mohamed Salah, ao lado do líder da Chechênia (região separatista da Rússia), Ramzan Kadyrov, causaram revolta nas redes sociais.

Salah foi fotografado no último final de semana apertando as mãos de Kadyrov em Grozny, onde os egípcios estão treinando antes da estreia no Mundial, contra o Uruguai, pela 1ª rodada do grupo A, na sexta-feira.

O episódio imediatamente causou rebuliço na web, já que Kadyrov, ex-líder de uma milícia islâmica, enfrenta inúmeras acusações de violações de direitos humanos.

O uso de Salah, que é muçulmano como a maioria dos habitantes da Chechênia, foi vista por muitos como uma tentativa de "limpar a barra" do político e alavancar sua moral.

Quando questionado sobre o tema, Leheita disse que não tinha "qualquer tipo de arrependimento" ao ter escolhido Grozny como sede do Egito, e nem de ter liberado a presença de Kadyrov para tirar fotos com Salah.

No entanto, o diretor proibiu todos os jogadores de fazerem qualquer comentário sobre o tema e também não quis se pronunciar.

"Peçam à Fifa para comentar", limitou-se a dizer.

Desde então, a Fifa não fez qualquer comentários, assim como a Federação Egípcia de Futebol.

Kadyrov, que usa a barba frequentemente utilizada pelos muçulmanos ultraconservadores da Chechênia, conhecidos como Salafis, fortaleceu as leis islâmicas na região separatista desde que assumiu o controle do local, em 2007.

Nesses 14 anos à frente do Governo regional, ele por diversas vezes usou as forças de segurança para desmembrar e enfraquecer seus opositores e também acabar com protestos contra ele.

Além disso, seu "reinado" é marcado por centenas de denúncias de matanças e torturas na Chechênia, que viveu duas violentas guerras separatistas nos anos 90.

O Governo do Egito, por sua vez, tem tolerância zero com o uso político do islã, e vem há anos lutando para combater insurgentes liderados pela militância islâmica.

Por isso, a Fifa foi muito questionada em fevereiro deste ano quando aprovou que Grozny, a capital chechena, fosse mesmo a base de treinamentos do Egito na Copa do Mundo.

A cidade foi selecionada pelos "Faraós" dentro de uma lista de 67 opções apresentadas aos 32 classificados para o Mundial. Quando a escolha foi comunicada, a entidade suíça disse que ainda iria avaliar se era mesmo viável um time ficar na região.

Depois que isso foi aprovado, entidades de proteção aos direitos humanos reclamaram.

"A decisão da Fifa de permitir que Grozny fosse usada como base na Copa do Mundo foi chocante e revoltante", disparou a diretor da ONG Human Rights Watch, Jane Buchanan.

"A Fifa deveria ter revisto essa decisão imediatamente e mudado o campo de treinamento para qualquer outra cidade", complementou.

Em 2018, o Egito volta a disputar uma Copa após 28 anos de ausência.

Salah, de 25 anos, não joga desde que machucou o ombro esquerdo na final da última Champions League, na qual seu Liverpool foi derrotado pelo Real Madrid, no fim de maio.

Ele ainda é considerado dúvida para a estreia contra o Uruguai.

"Há a possibilidade dele começar no banco e entrar, mas a decisão final ainda não foi tomada", explicou o médico da seleção Egípcia, Mohamed Abouelela, na última segunda-feira.

Na última quarta, porém, o jogador quarta-feira participou de seu primeiro treino coletivo desde a lesão na final da Liga dos Campeões, dando sinais e esperança aos torcedores de que será titular contra os sul-americanos.

"Ele está fazendo sessões de fisioterapia e trabalhando duro. Vamos torcer para ele estar junto conosco na partida contra o Uruguai", torceu Leheita.

"Ele está melhorando gradualmente. No entanto, ainda não é possível confirmar nada. Tudo o que posso dizer é que torço para que ele jogue", salientou.

O diretor-executivo do Egito ainda revelou que o Liverpool enviou um fisioterapeuta à Rússia para acompanhar Salah.

No entanto, Leheita garantiu que o profissional mandado pelos ingleses veio apenas ajudar, e não para fazer qualquer tipo de controle sobre o tratamento dado ao superstar.

"Não vamos fazer qualquer tipo de pressão sobre Mohamed. Ele é nosso filho e será tratado com carinho", finalizou.

Repetir vídeo

Mais de ESPN

image beaconimage beaconimage beacon