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Espanha: as mais dramáticas e destrutivas 24h da história do futebol do país

Logotipo do(a) ESPNESPN 14/06/2018 Dermot Corrigan e Manu Martín

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As mais dramáticas e potencialmente destrutivas 24h da história do futebol espanhol deixaram a equipe nacional agonizando perto da estreia da Copa do Mundo contra Portugal, na sexta-feira.

Real Madrid confirmou na terça que Julen Lopetegui seria seu novo técnico depois de comandar a Espanha no Mundial da Rússia. Foi um anúncio chocante, que pegou quase todos de surpresa.

No mesmo dia, veio o caos, e uma cadeia de eventos explodiu o futebol espanhol e enviou ondas de choque ao redor do mundo na véspera do torneio.

Fontes disseram ao ESPN FC que Lopetegui ligou para o presidente da RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol), Luis Rubiales, para anunciar que se tornaria o próximo técnico do Real Madrid. Os dois se reuniram por 30 minutos, logo as tensões se intensificaram, e o dirigente desligou o telefone.

Rubiales, então, ligou de volta, mas Lopetegui não respondeu ao telefone. O dirigente mudou seus planos. Ele estaria no Congresso da Fifa que escolheu Canadá, EUA e México como sedes da Copa de 2026, realizado nesta quarta, em Moscou. Mas o ato do então técnico da seleção o fez voar para Krasnodar, base de treinamento da Espanha na Rússia.

O ESPN FC apurou que a manhã desta quarta foi tomada por reuniões entre jogadores, dirigentes com atletas e também outros integrantes da comissão técnica. Os jogadores, por meio do capitão Sergio Ramos, tentaram convencer Rubiales a não demitir Lopetegui. O discurso, de acordo com fontes ouvidas pelo ESPN FC, foi no caminho de a seleção não é um clube, é um time nacional e somos jogadores da seleção". Alguns dos convocados acreditavam que Rubiales estava agindo como dirigente de um clube, e não da Espanha.

No meio disso, veio o choque. Na coletiva de imprensa, Rubiales anunciou a demissão de Lopetegui. Pouco depois, Fernando Hierro, ex-jogador do Real Madrid e zagueiro da seleção, seria confirmado como substituto.

"A Federação não pode ficar fora da negociação de um de seus funcionários e descobrir apenas 5 minutos antes de um anúncio público", disse Rubiales. "Se alguém quiser falar com um dos nossos funcionários têm que falar conosco também. Isso é básico, já que esta é a equipe de todos os espanhóis. A equipe nacional é o mais importante, a Copa do Mundo é maior do que todos."

Foi um terremoto a apenas dois dias da estreia no grupo B contra Portugal, em Sochi. Ninguém sai dessa bagunça com boa aparência, e a Espanha, que estava entre as favoritas ao título, agora tem que lidar com algo que jamais imaginara que poderia acontecer.

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Há alguns dias, Lopetegui foi amplamente visto interna e externamente como o técnico perfeito para a Espanha no torneio, tendo assumido um time que precisava de renovação. Após os fracassos na Copa do Mundo de 2014, quando o campeão do mundo se viu humilhado e eliminado na fase de grupos, e a decepcionante derrota para a Itália na Eurocopa de 2016, Lopetegui chegou e comandou o time invicto nas eliminatórias para 2018, com 9 vitórias e 1 empate em 10 jogos.

Em 20 jogos, o retrospecto de Lopetegui à frente da Fúria foi de 14 vitórias e 6 empates, com 61 gols marcados e 13 sofridos, a melhor campanha entre as 32 seleções da Copa nos últimos dois anos. Há três semanas, ele havia assinado a extensão de seu contrato com a RFEF.

Os debates entre torcedores e especialistas antes da estreia de sexta-feira contra Portugal eram bastante modestos. Quem começaria na frente, Iago Aspas ou Diego Costa? Dani Carvajal estaria recuperado de lesão e pronto para ser titular na lateral-direita? Subitamente, a cabeça de todos explodiu.

Hierro foi confirmado como técnico antes da estreia em Portugal. Depois, comandará o time contra o Irã, dia 20, e diante de Marrocos, dia 25 de junho.

Ele tem experiência e é adorado dentro da RFEF. Foi diretor durante a "Era de Ouro", com os títulos da Copa do Mundo-2010 e das Eurocopas-2008 e 2012. Ele tem personalidade para lidar da melhor forma possível com todos os problemas agora levantados.

Fontes disseram ao ESPN FC que o caos ampliou a união entre os jogadores, e nenhuma facção de Real Madrid de um lado ou Barcelona de outro foi inflamada. O bom relacionamento entre Sergio Ramos e Gerard Piqué, os dois grandes líderes da seleção, é a chave para que o elenco não desmorone em meio ao turbilhão.

Todos os olhares estarão agora focados na estreia para ver como a equipe reage, mas as últimas 48h foram um desastre total para a seleção espanhola (24h entre o anúncio do Real contratando Lopetegui e a demissão do técnico do comando da seleção). A bagunça total lançou uma enorme dúvida sobre as expectativas de título da Espanha ou, pelo menos, que a seleção não repita 2014 e alcance o mata-mata.

Por falar em 2014, apuração do ESPN FC indica que fontes ligadas à seleção classificam o episódio de Lopetegui como um desastre mais vexatório do que eliminação da fase de grupos na Copa no Brasil, considerada até hoje como uma "ridicularização histórica".

O tempo dirá se Rubiales tinha razão. A começar por sexta-feira.

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