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Como a Red Canids de 'Heroes of the Storm' segue pelos mesmos caminhos da equipe de 'LoL'

Logotipo do(a) ESPN ESPN 4 dias atrás Bhernardo Viana*/Colaboração para o ESPN eSports
Equipe de HoTS da Red Canids © Red Canids Equipe de HoTS da Red Canids

A Red Canids entrou de vez para a elite dos Esports no Brasil em 2017. A contratação de Felipe "brTT" Gonçalves em seu time de League of Legends e alguns ajustes na composição do time fizeram com que a Matilha fosse campeã da primeira etapa do CBLoL 2017 e conseguisse uma vaga para o Mid-Season Invitational, que foi jogado há pouco mais de um mês aqui no Brasil.

Ao mesmo tempo, de fininho, o time anunciou sua primeira equipe para o MOBA da Blizzard, Heroes of the Storm. Juntaram jogadores várias vezes campeões nacionais como Matheus "Typhex" Santos, Juan "Jschritte" Passos e Rodrigo "Vieira" Lopes com as revelações Diego "haMtarO" Victoriano e Luiz "Lethocerus" Martinez para disputar os campeonatos seguintes.

Logo na estreia da organização, seu time foi campeão da HGC Copa América de Abertura 2017, realizada em maio deste ano, com poucas dificuldades. Por terem se tornado os campeões latino-americanos, a Matilha do Heroes garantiu sua vaga no Mid-Season Brawl, um campeonato mundial de meio de temporada que começou em junho - muito parecido com o MSI de LoL. Esta é sua primeira edição, que está acontecendo na cidade sueca de Ionecopinga (Jönköping, em sueco) e acaba hoje.

Dos dois lados da Red Canids, jogadores competentes e acostumados com seus respectivos cenários que tiveram a chance de disputar um troféu com a elite global de seus jogos. Apesar de atuarem em esportes eletrônicos diferentes, o que as duas equipes tiveram em comum e diferente quando foram jogar os mundiais de meio de temporada?

Eliminação precoce e expectativas

A matilha foi para o MSI de League of Legends com a confiança em alta mas, mesmo com o apoio da torcida brasileira, não passou da fase de entrada do evento e terminou suas séries em 4-2 com derrotas para a Dire Wolves, da Oceania, e para a SuperMassive, da Turquia.

No Mid-Season Brawl de Heroes, o clima era um pouco diferente. Apesar das ambições serem menores, Typhex comentou que não estava criando muitas expectativas por achar que o time já não estava jogando bem desde a Copa América. Com dois jogadores sem experiência internacional e apenas dois meses de treino em equipe, contando com a Copa América, não se sabia até que ponto a Red Canids realmente chegaria. Apesar do histórico mostrar um padrão de derrota dos brasileiros - eles nunca passaram da fase de grupos de torneios internacionais - ainda era cedo para assumir resultados.

Typhex disse que "Top 8 seria satisfatório". Pelo formato do MSB, com dois grupos de seis times cada, quatro se classificaram de cada lado para o mata-mata - e assim, o Top 8. Mesmo disputando contra potências como os europeus da Dignitas e os sul-coreanos da L5, atuais campeões mundiais, ainda havia a chance de conseguir pontos na série melhor de dois contra os taiwaneses da Soul Torturers.

Todas as possibilidades foram frustradas, e o time ficou longe dos oito melhores. A Red Canids perdeu todos os mapas que disputou e terminou o grupo sem pontos e 0-10 em mapas, o pior desempenho do torneio inteiro. O campeonato vai para a fase de eliminação sem os brasileiros, que terminaram em 12º.

Picks confortáveis

Os jogadores da Red conseguiram garantir alguns picks com os quais já estavam acostumados nas partidas que ganhou no MSI de LoL. Vimos Hugo "Dioud" Padioleau usando seu Thresh, brTT com Twitch e até a Cassiopeia de Felipe "YoDa" Noronha na última partida. Apesar dessas escolhas não terem garantido a classificação, elas tiveram um papel importante nas vitórias.

A Matilha de Heroes fez o mesmo. Vimos o Greymane de Jschritte várias vezes, o Malfurion em Vieira na maioria das partidas e o Tyrael rodando tanto nas mãos de Typhex quanto de Hamtaro. Nesse caso, mesmo recorrendo aos seus melhores heróis, o máximo que a equipe conseguiu foi recuperar desvantagens.

Diferenças: Consistência nas partidas

Apesar de terem sido derrotados no MSI, a equipe de League of Legends teve poucos jogos mais prolongados ou com grandes viradas. Na maioria das vezes, a Matilha ou dominou completamente seus oponentes ou ficou acuada vendo o atropelo acontecer, então quase não houve meio termo.

De forma muito diferente, os jogos mais marcantes da Red Canids foram os que eles bateram na trave. Contra a L5, a série que deveria ser a mais difícil do grupo, a equipe conseguiu reverter uma desvantagem enorme no meio de jogo na Tumba da Aranha Rainha para conseguir um avanço com chefe e objetivo que poderia garantir a vitória ao final. Typhex, flex da Red, me explicou: "Meu plano no draft era ter uma composição capaz de ganhar teamfights e dar pickoffs para criar momentum para o time, mas esse tipo de composição vem com o preço de você não ter tanto clearwave e tantas formas de trabalhar com o objetivo do mapa".

No entanto, quando finalmente dominaram os objetivos e tinham grandes chances de abrir uma vantagem pela rota do topo, eles perderam a luta e o jogo na sequência. "Depois disso era só tentar pegar uma luta para minimizar as perdas, mas foi um desastre", comentou.

Contra a Soul Torturers, de Taiwan, a Red Canids conseguiu dominar todo o jogo na Clareira Maldita e, novamente, não soube terminá-lo. Em lutas confusas ao tomarem pressão dos oponentes, o time caiu e perdeu a partida.

Tempo de treino em equipe

Desde o anúncio das escalações oficiais da primeira etapa do CBLoL 2017 (em 9 de dezembro de 2016) até a primeira partida da Red Canids no MSI (28 de abril de 2017), os jogadores puderam dividir espaço na equipe por 140 dias corridos. Esta primeira etapa do campeonato brasileiro durou pouco mais de dois meses, e todo fim de semana - exceto a pausa até as finais - eles jogaram duas partidas.

A equipe de Heroes of the Storm foi anunciada em 15 de abril, e a primeira partida deles no Mid-Season Brawl aconteceu em 10 de junho - um total de 56 dias, dois quintos do tempo que a equipe de LoL teve. A HGC Copa América durou aproximadamente um mês, sendo que a Red só jogou suas séries em três fins de semana.

O jogador Typhex, de Heroes, comentou em seu Twitter que achou esse tempo pouco para conseguir bater de frente com times internacionais.

Estrutura

No League of Legends, assim como os demais times do cenário, a Matilha teve à disposição uma comissão técnica e gaming house para treinar durante o CBLoL e antes do MSI. Há a participação de mais pessoas em cada partida além dos jogadores.

Em Heroes, não há comissão técnica e, na verdade, poucos times sequer têm um coach. O mesmo vale para a Red Canids que, nesse tempo, também não teve gaming house para se preparar. Em uma conversa comigo, Typhex contou que "Cada um vive em sua casa. Teve só um bootcamp em São Paulo. Ia rolar um aqui na Suécia mas não deu tempo porque dois jogadores ainda não tinham o passaporte".

Na avaliação geral de Typhex sobre o MSB, ele disse que o ponto forte de sua equipe "é saber ver e aproveitar as brechas que o oponente deixa quando está ganhando", mas diz que ainda falham muito na execução. Na sua visão, "não é pouca coisa" que precisa ser mudada. "Faltou um pouco de conhecimento individual algumas vezes para alguns players, [faltou] calma, e rolaram vários problemas de comunicação. E eu estou sendo razoável."

Ao término de nossa conversa, Typhex revelou que a parceria de seu time com a Red Canids vai continuar para a próxima etapa da HGC Copa América, que ainda não tem data para começar. "Ainda estamos analisando se vamos fazer mudanças na equipe", concluiu.

A Red Canids, apesar de ter tido atuações fracas no cenário global tanto em League of Legends quanto em Heroes of the Storm, ainda é dominante no Brasil. Isso é uma amostra de que ainda há muito a trabalhar por aqui antes de termos a ambição, com realismo, de disputar um torneio internacional de igual para igual com as grandes regiões. Isso é um processo e leva tempo, mas sabemos que não é impossível.

*Bhernardo Viana é jornalista e tradutor. Começou a falar de games pelos indies e jogos estranhos, mas hoje busca assistir um pouco de tudo que é Esport. Você pode seguí-lo no em seu Facebook ou em @BhernardoViana

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