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Sem Nutella: Givanildo é o técnico mais raiz do Brasil

Logotipo do(a) ESPN ESPN 17/02/2017 Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br
Givanildo Oliveira foi anunciado como novo treinador do Ceará © Gazeta Press Givanildo Oliveira foi anunciado como novo treinador do Ceará

Na comparação que tomou conta das redes sociais nos últimos dias, Givanildo Oliveira passa longe de ser um personagem 'Nutella'. No auge dos seus 68 anos, o novo técnico do Ceará, sem sombra de dúvida, é o nordestino mais vencedor do futebol brasileiro, mantendo sempre a 'raiz' que o fez ser conhecido como o "rei do acesso".

Givanildo, dizem os mais próximos, sempre foi um cara introvertido. Era assim quando chegou garoto ao Santa Cruz, na década de 1960, para se tornar pentacampeão pernambucano entre 1969 e 1973. Foi assim no Corinthians, quando desembarcou em 1976, conquistando o histórico título paulista de 1977. Foi assim no Sport tricampeão entre 1980 e 1982. Foram 12 títulos estaduais em 13 anos - em 1980, foi campeão carioca com o Fluminense, além do troféu levantado no rubro-negro pernambucano. Tudo isso porque, dentro de campo, a timidez dava lugar a um jogador viril, técnico e de liderança incontestável.

O velho Giva também vestiu a camisa da seleção brasileira, participou do Torneio Bicentenário, em 1976, e fez parte do time que disputou as eliminatórias para a Copa de 1978. Atuou ao lado de craques como Leão, Falcão, Rivellino, Zico e Roberto Dinamite. Talvez sua timidez tenha lhe impedido de ser um atleta mais reconhecido no país, assim como aconteceu com Rivaldo, craque também revelado nas Repúblicas Independentes do Arruda.

A personalidade do Givanildo 'raiz' foi fundamental para seu sucesso como técnico. Entre o primeiro título, um estadual paraense com o Paysandu, em 1987, e sua última conquista, ano passado, com o América campeão mineiro, são 19 troféus - se contabilizarmos os seis acessos (cinco à Série A e um para a Série B do Campeonato Brasileiro), o currículo do pernambucano de Olinda engorda ainda mais. Em trinta anos de carreira à beira do gramado, sempre manteve o estilo carrancudo, pragmático e, por muitas vezes, rude. Uma sisudez que evidencia uma vida marcada por superação, e que parece muito mais uma autodefesa adquirida desde os tempos de médio-volante.

O novo técnico do Ceará não usa os conceitos modernos do futebol em seus discursos, mas os aplica em seus times: compactação, transições rápidas, triangulações pelas laterais e por dentro, além do seu famoso jogo reativo, buscando contra-ataques e explorando os espaços vazios deixados pelos adversários. Não é fã de pranchetas eletrônicas e softwares de scouts, mas conta com auxiliares que se encarregam de tomar conta da parte 'Nutella' do jogo. Prefere simplificar as palavras a complicá-las.

Givanildo parte para treinar seu 23º time diferente. Já comandou Fortaleza, as duplas Ba-Vi e Re-Pa, além do 'trio de ferro' pernambucano. Tem muita casca para começar um novo desafio.

Definitivamente, o velho Giva é o maior vencedor do futebol do Nordeste.

O técnico mais 'raiz' do futebol brasileiro merece o seu devido reconhecimento.

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