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Técnico de ginástica vê acusações de abuso sexual como 'vingança'

Logotipo do(a) LANCE! LANCE! 16/05/2018 LANCE!
(Foto: Divulgação/CBG) © Fornecido por Areté Editorial S/A (Foto: Divulgação/CBG)

Acusado por mais de 40 atletas ou ex-atletas de ter praticado abusos sexuais entre 1999 e 2016, o ex-técnico da Seleção Brasileira de ginástica artística, Fernando de Carvalho Lopes, disse nesta quarta-feira durante a CPI dos Maus-Tratos do Senado que acredita em vingança por parte dos que fizeram as denúncias, devido ao seu jeito rígido. Ele reafirmou que é inocente.

Os relatos dos ginastas foram apresentados ao denunciado pelo senador Magno Malta (PR-ES), presidente da Comissão. Fernando negou cada relato de que teria assediado seus comandados ou feito filmagens dos ginastas nus.

– Eu trabalho há 20 anos, não há 20 meses, nem há 20 dias. A partir do momento em que uma acusação dessas é feita em meu nome, eu entendo que é uma denúncia muito grave e difícil de lidar. Sou pai e sou o primeiro a falar que sou contra (assédio) e correria atrás dos direitos pelos meus filhos. Mas o volume que foi colocado sobre mim, a forma que foi feita, eu não penso outra coisa a não ser vingança – disse Fernando.

Alguns dos relatos ouvidos, entre eles de Petrix Barbosa, ouro no Pan de Guadalajara-2011, afirmou que Fernando pedia para observar o órgão genital dos atletas para determinar o tipo de treino que deveria ser dado. Questionado se acredita que esse procedimento é necessário, o treinador também negou.

O técnico lembrou que, além de ser conhecido pelo estilo explosivo nos treinamentos, já cortou bolsas e demitiu auxiliares no decorrer da carreira. Ele trabalhou durante 20 anos no clube Mesc, de São Bernardo do Campo (SP), onde teriam acontecido os abusos, de acordo com as supostas vítimas.

– Nunca fui um técnico manso, pelo contrário. Muitas crianças treinavam comigo chorando por causa da rigidez, mesmo depois de competições. Criei inimigos, cortei bolsa de atleta, cortei salários de atletas, salários de auxiliares e prejudiquei quem não seguia a minha linha de trabalho. Criei desavenças – disse.

Sobre o possível movimento de técnicos e atletas para derrubá-lo, Fernando lembrou que havia cinco nomes na disputa por três vagas de treinador na Seleção Brasileira em 2016.

– Quando tem um momento pertinente, eu sou colocado em xeque. Havia uma disputa, em que tinham cinco treinadores para três vagas, para participar dos Jogos Olímpicos. Aí surgiu. Depois, no momento em que tem uma situação do médico dos Estados Unidos, se resgata esse tipo de assunto. Vivo essa vida há dois anos. Alguém precisava cair – disse o treinador.

Fernando foi afastado da Seleção em julho de 2016, um mês depois as famílias de dois menores de idade procurarem o Ministério Público para denunciar Fernando.

Técnico acusado de abuso será investigado por desvio de verba

Mais uma investigação para o treinador Fernando de Carvalho Lopes. Além das acusações sobre abuso e assédio sexual, o Ministério Público de São Paulo apura sobre desvio de verba pública do Bolsa Atleta, pagas pela prefeitura do Estado e destinadas aos atletas treinados pelo técnico. A informação foi divulgada pelo Globo Esporte. 

Pelo menos dez atletas relataram que Lopes fazia com que os atletas assinassem recibos de até R$ 3.500, porém apenas uma parcela do valor era repassado. Uma das vítimas de abuso sexual, em depoimento ao Ministério Público, confirmou o fato. 

- Quando treinava, Fernando apresentava recibos de até R$ 3.500, mas apenas recebia parte dessa quantia. Que esse valor se referia à verba para a ginástica, que vinha da Prefeitura, mas que deveria ser distribuída para outros gastos como manutenção, aparelhos e outros. E que ele (Fernando) dizia que os treinadores não deviam receber o dinheiro diretamente da Prefeitura porque era destinado aos atletas - disse ao "Globo Esporte". 

Além do técnico, a supervisora do clube de São Bernardo, Mesc (Movimento de Expansão Social Católica), Ivonete também participava do esquema, por pelo menos três anos. 

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