Você está usando um navegador antigo. Por favor, utilize versão suportada para ter acesso às melhores funções do MSN.

Adebayo: quem é o responsável por toco absurdo que chocou a NBA em vitória do Heat sobre Celtics

Logotipo do(a) ESPN ESPN 16/09/2020 ESPN.com.br
Bam Adebayo, depois de vitória do Miami Heat sobre o Boston Celtics na NBA © Getty Bam Adebayo, depois de vitória do Miami Heat sobre o Boston Celtics na NBA

Bam Adebayo chocou o mundo da NBA na noite de terça-feira, ao garantir, com um toco extraordinário nos segundos finais de jogo, a vitória do Miami Heat, por 117 a 114, sobre o Boston Celtics no jogo 1 da final da Conferência Leste.

Além de parar Jayson Tatum em uma cravada que já parecia certa, o jogador de 23 anos ainda marcou 18 pontos, seis rebotes e nove assistências. Estatísticas que, certamente, um dos maiores ídolos da franquia, Dwyane Wade, aprovaria.

Na verdade, até um pouco mais que isso: talvez isso custe um bom dinheiro ao astro agora aposentado. É que, antes do início desta temporada, Wade mandou mensagem a Adebayo e o desafiou a quebrar seus recordes em Miami. Os dois fizeram uma aposta sobre os números que o pivô teria nesta temporada – embora eles não revelem os termos.

Jogada defensiva fantástica e decisiva do pivô de Miami © Fornecido por ESPN

Jogada defensiva fantástica e decisiva do pivô de Miami

Mas Wade não é a única grande influência de Adebayo. Se não fosse pela mãe do jovem de 2,06m a história poderia ter sido toda diferente. Marilyn Blount criou o filho sozinha em um trailer, depois de o pai, John, ter se separado da família cedo.

Ela acordava antes das 6h para preparar café para o filho. O levava a pé para a escola e seguia para o trabalho como caixa de loja. Quando Adebayo voltava para casa, o trailer, dos treinos de basquete, ela já estava dormindo novamente para recomeçar a rotina.

"Quando eu era mais novo, eu pensava 'Minha mãe trabalha, normal'. Mas quando você cresce, começa a enxergar diferente. Eu vi minha mãe sofrer, chegava em casa cansada, não queria fazer nada. Quando fiquei mais velho, comecei a pensar, minha mãe não merece isso. Todo meu esforço passou a ser para tirá-la daquele trailer.”

A mãe de Adebayo também foi lembrada por John Calipari, o técnico que fez um então postulante à NBA escolher a Universidade de Kentucky para tentar chegar à maior liga de basquete do mundo. “Eu disse para mim mesmo, ‘Temos que fazer isso funcionar porque essa mulher merece”, disse o treinador, após conhecer Marilyn Blount.

Em Kentucky, Adebayo tinha a foto do trailer onde cresceu como plano de fundo do celular. Em Miami, a imagem foi para o vestiário, e seu endereço, escrito no tênis.

Antes de partir para a bolha de Orlando, na chegada ao Heat, Adebayo passou a alugar um apartamento no 48º andar de um prédio de Miami. Sua mãe mora no quinto. Ele costumava a levar de carro para os jogos e fazia questão de incluí-la na viagem do time caso a data de seu aniversário caísse no dia de uma partida fora de casa.

Dentro de quadra também há exemplos da determinação do pivô, além da força defensiva elevada à perfeição no toco em Tatum. Quando ficou fora do Mundial de Basquete de 2019, por exemplo, cortado do time dos Estados Unidos, Adebayo desabafou: “Eles vão pagar”.

E “eles” incluía o técnico Gregg Popovich, da seleção e do San Antonio Spurs, e os jogadores – Tatum, por exemplo. “Quando os vejo, eu lembro. Eu poderia ter ajudado”, disse Adebayo, que viu o time norte-americano cair nas quartas de final, acabando no sétimo lugar.

Karl-Anthony Towns, estrela do Minnesota Timberwolves, foi outro que sentiu na pele o quão difícil é ter Adebayo motivado pela frente. Antes de um duelo em Minneapolis, o ex-auxiliar de Kentucky Kenny Payne reuniu a ex-dupla de alunos com Calipari em um jantar.

Payne sempre soube como motivar Adebayo. “Pegue leve com meu bebê, não vá constrange-lo”, disse o ex-auxiliar a Towns na mesa. O jogador dos Wolves respondeu: “Que os técnicos dele dobrem a marcação”. “Eu podia sentia a perna do Bam tremendo embaixo da mesa”, relembrou o ex-assistente de Kentucky.

Na manhã seguinte no treino do Heat, o técnico Erik Spoelstra repassou como seria a marcação em Towns, o que incluía a dobra. “Vai se f..., Spo. Não vamos dobrar”, gritou Adebayo. “Pensei, ‘Ok, então não vamos dobrar”, lembrou o treinador.

Towns acabou a partida com 13 pontos e 11 turnovers, um recorde em sua carreira. Adebayo conseguiu quatro roubadas de bola e ainda fez o rival cometer duas faltas ofensivas. “Eu levei para o pessoal”, disse o pivô, que mandou mensagem a Payne depois da partida: “Você acredita que ele me respeita mais agora?”.

Se ainda havia alguma dúvida, o toco contra os Celtics deixa claro: é melhor respeitar Adebayo.

Mais de ESPN

image beaconimage beaconimage beacon