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Chapecoense se antecipa e revela cortes nos salários da Série B do Brasileiro

Logotipo do(a) ESPN ESPN 26/03/2020 Rafael Valente, de São Paulo (SP)
© Lucas Figueiredo/CBF

Os clubes do Campeonato Brasileiro B costuraram na noite da última quarta-feira um acordo para o período de quarentena do futebol por causa da pandemia do novo coronavírus. O acerto prevê redução de 25% dos salários de jogadores, membros da comissão técnica e funcionários, suspensão do pagamento de direito de imagens e 20 dias de inter temporada.

A decisão foi anunciada em um comunicado oficial da Chapecoense, uma das equipes da Série B (leia mais abaixo). 

Em contato com a reportagem, o presidente do clube, Paulo Magro, explicou que ainda haverá uma reunião nesta quinta-feira entre os clubes das Séries A e B, mas que é pouco provável que ocorram mudanças no que foi acordado.

"Vamos ter a reunião da Comissão Nacional de Clubes com os 40 clubes, mas ontem foi realizada uma reunião com os 20 clubes da Série B e a posição foi a que está no nosso comunicado. Foi uma decisão tomada pelos clubes da Série B e ela precisa ser respeitada. Acredito que a reunião de hoje não fará mudanças", disse o presidente, por telefone.

"Na minha opinião, não vai ter outro caminho para ser seguido. A Série B definiu assim. Acredito que a posição dos clubes da Série A será idêntica na reunião que vamos fazer mais tarde", acrescentou.

Sem data para as competições voltarem, os dirigentes acordaram dar férias de 20 dias para os jogadores, valendo de 1º de abril até 20 do mesmo mês, com possibilidade de ampliar mais dez dias se as competições sofrerem novo adiamento.

Os atletas já tinham conhecimento da sugestão de férias e estavam de acordo com a ideia dos clubes, segundo a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (FENAPAF). O sindicatos também estavam de acordo.

O ponto de discórdia é a redução salarial.

"Se mantendo este cenário de paralisação após o período de férias coletivas, poderá ser necessário aplicar a redução de 25% (vinte e cinco por cento) na remuneração de todos os atletas profissionais, membros de Comissões Técnicas e funcionários [...], como preceitua o artigo 503 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)", informa o comunicado da Chapecoense.

"A suspensão, pelo período de paralisação, de todos os Contratos de Direito de Imagem, cabendo a cada clube individualmente analisar e observar as características próprias dos respectivos contratos para as consequentes suspensões", diz a nota.

A reportagem conversou com outros clubes que confirmaram o que foi tratado na reunião de quarta, mas adotaram uma posição mais cautelosa. Acreditam que a reunião do fim desta tarde pode modificar algumas ideias acertadas na última noite.

A reportagem também apurou com outros clubes que o argumento principal para essa medidas é a dificuldade financeira dos clubes. Com a paralisação eles estão sem receitas de jogos, de programas de sócio-torcedor e cotas pela transmissão de jogos pela TV.

Também foram pesados fatores técnicos. Muitos clubes entendem, com embasamento no trabalho de suas comissões técnicas, de que não é seguro fazer os jogadores treinarem treinando em suas residências por mais de 30 dias.  Os treinos atuais, que são realizados individualmente, têm foco apenas para manutenção física, mas não garantem condicionamento nem podem reproduzir atividades táticas e técnicas.

A Série B estava prevista para iniciar em 3 de maio. A última rodada seria em 28 de novembro.

Veja o comunicado da Série B divulgado pela Chapecoense

Os 20 clubes que integram a Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol Profissional, em conformidade com a Medida Provisória 927, de 22 de Março de 2020, diante da pandemia do Coronavírus (Covid-19), que causou o cancelamento de jogos, a paralisação de campeonatos e a recorrente perda de receitas que dificultam o cumprimento de suas obrigações sociais e financeiras, e do impasse na negociação entre o Conselho Nacional de Clubes e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (FENAPAF), DECIDIRAM conjuntamente adotar as seguintes medidas:

1. A concessão de férias de 20 dias, prorrogáveis por mais 10 dias, a todos os atletas profissionais, membros de comissões técnicas e funcionários a partir de 1º de abril de 2020, em conformidade com o artigo 6º da Medida Provisória 927, de 22 de março de 2020. Salientamos que tal prorrogação dependerá de reavaliação do cenário e das condições de paralisação, sendo que tal item será definido em reunião entre os 20 clubes, no próximo dia 15 de abril de 2020;

2. Apesar das dificuldades impostas pelas paralisações das atividades, os clubes não medirão esforços e realizarão os pagamentos dos salários do mês de março/2020 integralmente. Porém, em se mantendo este cenário de paralisação após o período de férias coletivas, poderá ser necessário aplicar a redução de 25% (vinte e cinco por cento) na remuneração de todos os atletas profissionais, membros de Comissões Técnicas e funcionários durante o período que durar a paralisação, como preceitua o artigo 503 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) em casos extremos e de força maior;

3. A suspensão, pelo período de paralisação, de todos os Contratos de Direito de Imagem, cabendo a cada clube individualmente analisar e observar as características próprias dos respectivos contratos para as consequentes suspensões;

4. Solicitar às Federações, Confederações e a todas as entidades que organizam campeonatos um período mínimo para condicionamento físico dos atletas de 20 (vinte) dias entre o término da paralisação e a realização de partidas oficiais; e

5. Colocar as dependências esportivas de todos os clubes à disposição das autoridades sanitárias e de saúde para a instalação de leitos, coleta de sangue, realização de exames e outras atividades que se façam necessárias para o auxílio no combate à pandemia e suas consequências. Temos a absoluta certeza que as providências acima são estritamente necessárias para não haver um colapso financeiro com consequências muito mais graves e que contaremos com o apoio e a compreensão de todos os envolvidos.

Brasil, 25 de março de 2020

Vídeo: Mata-mata no Brasileirão pode endividar clubes (ESPN)

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