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Lena Dunham e a difícil missão de se apropriar do próprio corpo

Logotipo do(a) Beleza sem FiltroBeleza sem Filtro 11/10/2017

Lenna Dunham © Reprodução Lenna Dunham
Lena Dunham incomoda muita gente, e ela faz questão disso. Durante as seis temporadas de “Girls”, que lhe renderam duas estatuetas do Globo de Ouro, a roteirista e diretora da série, que também interpreta Hannah, uma das quatro protagonistas, inclui cenas de sexo bastante realistas e constrangedoras, na contramão do comportado glamour hollywoodiano. Peitos de fora, pelos pubianos à mostra, corpos nus – no caso, e sobretudo, o da própria autora. Temas como feminismo, racismo, desconstrução de padrões de beleza e os conflitos da geração de 20 e tantos anos que entrou no mercado de trabalho após a crise que desequilibrou os EUA em 2008, foram constantes nos episódios da série.

Elogiada por sua coragem e ousadia ao expor seu corpo nu em Girls, sua franqueza atraiu muitas fãs para a série. Em contrapartida, recebeu críticas fortíssimas de racismo, por colocar quatro mulheres brancas e privilegiadas como protagonistas e pela falta de representatividade negra na série. Como resultado, Lena introduziu um namorado negro para uma das personagens.

Desde que explodiu em Hollywood com a série, a atriz, escritora e cineasta nova-iorquina de 31 anos tem sido vítima constante de “body shaming” –termo em inglês usado para definir o comportamento de quem faz o outro sentir vergonha do próprio corpo – por ser gorda. Recentemente, no entanto, Lena emagreceu e foi duramente criticada por ter perdido peso. “É muito louco porque eu passei seis anos da minha carreira sendo chamada de ‘saco de leite’ na internet, vaca bebê, vaca envelhecida”, desabafou em entrevista ao programa “The Ellen DeGeneres Show”, em março deste ano. E agora, com toda essa experiência de mudança do corpo, ela, que sempre foi representante do “body-positive”, movimento de aceitação do próprio corpo, passou a ser chamada de hipócrita e outras coisinhas mais. “Eu fiquei muito frustrada com isso porque é evidente que por ser uma mulher em Hollywood você simplesmente não pode vencer”, foi sua conclusão no programa.

"Eu sinto que deixei muito claro ao longo dos anos que não me importo nem um pouco com o que qualquer pessoa pensa do meu corpo. Estive em muitos tapetes vermelhos usando alta-costura tamanho 44. Fiz cenas de sexo após uma cirurgia, cheia de cicatrizes. Aceitei que meu corpo é um organismo mutante e não uma coisa imutável -- o que sobe deve descer e vice-versa. Eu sorrio tanto não importa qual é o tamanho atual do meu corpo, porque sou orgulhosa do que meu corpo já viu, fez e representou. Sou vítima de uma doença crônica. Vigilante contra o body-shaming. Sobrevivente de assédio sexual. Gostosa e raivosa. Como todas vocês", escreveu em seu perfil no Instagram após uma revista estampar na capa sua foto no estilo antes e depois. A atriz aceita seu corpo do jeito que ele é, coisa difícil uma vez que mulheres aprendem a odiar seus corpos sem perceber.

Ao que tudo indica, a verdade por trás do emagrecimento de Lena vai além da simples perda de peso. Nos últimos anos, ela decidiu mudar os seus hábitos com dieta e exercícios para combater a endometriose. Caracterizada pelo fato de que o endométrio, tecido que reveste o útero, cresce para fora do órgão, a endometriose afeta milhões de mulheres no mundo inteiro e provoca sintomas que vão desde cólicas intensas e muito desconforto até impossibilidade de engravidar. Por conta disso, Lena Dunham teria começado a praticar yoga e treinar com Tracy Anderson, personalidade do mundo fitness.

"Neste momento, estou lutando para controlar minha endometriose através de uma dieta saudável e exercício. Então, minha perda de peso não é um triunfo e também não é um sinal de que eu finalmente cedi às vozes dos críticos. Porque meu corpo pertence a mim – em cada fase, em cada interação. E seja lá o que for que eu esteja fazendo com ele, eu não estou abrindo mão da minha credencial de feminista por ninguém", explicou no mesmo post.

Em maio, Lena cancelou a turnê de divulgação da newsletter feminista “Lenny Letter”, seu principal projeto após o fim de “Girls”, criado com a produtora da série, Jenni Konner. No momento, a cineasta está se recuperando da quinta cirurgia para tratar a endometriose.


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