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Danilo Gentili, sua opinião sobre o Feminismo está errada

Logotipo do(a) Superela Superela 6 dias atrás Luisa Rodrigues
danilo-gentili © Reprodução danilo-gentili

Danilo Gentili virou um dos principais assuntos dessa sexta-feira. Falou besteira, pra variar. Mas ok, vou tentar respeitar o rapaz e fazer um texto explicando, de A a Z, os motivos pelos quais a sua última declaração sobre o Feminismo está EQUIVOCADA. Deixa eu colocar a imagem aqui pra contextualizar vocês:

Ok. Vamos lá então. Vale a pena dar uma explicadinha rápida sobre esse cara.

Quem é Danilo Gentili?

Gentili é comediante, (inclusive, um dos precursores do stand-up aqui no Brasil e grande defensor do humor politicamente incorreto) e publicitário. Tem 38 anos, veio de uma família humilde e se converteu ao Protestantismo com 14 anos. Sua vida parece não ter sido lááá muito fácil. Perdeu o pai e a irmã cedo.

Já teve uma coluna no Metro Jornal, foi repórter do polêmico CQC (Custe o Que Custar) de 2008 a 2010, já apresentou diversos programas, escreveu 4 livros, teve indicações a 4 prêmios (e ganhou 2 destes) e por aí vai. Resumindo? Não, ele não é um zé ninguém e sim, é extremamente competente.

Pena que ele usa toda essa influência de forma… “errada”. Bora lá que agora a gente já pode entrar no assunto principal.

Feminismo é manobrinha

O cara pálida resolve me aparecer no Twitter para falar que “a prova que o movimento feminista NUNCA foi algo pelo “empoderamento” feminino é que as feministas vão deixar de votar em uma mulher, que é a Marina, pra votar em dois homens” porque tá com o c# na mão (com o perdão da expressão). Nos últimos dias, Ciro Gomes e Fernando Haddad estão ganhando mais força, tornando-se finalmente páreos àquele que não podemos (nem queremos) dizer o nome.

Não entrando no mérito de QUEM ele vai votar, uma coisa é certa: os candidatos que ele mais critica estão ganhando força. E aí, meus queridos, é tiro pra todo lado, né?

Foi daí, então, que surgiu esse tweet-pérola.

Então quer dizer que feminista tem que votar em mulher?

Pois é. Pra ele parece que sim, né. Primeiro de tudo, empoderamento não quer dizer VOTAR em uma pessoa, ou PASSAR O PANO pra ela, só porque ela é MULHER. Se empoderar enquanto mulher é entender que o corpo é nosso, é trabalhar na mente que nós, assim como os homens, também podemos tudo e, principalmente, acreditar que não somos, em hipótese alguma, menores que eles.

Empoderar outras mulheres é parar de fomentar essa cultura de rivalidade feminina, sabe? É ajudar a próxima a se valorizar, e não diminuí-la. É apoiá-la e escutá-la enquanto metade da sociedade não tá nem aí pra ela. É tentar defendê-la com unhas e dentes por saber que, no dia seguinte, a vítima pode ser você. E-por-aí-vai.

Agora, o que NÃO É empoderamento?

Votar em Marina Silva porque ela é mulher.

Veja bem: o Feminismo quer a IGUALDADE DE GÊNERO. Então, o natural é incentivarmos mais mulheres a se candidatarem a cargos políticos e procurar apoiar aquelas que condizem com nossas ideologias e se mostram competentes para entrar nessa jaula de leões que é a política brasileira.

Eu aposto que sei mais sobre a Marina Silva do que o próprio Danilo Gentili. Afinal, eu procuro entender o que ela defende, pesquiso seus projetos, vasculho seu passado e por aí vai. É óbvio que eu, sabendo que ela é a única candidata MULHER capaz de derrubar os grandões, me inclinei a lhe dar meu voto.

Porém, não. Meu voto não será nela. Infelizmente, não concordo com os mesmos ideais que ela e vejo nos outros candidatos uma série de projetos que são DO MEU interesse. É uma pena, claro, que SÓ ELA aparece nas pesquisas de voto da maioria das pessoas enquanto mulher. Mas eu, assim como nenhuma feminista, não sou burra.

Voto é uma coisa importante. É a chance que eu tenho de praticar meu direito de escolher meus representantes. Pra QUÊ que eu vou votar numa candidata só porque ela é mulher, meu Deus. E o pior…

Quem é Danilo Gentili para opinar na minha luta e no meu voto?

Ok, ok. Liberdade de expressão. Ok, ok. Ele fala o que quiser. Mano, be-le-za. Mas veja bem: se for pra falar sobre Feminismo, vamos falar sério? Sem as viseiras do machismo tapando seus olhos? E sem as viseiras da POLÍTICA também?

Meu querido, eu, como pessoa, mulher e feminista, voto em quem eu QUISER. Outra: se você ainda não entendeu que o Feminismo é sim uma luta por empoderamento feminino e igualdade de gênero, sinto muito, mas não quer escutar/dialogar com uma mulher que pode te explicar o que toda a luta significa.

A prova que o machismo ainda existe é ter uma personalidade tão popular e importante assim dizendo que a gente tá “votando errado”. Que a gente tinha que votar em uma mulher. Que a gente preferiu votar no hétero branco cis whatever.

Não tem essa de #mimimi

Por fim, eu só queria deixar claro uma coisa: as pessoas precisam ter mais empatia. Pronto. COMO que vocês me falam que feminismo é mimimi com TODAS as notícias que assistimos do dia a dia? COMO que vocês conseguem QUESTIONAR uma vítima de assédio/estupro?

E dou a resposta aqui e agora: porque vocês, homens e machistas, NUNCA tiveram que passar por isso. Vocês não cresceram com medo de andar na rua, com as pessoas da sua própria família ditando o que vocês devem ou não estudar, com a sociedade apontando o dedo na sua cara a qualquer erro e por aí vai.

Aprendam a se colocar no lugar das pessoas. Não tem problema ter uma opinião sobre algo, e muito menos discordar de alguma ideologia. O direito é todo da pessoa. O que não pode é não querer dialogar. O que não pode é sair dando “opinião” por aí achando que tá certo e pronto e acabou.

Se eu consigo dialogar com um cara machista, você também consegue com uma mulher feminista, rapaz. É só tentar.


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