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Com turismo abalado, elefantes da Tailândia correm risco

Logotipo do(a) Viagem e Turismo Viagem e Turismo 27/03/2020 Bárbara Ligero
Elefante e seu mahout, forma como são chamados os treinadores desses animais © Paula Bronstein/Getty Images Elefante e seu mahout, forma como são chamados os treinadores desses animais

Desde o seu princípio, a pandemia de coronavírus está afetando fortemente a economia da Tailândia, país onde o turismo é responsável por 20% do PIB e quase 16% dos empregos. Isso porque, dos 40 milhões de viajantes que visitam o país asiático a cada ano, mais de um quarto vêm da China, onde o surto da doença começou.

O número total de turistas que visitaram o país em fevereiro de 2020 foi 44% menor do que o do mesmo mês do ano passado. Além disso, na quarta-feira (25) o governo tailandês anunciou que impedirá a maior parte dos estrangeiros a entrar no país, que já tem mais de mil casos confirmados de coronavírus.

Essa redução repentina do turismo levou ao fechamento de dezenas de parques e de outras atrações turísticas relacionadas aos elefantes, que são o animal-símbolo da Tailândia. Em entrevista ao New York Times, a gerente geral do Parque de Elefantes Maetaeng disse que 85 empresas desse tipo no norte do país suspenderam suas atividades devido à falta de visitantes.

Os locais, que costumavam receber até mil turistas por dia, estão contando nos dedos de uma mão a quantidade de visitas. O maior problema enfrentado por eles é como alimentar os animais, que geram um gasto com comida de até US$ 40 por dia. Para efeito de comparação, o valor é três vezes maior que o salário mínimo diário da Tailândia.

A situação levanta uma discussão antiga sobre a exploração dos elefantes no turismo. Há mais de quatro mil anos os animais são usados pela população local para trabalho, transporte e até guerra. Até 1989, os bichos eram usados para arrastar troncos em madeireiras.

Quando a atividade foi proibida, os donos dos elefantes começaram a usá-los como forma de entretenimento ou andavam com eles pelas ruas de Bangkok pedindo esmolas. A segunda prática também se tornou ilegal, mas o uso dos elefantes em atrações turísticas continua acontecendo.

Agora, no contexto de paralisação da indústria do turismo, o medo é que os animais passem fome ou voltem a arrastar troncos de forma ilegal na fronteira com o Mianmar e o Laos. Segundo Soraida Salwala, da Fundação Amigos do Elefante Asiático, ali ainda existem minas terrestres remanescentes dos conflitos da região – e os elefantes podem acabar pisando nelas.

Por que não soltam os elefantes na floresta?

Estima-se que, atualmente, existem 2 500 elefantes livres e 3 500 em cativeiro – desses, 75% foram retirados da natureza. Ainda assim, soltar os elefantes domesticados na floresta não é uma opção. Além de não saberem mais buscar alimentos sozinhos, eles estariam competindo com os elefantes selvagens.

Como ver os elefantes de forma ética?

Mesmo que estejam em cativeiro, os elefantes continuam sendo animais selvagens. Durante seu treinamento, os elefantes são amarrados, ameaçados com chicotes e varas e passam fome e sede.

A World Animal Foundation estima que há mais de 1 300 elefantes vivendo sob condições terríveis, que incluem dormir em estradas, ficar acorrentados a maior parte do dia, viver sozinhos, trabalhar longas horas carregando gente nas costas e não ter acesso a comida adequada ou a cuidados veterinários.

Por isso, o ideal é que os turistas só entrem em contato com os animais em refúgios e evitem qualquer atividade que envolva montar neles.

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