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Nos EUA, bilionários defendem volta ao trabalho durante pandemia

Logotipo do(a) IstoÉ Dinheiro IstoÉ Dinheiro 26/03/2020 Da redação
Esperança de Donald Trump é contar com a volta dos trabalhadores até o começo de abril, apesar de conselho contrário dos especialistas © AFP/Arquivos Esperança de Donald Trump é contar com a volta dos trabalhadores até o começo de abril, apesar de conselho contrário dos especialistas

Próximo de ultrapassar a Itália no número de infectados pelo coronavírus, os Estados Unidos agora lidam com uma dupla pressão: o presidente Donald Trump e megaempresários forçam uma retomada das atividades produtivas no país, enquanto médicos seguem a cartilha de isolamento social como forma de frear a pandemia.

Segundo reportagem do Huffington Post, vários empresários pedem abertamente a volta dos americanos aos postos de trabalho, mesmo que isso aumente o número de mortos no país. É o caso de Dick Kovachevich, que dirigiu a Wells Fargo até 2007, e não se importa em expor mais pessoas ao risco de infecção se isso for o necessário para reativar a economia.

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“Vamos gradualmente trazer essas pessoas de volta e ver o que acontece. Alguns deles ficam doentes, outros podem até morrer, não sei”, disse ele ao HP. “Você deseja sofrer mais economicamente ou correr algum risco de ter sintomas e experiências semelhantes aos da gripe? Deseja assumir um risco econômico ou de saúde? Você precisa escolher”, continuou.

Com mais de 69 mil casos confirmados e 869 mortes causadas pela Covid-19, o sistema de saúde dos EUA não conta com testes suficientes para determinar quem está contaminado pelo vírus. Como consequência, as pessoas estão expostas ao risco de voltarem ao trabalho e acabarem infectadas, sobrecarregando os hospitais e ampliando o número de mortos. O efeito dominó conta com a economia como a última peça da linha, que seguirá machucada pelo caos na saúde.

Os dados são preocupantes: notícias desta quinta-feira (26) indicam que o número de trabalhadores que pediram acesso ao seguro-desemprego nos EUA saltou de 282 mil na semana do dia 13 para 3,28 milhões na semana passada.

Tom Golisano, fundador e presidente do processador de folha de pagamento Paychex Inc., dono de um patrimônio líquido avaliado em US$ 3 bilhões, também acredita que uma economia danificada é pior do que mais mortos no país e espera que estados não atingidos pelo vírus voltem à normalidade. “Os danos de manter a economia fechada podem ser piores do que perder mais algumas pessoas”, disse.

O presidente Trump disse nesta semana que espera decretar o fim da quarentena até o começo de abril coincidindo com a data da páscoa. Especialistas, no entanto, alertam que medidas de distanciamento social precisam durar meses para evitar sobrecargas nos hospitais.

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