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Afinal, relacionamentos de Internet dão certo?

Logotipo do(a) Superela Superela 12/09/2018 Mafê Nobre
relacionamentos de internet © Reprodução relacionamentos de internet

Conta pra mim: você já paquerou pela Internet? Seja nas redes sociais, websites ou aplicativos em celulares, quem aqui não conhece alguma história de casais que se formaram através de algum meio digital? Pois é, isso está se tornando cada vez mais normal, tão comum que ninguém estranha.

Mas nem sempre foi assim e até hoje a pergunta que mais se ouve a respeito é: relacionamentos de Internet podem durar de verdade?

Tudo tem um começo… a Internet também

Lá na década de 1990, a Internet começa a se popularizar no Brasil e no mundo. As pessoas passam a descobrir a infinidade de coisas que podem ser realizadas por esse novo meio de comunicação e a palavra de ordem é “conectar”. As contas telefônicas sobem, casas ficam horas com suas linhas ocupadas, mas quem está preocupado?

Notícias, informações, enciclopédias, imagens, vídeos, ufa… a Internet parece não ter fronteiras e limites para as suas possibilidades. Podemos ter uma imagem ao vivo do outro lado do mundo na tela do computador.

Os relacionamentos também ganham novos canais com o surgimento da Internet. Foi nessa época que surgiram as salas de bate-papo, ou chats, onde grupos de pessoas podiam conversar de forma pública ou privada. As salas eram organizadas por grupos de interesse como esportes, cidades, relacionamentos, idades, sexo — não havia limites para a criatividade dos administradores nem falta de público para cada nova iniciativa.

Paralelamente, nasciam comunicadores que permitiam uma conversa direta. Primeiro o ICQ e AOL, depois vieram o MSN, Skype, e com eles você podia verificar se alguém estava online e abrir uma conversa. Tudo direto e simples.

Se você tiver por volta dos 50 anos, com certeza vai lembrar dessa fase. Vivíamos uma grande mudança de costumes. As pessoas podiam se conhecer em salas de chat e tentar obter o ID em uma dessas aplicações de comunicação. Qualquer semelhança com a paquera no barzinho onde se deseja obter o número do telefone do outro não é mera coincidência. Mudam-se os meios, mas os objetivos permanecem os mesmos.

Veio a década de 2000 e com ela os sites de relacionamento para explorar esse mercado. Neles qualquer um podia criar um perfil, colocar suas preferências, fotos e buscar o amor da sua vida.

Não podemos esquecer também do Orkut, uma experiência social pioneira que os brasileiros adotaram como nenhum outro país no mundo. Nele você podia falar de si mesmo, publicar fotos e discutir temas em comunidades, ou até reencontrar aquele grande amor da escola que não via há muito tempo. Um precursor do Facebook.

Novas tecnologias facilitam os encontros

Mas a tecnologia não para e com a chegada dos smartphones vieram os aplicativos de relacionamento. Você já não precisa mais de um computador. Pode tentar encontrar o seu par clicando em um botão na tela do seu celular (ou deslizando).

Softwares buscam juntar pessoas com perfis compatíveis analisando preferências, idade, orientação sexual, onde mora, qual a distância que está disposto a percorrer, enfim, a quantidade de informações é enorme.

Alguns aplicativos, como o Badoo, permitem criar perfis e realizar buscas não apenas para namoro, mas também para uma amizade ou apenas uma conversa. Assim ninguém mais se sente tããão sozinho.

Mas será que esse tipo de relação dá certo?

Sinceramente, isso parece aquela conversa de que amor de carnaval não dura, lembra? Pois eu sei de vários casais que se conheceram no carnaval, casaram-se e estão juntos há anos.

Creio que a pergunta real é: o que faz um relacionamento durar nos dias de hoje? O que mudou?

Seja autêntica sempre!

Dar o primeiro passo numa relação é sempre complicado. Há pessoas com diferentes níveis de timidez e inúmeras barreiras e incertezas a serem vencidas, e é aí que entra toda a tecnologia dos apps para ajudar.

Mais do que uma foto, seu nome e data de nascimento, é possível publicar informações a respeito dos seus gostos, interesses pessoais, carreira, o que gosta de fazer no tempo livre, o que admira ou procura no futuro parceiro e o que não gosta e a afastaria de alguém. O nível de detalhe é você quem define.

De posse de toda a informação, seu primeiro encontro não é exatamente um “blind date“, mas algo que pode ser decidido com calma.

Mas aí vem a questão: com tudo isso à disposição para ser lido e analisado antes, como pode depois de um tempo os casais perceberem que não era bem assim?

Simples, nem todo mundo fala 100% a verdade. Não é uma questão de mentir (ok, tem muita gente por aí fazendo isso), mas de omitir, enfatizar demais suas qualidades e “esquecer” dos pequenos defeitos (mas eu tenho algum?).

A verdade é que quanto mais autêntica você for na hora de escrever o seu perfil — e também quando trocar as primeiras mensagens —, maior a chance de atrair a pessoa certa e não ficar perdendo tempo com quem não tem nada a ver com você. Concorda?

Então veja a seguir os errinhos mais comuns de quem faz um perfil nos aplicativos de relacionamento (são erros se você quer realmente encontrar o amor da sua vida, claro!)

Muita produção

Esse talvez seja o maior dos problemas. A garota passa seis horas no salão se preparando para algum evento, faz escova, maquiagem, tudo o que tem direito. O rapaz faz a barba, corta e arruma o cabelo. Ambos evitam estar de óculos, colocam-se em situações especiais e querem usar essas fotos como “imagens de perfil”. É assim que você vai estar no primeiro encontro? E no segundo, no terceiro… Pois é, quero ver reconhecer o outro ou ler o cardápio sem os óculos. #tenso

Descrição não condiz com a realidade

Você já notou como esse universo de aplicativos de encontros está cheio de pessoas incríveis? Esportistas, mestres em alguma coisa, especialistas em tudo.

De repente, todos gostam de cozinhar, arrumar a casa, são apaixonados por animais, defendem causas sociais, enfim, tudo o que possa ser considerado positivo pela maioria das pessoas.

O problema é que normalmente bastam 30 minutos de conversa para a verdade aparecer e isso vai acontecer da maneira mais simples do mundo: um comentário em relação a um fato qualquer, uma risada de algo que é sério para o outro, literalmente, uma escorregada mesmo. E logo no primeiro encontro!

Carreira remodelada

A assistente administrativa vira “assessora adjunta da diretoria”, o estagiário no banco agora é “especialista em mercados de capital”, a vendedora da loja de roupas torna-se “consultora de moda”, o dono da banca de jornais é o “empresário do meio editorial”, e por aí vai. Fica difícil, não?

Claro que queremos dar aquela valorizada, mas começar uma relação dessa maneira pode dar ruim. Se você estiver em busca de uma aventura, tudo bem. Mas se quiser uma relação duradoura, não é bem por aí.

O primeiro encontro

Mas vamos ser otimistas. Encontramos um perfil interessante e arriscamos um contato inicial. Ele responde e se mostra interessado. A partir daí começa uma sequência de troca de mensagens onde se procura validar o que está no perfil. Vale até pedir mais fotos (a do perfil está retocada, lembra?).

Tudo parece se encaixar e vem o convite para sair do virtual.

A dica é exatamente avaliar a velocidade e a forma com que esse convite aparece. Pessoas decididas costumam ser objetivas e rápidas, espertinhos também. O que vale é o contexto, como estava a conversa quando o convite surgiu, ver se faz sentido naquele momento. O local escolhido também. Deve ser algo que os dois gostem muito, mas vamos combinar que uma balada com música tocando a um volume altíssimo não é exatamente o melhor lugar para uma primeira conversa, não?

Daí para a frente, é deixar a natureza seguir seu rumo, ir com calma. Afinal, por mais que você tenha lido e fuçado na Internet, nada supera olhar nos olhos e ver o que acontece.

Mas será que ele vai ligar de novo?

Após o contato inicial muita coisa pode acontecer, mas o fato principal é que, a partir desse momento, o virtual acabou. Agora é viver a relação como qualquer outra. Não existe diferença.

Os recursos tecnológicos foram úteis para colocá-los juntos, ajudar a escolher, avaliar a pessoa, mas é isso.

Vemos muitos casais que parecem não conseguir separar as coisas e continuam a se comunicar mais de forma digital do que pessoalmente. Isso é válido no caso de relacionamentos à distância, mas para pessoas que moram na mesma cidade fica estranho ver uma discussão acontecendo no Facebook. Pensando bem, em qualquer caso isso é estranho.

A vida já é complicada o suficiente, não precisa envolver suas centenas ou até milhares de amigos e seguidores como se estivessem precisando de torcida. Não se trata de esconder problemas, mas de preservar a privacidade.

Um relacionamento entre duas pessoas é algo muito complexo. É um exercício diário de adaptação, 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano.

O segredo, portanto, é ser autêntica desde o primeiro momento e se dedicar ao seu par. Não tem jeito. Ah! Fechar os perfis nos sites e aplicativos de relacionamento também ajuda.

Imagem: Pexels

O texto Afinal, relacionamentos de Internet dão certo? foi publicado originalmente em Superela.

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