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Impeachment no Rio: Entenda o processo contra Crivella por favorecimento a evangélicos

Logotipo do(a) HuffPost Brasil HuffPost Brasil 12/07/2018 Débora Melo
Crivella: "Temos que aproveitar que Deus nos deu a oportunidade de estar na prefeitura." © Fornecido por Yasuyoshi Chiba/AFP/Getty Images Crivella: "Temos que aproveitar que Deus nos deu a oportunidade de estar na prefeitura."

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro decide nesta quinta-feira (12), a partir das 14h, se abrirá um processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella (PRB).

Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, Crivella poderá ser denunciado por infração político-administrativa e crime de responsabilidade por suposto favorecimento a igrejas evangélicas, pastores e féis.

Reportagem publicada no dia 5 pelo jornal O Globo revelou áudios no qual o prefeito oferece ajuda a líderes religiosos para conseguir, para os fiéis, agilidade na realização de cirurgias de catarata e varizes, entre outras facilidades.

Nós temos que aproveitar que Deus nos deu a oportunidade de estar na prefeitura para esses processos andarem.Marcelo Crivella, prefeito do Rio, a pastores evangélicos.

O encontro, secreto, foi promovido por Crivella no Palácio da Cidade, sede do governo municipal.

"Nós estamos fazendo o mutirão da catarata. Contratei 15 mil cirurgias até o final do ano. Então, se os irmãos tiverem alguém na igreja com problema de catarata, se os irmãos conhecerem alguém, por favor falem com a Márcia [assessora do prefeito]. É só conversar com a Márcia que ela vai anotar, vai encaminhar, e daqui uma semana ou duas eles estão operando", disse Crivella aos pastores.

A mesma oferta foi feita para cirurgias de varizes: "Também, por favor, falem com a Márcia". Todas as declarações foram gravadas.

O prefeito nega favorecimento às igrejas e diz que o objetivo da reunião foi prestar contas e divulgar programas da gestão. Em nota, a prefeitura afirma ainda que Marcelo Crivella entende que "protocolar pedido de impeachment faz parte do jogo político da oposição".

Ele [Crivella] não pode quebrar o Estado laico. Ele não pode reunir em um prédio público um grupo de religiosos para favorecer e furar a fila da saúde. Marcelo Freixo, deputado estadual pelo PSOL.

O que mais Crivella falou?

Além do favorecimento em cirurgias, o prefeito oferece aos pastores ajuda para regularizar a isenção de IPTU nos templos, bem como facilidade em eventos.

"Tem pastores que estão com problemas de IPTU. Igreja não pode pagar IPTU, nem em caso de salão alugado. Mas, se você não falar com o doutor Milton, esse processo pode demorar, demorar. Nós temos que aproveitar que Deus nos deu a oportunidade de estar na prefeitura para esses processos andarem. Temos que dar um fim nisso", disse Crivella.

"Vamos aproveitar esse tempo que nós estamos na prefeitura para arrumar nossas igrejas. Se vocês quiserem fazer eventos no Parque Madureira, está aqui o nosso líder, que é o doutor Valmir", continuou.

Crivella estava acompanhado do pré-candidato a deputado federal pelo PRB, pastor Rubens Teixeira. Na reunião, o prefeito disse aos pastores que é preciso "votar em homens e mulheres de Deus".

"É diferente o nosso espírito, é diferente a nossa maneira de pensar, e o Brasil precisa conhecer isso. Não importa se vai ser um trauma no princípio, se as pessoas vão reclamar, criticar. Nós temos que mudar esse país", disse o prefeito.

"É um sacrifício grande a gente estar na política, mas não podemos fugir, porque só o povo evangélico pode mudar esse país. Entre nós não há corrupção. A gente recebe o dinheiro do povo e a gente faz a casa de Deus."

Rito do impeachment

A Câmara do Rio informou que a votação da admissibilidade da denúncia será por maioria simples: para que o processo seja aberto, é necessário metade dos votos dos vereadores presentes, mais um voto.

Os detalhes do rito, contudo, estão sendo discutidos entre a Procuradoria da Casa e os vereadores, reunidos desde as 13h desta quinta.

Foram protocolados 2 pedidos de cassação do mandato: um elo vereador Átila Alexandre Nunes (MDB) e outro pelo deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) em conjunto com Isabel Silva Prado Lessa, presidente do diretório municipal do PSOL.

"Ele não pode, porque foi eleito, quebrar o Estado laico. Ele não pode reunir, em um prédio público, um grupo de religiosos para favorecer e furar a fila da saúde. Isso é improbidade administrativa e crime de responsabilidade", disse Freixo, em vídeo publicado nas redes sociais.

Se o processo de impeachment for aberto, Crivella será afastado por até 90 dias, prazo no qual a denúncia terá de ser julgada. Nesse caso, a prefeitura seria assumida pelo presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB).

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