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Manifestações mudaram o jogo da oposição

Logotipo do(a) IstoÉ IstoÉ 14/09/2021 Marcos Strecker
Manifestantes realizaram atos contra o governo do presidente Jair Bolsonaro na avenida Paulista, em São Paulo, São Paulo, Brasil, 12/09/2021. REUTERS/Amanda Perobelli © Fornecido por IstoÉ Manifestantes realizaram atos contra o governo do presidente Jair Bolsonaro na avenida Paulista, em São Paulo, São Paulo, Brasil, 12/09/2021. REUTERS/Amanda Perobelli

Brasília respira aliviada depois do estresse causado pelas manifestações golpistas do Sete de Setembro e da resposta do movimento Fora Bolsonaro no dia 12. Mas pode ser a calmaria que antecede a tempestade. O jogo mudou desde esses eventos.

O presidente precisou dar um cavalo de pau em sua escalada autoritária assinando uma humilhante carta de rendição, com direito a elogios ao ministro Alexandre de Moraes. Isso irritou e afastou sua base de apoio radical, mas não o reaproximou do centro, da classe média e dos empresários. Todos sabem que se trata de mais uma etapa no jogo de avanços e recuos contra as instituições.

Após a retirada tática, ele encontrará novas formas de deslegitimar o sistema eleitoral, o STF e o próprio Congresso. Mas está enfraquecido para isso, pelo menos no momento.

Já a oposição teve uma mudança importante, apesar das manifestações completamente esvaziadas do último dia 12. A transformação mais notável foi a união de diferentes forças que até hoje não se comunicavam. Movimentos que ajudaram o bolsonarismo a se transformar em um fenômeno de massas e agora estão na linha de frente contra o presidente, como o Vem pra Rua e o MBL, foram obrigados a moderar a retórica anti-PT. Pré-candidatos de centro-esquerda e centro-direita, como Ciro Gomes e João Doria, finalmente conseguiram ter uma causa comum: defender o impeachment.

O PT e algumas forças oportunistas continuam boicotando qualquer  união suprapartidária no modelo Diretas Já apostando nas vantagens de “deixar Bolsonaro sangrar”. Mas essa estratégia é arriscadíssima e pode afinal dar o respiro de que o presidente precisa para voltar a se fortalecer. Esse cenário parece improvável agora, mas não é impossível.

Achar que Bolsonaro é pato manco e a volta de Lula é inevitável pode insuflar o discurso fascista do presidente, que tem conseguido avançar em suas investidas. Antes de se definir como será o País pos-Bolsonaro, é necessário garantir que as eleições aconteçam. Quem acha que o País ainda está congelado no mundo pré-Bolsonaro está lendo errado as perspectivas futuras.

Parte do PT ainda está caindo nesse erro. Mas quem enxergar essa necessidade maior e mais urgente pode ser ator fundamental na reconstrução nacional após a ruína bolsonarista.

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