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Moradores teriam um pouco mais de 1 hora para escapar em caso de rompimento de barragem

Logotipo do(a) Estadão Estadão 23/03/2019 Leonardo Augusto, Especial para AE
Ainda com plano de salvamento sendo "qualificado", conforme afirma a Defesa Civil de Minas Gerais, um total de aproximadamente 9 mil pessoas de 3 mil residências, moradoras da cidade de Barão de Cocais, terão uma hora e doze minutos para serem retiradas de suas casas caso a barragem Sul Superior da Minas Gongo Soco, da Vale, se rompa. Ontem, o nível de segurança da estrutura foi elevado para 3, o mais alto, que indica risco iminente de ruptura ou ruptura em andamento. Os cálculos sobre a população a ser retirada e o tempo para a saída foram citados hoje, 23, pelo tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador-adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais.  

Segundo o tenente-coronel o trabalho de qualificação deverá ser concluído até o final do dia de hoje ou neste domingo. Um treinamento com simulação de rompimento só deverá ocorrer amanhã, ou segunda-feira. Godinho, no entanto, afirmou que, caso a barragem se rompa antes, mesmo com o plano ainda sendo trabalhado, as forças de segurança têm condições de retirar as cerca de 9 mil pessoas de suas casas antes que a lama chegue. 

"O plano está sendo qualificado para ter precisão melhor. Estamos falando de três mil residências, ou seja, população grande. Se acontecer nesse exato momento, a polícia militar tem toda a condição de retirar essas pessoas. Só que o plano vai facilitar a coordenação para que isso aconteça. Mas se acontecer rompimento neste momento, os protocolos de segurança estão bem estabelecidos, com tropa da policia militar, uma tropa da defesa civil e dos bombeiros para fazer essa evacuação emergencial em uma hora e doze minutos". 

A sirene do sistema de segurança da barragem foi acionado nesta sexta-feira, por volta das 21h30, depois de reunião entre autoridades e a Vale. No encontro foi informado pela mineradora que a empresa de consultoria contratada para analisar a estrutura ter informado "condição crítica de estabilidade da barragem". Com isso, o nível de alerta da estrutura foi elevado para 3. Em 8 de fevereiro, cerca de 500 pessoas haviam sido retiradas da chamada Zona de Auto Salvamento (Zas) da barragem, depois do acionamento de sirene. Moradores das Zas, pela proximidade com as represas de rejeito, não têm tempo de serem retiradas de casa com intervenção das autoridades. 

Viaturas da Polícia Militar foram enviadas para a cidade. Pontos de encontro para os quais os moradores precisam se dirigir, em caso de colapso da barragem, estão sendo estabelecidos em cada um dos bairros que podem ser atingidos. Conforme a Vale, a elevação do nível de segurança da estrutura foi uma medida preventiva que "se faz necessária tendo em vista o fato de o auditor independente ter informado a condição crítica de estabilidade da barragem. Com o nível 3, foi acionada a sirene de alerta que cobre a Zona de Autossalvamento (ZAS), como reforço de medida preventiva, já que a evacuação da área próxima à barragem foi realizada em 8 de fevereiro".

Divergências

Divergência nos dados apresentados pelos dois sistemas que monitoram a segurança da barragem da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, foi a causa apresentada pela Vale, dona do empreendimento para elevar a 3 o nível de segurança da estrutura, segundo informou hoje, 23, o coordenador do Comitê de Resposta Imediata da empresa, André Klein, em entrevista à Rádio Itatiaia.

O representante da multinacional, para explicar o que ocorreu, fez analogia com o funcionamento de termômetros. "Temos dois sistema independentes de medição. Eles passaram a informar dados divergentes. É como se tivessem termômetros. Se os dois dão 36,5 graus, tá tudo bem. Se os dois dão 38 você está com febre e tem que tratar. Agora, se um dá 36 e o outro dá 40, você passa a perder a referência em relação à sua situação real. Então preventivamente por conta de uma dúvida, de uma não clareza em relação à firmeza dos instrumentos de medição para sustentar a nossa tomada de decisão, nós fomos para o extremo da segurança e elevamos o nível de alerta para 3".

Klein, no entanto, afirmou ainda não saber os motivos que levaram os sistemas a apresentar dados divergentes, e disse que isso está sendo investigado. "Não temos nenhuma associação porque não houve tempo". Sobre o que a empresa poderá fazer com o risco de ruptura da barragem, o representante da Vale afirmou que a empresa vai "suportar a população da melhor forma possível".

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