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Na gestão da Covid-19, Bolsonaro é "capitão sem bússola no meio da tempestade", afirma Le Figaro

Logotipo do(a) RFI RFI 08/06/2020 RFI
© Fotomontagem RFI

O Brasil ganha chamada de capa no jornal Le Figaro desta segunda-feira (8). "Bolsonaro: o capitão sem bússola no meio da tempestade" é a manchete de uma matéria que ocupa duas páginas no diário de direita. "Quatorze meses depois de sua chegada ao poder, o presidente brasileiro está fragilizado pela recusa de levar a sério uma doença que deixou mais de 36 mil mortos no país", afirma o correspondente do Figaro no Rio de Janeiro, Michel Leclercq. 

O jornal classifica a gestão da crise sanitária pelo governo brasileiro como "calamitosa", o que fez do país o novo epicentro da pandemia. Em número de contaminados, o Brasil só fica atrás dos Estados Unidos, com cerca de 700 mil casos confirmados. Já em quantidade de óbitos, o país ocupa a terceira posição, registrando uma morte por minuto, destaca Le Figaro, lembrando que esses números, na realidade, podem ser até dez vezes maiores, devido à falta de testes. "O pico da epidemia no Brasil ainda não está à vista", reitera. 

Isso porque, salienta a matéria, desde que o coronavírus chegou ao Brasil, o presidente minimizou a doença, chegando a classificá-la como "uma gripezinha" ou como "uma fantasia" criada pela mídia. "Jair Bolsonaro usou todo o seu poder para impedir as medidas de distanciamento social impostas por prefeitos e governadores", sublinha, lembrando que o confinamento foi feito "à brasileira", sem uma quarentena obrigatória e seguido por cerca de 50% da população, "por escolha e não por necessidade", afirma Le Figaro.

Em um país onde a metade da população sobrevive graças ao trabalho informal, "as principais vítimas do coronavírus são milhões de pobres que só sobrevivem graças a ajudas sociais". O resultado é "o caos sanitário, com hospitais superlotados, falta de respiradores, médicos e enfermeiros, além de hospitais de campanha que permaneceram vazios diante da falta de organização, enquanto autoridades da saúde enriqueceram superfaturando equipamentos médicos", afirma o diário. 

Nenhuma empatia pelas famílias em luto

Le Figaro também publica que, em todos esses meses de crise sanitária, Bolsonaro não visitou jamais um hospital, nunca dirigiu palavras de reconforto aos profissionais da saúde ou demonstrou empatia pelas famílias em luto. Ao contrário, reitera o texto, "ele desafiou regras de seu próprio governo, multiplicando saídas em Brasília, apertando mãos, beijando crianças, unindo-se a seus apoiadores, sem precaução, nem máscara". 

Além disso, defendeu a polêmica cloroquina, razão pela qual perdeu dois ministros da Saúde em menos de um mês, lembra Le Figaro. "O ex-capitão não acredita na ciência, mas ele tem certeza das virtudes deste controverso medicamento antimalária, autorizado por ele para o uso geral nos hospitais", reitera a matéria. Diante da progressão vertiginosa do vírus, o Ministério da Saúde, atualmente liderado por um general, tenta ocultar o número de óbitos, considerado pelo ministro do STF Gilmar Mendes como "uma manobra de regime totalitário". 

Segundo pesquisas de opinião, "metade dos brasileiros julgam ruim ou muito ruim sua gestão da pandemia", mas o presidente ainda conta com um núcleo fiel de 30% de apoiadores, "independente do que faça ou diga". Para analistas, "o Brasil é como um navio à deriva abandonado em uma tempestade por um presidente incapaz". 

"Ao invés de unir, ele escolhe politizar a morte", reitera a matéria. Entrevistado pelo jornal, o professor Maurício Santoro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o presidente adota a estratégia política de invenção de inimigos. "Assim, ao longo da pandemia, ele atacou a imprensa, o Congresso e o STF", todos menos o coronavírus, que, segundo o cientista político "é apenas um detalhe em sua visão de mundo". 

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