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Assim é o OPPO R9s, o celular da China que desafia o iPhone

Logotipo do(a) EL PAÍS EL PAÍS 19/05/2017 Zigor Aldama
O smartphone OPPO R9s. © Zigor Aldama O smartphone OPPO R9s.

Não é o mais rápido. Nem o mais potente. Embora a estética seja algo muito subjetivo, tampouco é o mais bonito. Nem mesmo conta com um design chamativo ou inovações surpreendentes. E, além disso, é fabricado por uma marca pouquíssimo conhecida no Ocidente. Mesmo assim, o OPPO R9s foi o celular chinês mais vendido do mundo no primeiro trimestre deste ano. Segundo os dados da Strategy Analytics, foram 8,9 milhões de unidades entre janeiro e março, o que lhe confere uma fatia de mercado de 2,5% em nível global e a medalha de bronze do ranking mundial.

FICHA TÉCNICA

Tela: 5,5 polegadas com resolução FHD (1.080x1.920) com uma densidade de pixels de 401 ppi.

Processador: Qualcomm Snapdragon 625 de oito núcleos a 2,0 Ghz.

Memória RAM: 4 GB

Memória interna: 64 GB ampliáveis a 256 GB utilizando a segunda ranhura SIM para um cartão MicroSD.

Câmeras: Posterior de 16 megapixels com flash de duplo tom, óptica com luminosidade f 1.7. Grava vídeos em 4K; A câmera de selfies tem um sensor de 16 megapixels e grava vídeo FHD.

Bateria: 3.050 mAh – não substituível – com sistema de carga rápida que proporciona em torno de 65% da capacidade em 30 minutos.

Sistema operacional: ColorOS, baseado no Android 6.

Dimensões e peso: 153 x 74,3 x 6,6 mm e 145 gramas.

Conectividade: GSM / CDMA / HSPA / EVDO / LTE - Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac, dual-band, WiFi Direct, hotspot / Bluetooth 4.0, A2DP / SIM duplo

Sensores: GPS / GLONASS / BEIDU, leitor de digitais, giroscópio, acelerómetro, proximidade, luz ambiente

O R9s só é superado pelo iPhone 7 (21,5 milhões de unidades e 6,1% de fatia de mercado) e o iPhone 7 Plus (17,4 milhões e 4,9%). Como se fosse pouco, o aparelho da OPPO se encontra a uma distância considerável do quarto colocado, o Samsung Galaxy J3, que vendeu 2,8 milhões de unidades a menos. Assim, as cifras confirmam a marca chinesa como um dos grandes fabricantes mundiais – o quarto ou quinto, segundo quem apresente as cifras –, algo que já se antevia quando, no ano passado, o predecessor R9 se tornou o celular mais vendido do gigante asiático. É, sem dúvida, um feito heroico para um smartphone que gera a maior parte de suas vendas em apenas dois mercados: China e Índia.

De fato, apesar de ser possível comprar R9s no Ocidente por canais alternativos como Aliexpress (por cerca de 1.300 reais), o sucesso do OPPO é a confirmação de que sua estratégia na Índia, onde um rápido crescimento a transformou na terceira marca mais vendida, dá frutos rapidamente. E não só isso: o mais recente representante da marca de Shenzhen, o F3Plus, foi apresentado em Nova Déli e, curiosamente, não é vendido na China. “Vemos certa saturação no mercado doméstico e acreditamos que a Índia seja o país mais promissor no que se refere ao crescimento”, diz ao EL PAÍS uma fonte da empresa que prefere se manter no anonimato. “Por enquanto, descartamos voltar a mercados desenvolvidos como o da Europa”, observa.

Mas, o que tem o R9s para deslumbrar o público tanto quanto o seu antecessor, com o qual se parece muito? A resposta não deve ser buscada num elemento concreto, e sim na solidez do conjunto. O aparelho da OPPO funciona com perfeição e, embora não se destaque em nenhum quesito, é notável em todos. Começando pelo desenho anódino, mas estilizado e com acabamentos excelentes, que lhe dão um aspecto premium. Conta com um processador potente (o Qualcomm Snapdragon 625 com oito núcleos que funcionam a uma frequência máxima de 2.0 GHz) acompanhado de 4GB de memória RAM – mais que suficiente para todos os usuários – e uma excelente tela de 5,5 polegadas com resolução FHD e um dos melhores pares de câmeras do mercado.

ampliar foto O OPPO centrou seu atrativo comercial na fotografia. Z.A.

Não por acaso, a OPPO centrou seu atrativo comercial na fotografia. Diz que seus celulares são especializados em selfies, e não exagera. O R9s não chega ao extremo do F3Plus, que incorpora uma câmera dupla na parte frontal, mas faz autorretratos de 16 megapixels com uma objetiva muito luminosa (f 2.0) e com um software de retoque que oferece inúmeras possibilidades. É possível inclusive gravar imagens com movimento (GIFs) com a câmera selfie.

A câmera principal, por sua vez, também proporciona resultados de alta qualidade. Isso se deve em grande parte ao fato de a OPPO ter decidido usar a lente mais luminosa do mercado (f 1.7), similar a incorporada nos últimos Samsung Galaxy de gama alta, combinada com um sensor de 16 megapixels, no qual o tamanho de cada ponto é um pouco maior que na maioria de telefones (1,12 µm). A única falha é a carência de um estabilizador óptico mecânico que ajude a tirar fotos ainda mais nítidas em condições de pouquíssima luz – à noite ou em interiores mal iluminados –, embora o estabilizador eletrônico seja satisfatório na gravação de vídeo, com resolução de até 4K.

O MELHOR E O PIOR

O melhor:

- Qualidade dos acabamentos e tamanho

- Câmeras anterior e posterior de grande qualidade

- Sistema operacional muito personalizável

- Carga rápida muito eficiente

O pior:

- Carente de inovações

- Não tem NFC e porta USB-C

- Sem estabilizador óptico

Entre os demais componentes se destacam a excelente carga rápida patenteada pela OPPO – chamada VOOC e capaz de carregar em meia hora mais de 60% dos 3.010 mAh da bateria, suficiente para passar o dia – e o vidro Gorilla Glass 5 que cobre a tela e que, em nosso teste, demonstrou resistir sem um arranhão a quedas de até meio metro. Além disso, o leitor de impressões digitais é dos mais rápidos e precisos do mercado, e o corpo metálico é extremamente fino (6,6 milímetros) e leve (145 gramas), embora mantenha a entrada específica dos fones de ouvido. É muito cômodo de segurar.

Finalmente, o sistema operacional, a capa Android ColorOS, é muito intuitivo e completo. Conta com inúmeras funções personalizáveis. Sobretudo um amplo catálogo de gestos: basta aproximar o telefone da orelha para atender uma ligação, virá-lo sobre a mesa para rejeitá-la e, quando no meio de uma conversa afastamos o celular da orelha, ele passa automaticamente para o viva-voz. O qual, diga-se de passagem, oferece um som claro e potente.

Depois está o modo simples, que reduz drasticamente o número de aplicativos na tela, ao mesmo tempo em que aumenta enormemente o tamanho dos seus ícones. É muito recomendável para pessoas com problemas visuais ou para quem não se dá especialmente bem com a tecnologia e prefere ter só as funções essenciais à vista. Também pensado para idosos ou pessoas dependentes, esse modo simples conta com um botão SOS que pode ser configurado para que faça uma chamada aos serviços de emergência ou a um número de telefone específico. Na China vemos várias pessoas da terceira idade usando esse sistema.

AVALIAÇÃO E VEREDICTO

Relação preço/qualidade: 4 de 5

Design: 4 de 5

Inovação: 3 de 5

Manejo: 4 de 5

Extras: 4 de 5

Veredicto:

Muito bom

Recomendável

Neutro

Mais negativo que positivo

Muito negativo

Apesar de lhe faltarem virtudes, é fácil se perguntar se elas bastam para fazer do OPPO R9s o telefone chinês mais vendido. Sobretudo quando há aparelhos concorrentes que superam amplamente as especificações desse smartphone por um preço muito similar. Para citar dois exemplos lançados mais ou menos ao mesmo tempo, o Xiaomi Mi Note 2 e o Xiaomi Mix contam com 2 GB de memória RAM a mais, um processador bem mais potente (o Snapdragon 821) e o estímulo estético da tela curva ou quase sem moldura. Mas não conseguem bater o R9s.

A razão deve ser procurada na estratégia comercial. A OPPO é especialmente forte nos comércios tradicionais, ao passo que a Xiaomi vende sobretudo pela Internet, e só no ano passado começou a inaugurar lojas físicas. Isso faz da OPPO a líder indiscutível das zonas menos desenvolvidas da China, onde vivem cerca de um bilhão de pessoas. Além disso, investe muito em publicidade e estabeleceu uma boa imagem graças a um serviço pós-venda rápido e eficiente. A Xiaomi, enquanto isso, vê seus números serem prejudicados pela dificuldade de acesso aos seus aparelhos.

E a Huawei, que no primeiro trimestre deste ano foi a marca mais vendida da China, com 18% de fatia de mercado, contra os 17% da OPPO, segundo a empresa Canalys, tem um catálogo muito amplo para permitir que um de seus modelos penetre entre os mais vendidos. De fato, a estratégia de concentrar os esforços da empresa em um reduzido número de aparelhos se demonstra adequada para a OPPO ano após ano, e nisso salta à vista sua semelhança com a Apple. Aliás, no que se refere ao design do R9s, a semelhança com o iPhone também vai além do razoável.

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