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Auditoria aponta que produção do novo foguete da NASA vai atrasar novamente

Logotipo do(a) Canaltech Canaltech 11/10/2018 Wagner Wakka
NASA Space Launch System © Fornecido por Unilogic Media Group Ltda NASA Space Launch System

Parece que a NASA não terá um novo foguete para chamar de seu tão cedo. A agência espacial soltou um relatório de auditoria externa nesta quarta-feira (10) em que mostra que o desenvolvimento do Space Launch System (SLS) está atrasado e pode custar ainda mais para ser finalizado. Segundo documento, problemas estão relacionados a prazos com a Boeing.

Agendado para ser finalizado até junho de 2020, o foguete deve ter mais um atraso, ainda não especificado pela NASA. A agência culpa a Boeing pela falta de comprometimento com prazos estipulados. A companhia privada é responsável pela produção do estágio principal do SLS, o qual é responsável, sobretudo, pelas primeiras fases de propulsão.

A Boeing deveria ter entregado este maquinário em junho de 2017, mas informou que a data era impossível. Um novo prazo então foi estipulado para dezembro de 2019, mas o documento informa que esse segundo prazo também não será cumprido. Ainda não há uma nova data combinada, mas estimativas da própria agência apontam para o ano de 2021.

Com isso, claro, também podem-se esperar mais investimentos para que a Boeing entregue o produto que fará o foguete ser montado. Dessa forma, o orçamento para a construção do estágio principal do SLS pode ficar na casa dos US$ 8,9 bilhões. A agência precisa arcar com outros gastos para foguete, como a cápsula Space Shuttle para levar astronautas, na casa de US$ 2 bilhões. As estimativas iniciais eram de que o aparelho custasse perto de US$ 19 bilhões no total.

Foguete já teve sua produção atrasada antes (Foto: Divulgação/NASA) © Fornecido por Unilogic Media Group Ltda Foguete já teve sua produção atrasada antes (Foto: Divulgação/NASA)

Segundo o documento, a Boeing falhou em entender o escopo do projeto, o que resultou em estimativas erradas para a NASA. Contudo, o relatório também aponta ineficiência da companhia, já que somente metade das ações agendadas até o momento para a Boeing foram efetivamente entregues.

O relatório foi feito por uma auditoria externa que inspecionou o projeto e também acusa a NASA de mau gerenciamento. Segundo o documento, a agência não cobra informações detalhadas sobre custos e desenvolvimento do que é feito pela Boeing. Com isso, a empresa privada pode gastar US$ 600 milhões a mais do que o planejado entre 2014 e 2018, sendo que há atrasos no projeto.

Com isso, a auditoria recomenda que a NASA passe a ter um pulso mais firme e passe a acompanhar mais de perto os prazos e desenvolvimentos do SLS pela Boeing para que o “projeto se torne sustentável”, conforme consta no relatório.

Críticas

O novo atraso reforça as críticas da NASA sobre construção do “foguete mais poderoso do mundo”. Esta situação se agravou em fevereiro deste ano, quando a SpaceXlançou o Falcon Heavy, foguete capaz de enviar cerca de 64 toneladas para fora da Terra.

O foguete da companhia de Elon Musk é mais barato, com o custo de 90 milhões de dólares por voo. Segundo estimativa da NextGen Space, ao utilizar a tecnologia da SpaceX, a NASA poderia completar o projeto de voltar à Lua com 10 bilhões de dólares nos próximos 7 anos, em contrapartida a outros 19 bilhões com o SLS, sem contar os reajustes de custo. A economia poderia redirecionar o orçamento para outros projetos como módulos, robôs e estações ainda mais desenvolvidos.

O foguete de Musk está já pronto para ser utilizado, mas tem capacidade um pouco inferior à do SLS. A NASA projeta desenvolver duas versões dele: um chamado de Block 1, para talvez 2021 com capacidade de levar até 90 toneladas; e o segundo modelo, agendado para 2024, deve ser capaz de enviar 131 toneladas para órbita terrestre.

Por fim, vale lembrar que a NASA também terá que lidar com uma conta gorda mesmo depois de o foguete ficar pronto. Cada viagem do SLS está estimada em US$ 1 bilhão, enquanto a SpaceX pretende cobrar algo na casa de US$ 90 milhões por voo com o Falcon Heavy.

Fonte: NextGen, NASA

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