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Como era a anatomia de um crocodilo gigante?

Logotipo do(a) Mundo Estranho Mundo Estranho 16/05/2017 Mundo Estranho - Abril

© Fornecido por Abril Comunicações S.A.

Ele tinha o focinho estreito, placas ósseas nas costas e passava muito tempo debaixo d’água. Essa é a descrição do Sarcosuchus imperator, réptil considerado o maior crocodiliano da história. Como ele não pertenceu à ordem Crocodylia, da qual fazem parte os crocodilos e jacarés atuais, não pode ser chamado de “crocodilo”, embora tenha aparência muito similar. A grande diferença do Sarcosuchus era seu focinho, que lembrava o do gavial. Esse gigantesco animal viveu no começo do Cretáceo, quando o Deserto do Saara, onde foram achados seus fósseis, ainda era uma região pantanosa. Um estudo dos anos 70, porém, atribui fósseis encontrados na Bahia ao gênero Sarcosuchus, corroborando a hipótese de que, antes de se separarem, a África e a América do Sul podem ter tido uma fauna em comum.

É provável que o Sarcosuchus se alimentasse principalmente de peixes. Isso é corroborado pelo focinho em formato semelhante ao do gavial, um crocodilo atual que é majoritariamente piscívoro. Porém, como o Sarcosuchus permanecia crescendo sua vida inteira, o focinho aumentava de tamanho com a idade, tornando provável que ele também predasse animais maiores, como dinossauros. A mordida tinha uma força de 8 toneladas. Isso significa que forçar a abertura de sua boca seria tão difícil quanto erguer uma baleia

BULA

Fósseis encontrados tinham uma depressão no focinho, sugerindo que os tecidos moles nessa parte formavam uma espécie de câmara. Não se sabe ainda a função dessa câmara, chamada bula. Especula-se que ela pudesse servir para ampliar o sentido do olfato ou então para amplificar os grunhidos do animal quando ele se comunicava

OSTEODERMAS

O dorso do animal era coberto por osteodermas, que são depósitos ósseos semelhantes a escamas. Elas serviam principalmente para proteção contra mordidas e ataques de dinossauros. Havia 70 no total, divididas em duas filas de 35.

HABITAT

Diferentemente de seus parentes mais próximos, que viviam em ambientes marítimos, o Sarcosuchus preferia rios. Ele passava boa parte do tempo submerso, apenas com os olhos à espreita, e emboscava animais que vinham à margem beber

CONSULTORIA Dra. Gabriela Sobral, paleontóloga da Universidade Federal de Santa Catarina

FONTES Livro Biology and Evolution of Crocodylians, de Gordon Grigg e David Kirshner; artigos The Giant Crocodyliform Sarcosuchus from the Cretaceous of Africa (vários autores) e The Giant Crocodilian Sarcosuchus in the Early Cretaceous of Brazil and Niger, de E. Buffetaut e P. Taquet

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