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Quem foi Joana D’Arc?

Logotipo do(a) Mundo Estranho Mundo Estranho 17/05/2017 Mundo Estranho - Abril

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Foi uma filha de camponeses franceses que, dizendo-se guiada por vozes de mensageiros de Deus, lutou para salvar a França da invasão inglesa durante a Guerra dos 100 Anos (1337-1453). Em 1328, o rei francês Carlos 4o morreu sem deixar um herdeiro. Os ingleses, por serem parentes mais próximos dos últimos reis da dinastia dos capetíngios diretos, que dominava a França desde 987, consideravam-se herdeiros legítimos. Assim, declararam guerra a seus primos para conquistar o trono francês. O interesse da Inglaterra no comércio de lã de Flandres, dominado pela França, e a ajuda francesa ao movimento de resistência escocês também motivaram a guerra. Em 1422, o rei francês Carlos 6o morreu – e um bom pedaço do território do país já estava sob domínio inimigo. O novo rei, Carlos 7º, ainda não tinha sido coroado. Mesmo assim, ele que abriu as portas do castelo para ouvir a camponesa mística.

1. Joana D’Arc nasceu no vilarejo de Domrémy em 1412. Filha de camponeses relativamente ricos, ela era ruiva, religiosa e analfabeta. Por volta dos 13 anos, afirmou ouvir vozes do Arcanjo São Miguel, de Santa Catarina de Alexandria e de Santa Margarida de Antioquia. As vozes lhe deram quatro missões: acabar com o cerco inglês em Orleans; levar o novo rei para ser coroado, conforme as tradições, em Reims; expulsar os invasores de Paris; e libertar o duque de Orleans, primo do monarca

2. Joana conseguiu se encontrar com o rei no castelo de Chinon. Ela foi interrogada por conselheiros reais e teólogos e teve sua virgindade verificada por matronas. Os senhores chancelaram a sinceridade da fé da garota, que então recebeu do rei uma espada, um estandarte grafado com as palavras “Jesus-Maria” e, embora não tenha sido nomeada cavaleira, se uniu aos soldados franceses com destino a Orleans

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3. Joana lutou ao lado dos soldados franceses, vestida como eles, contra a dominação inglesa em diversos campos: bastilha de Saint-Loup, torre des Augustins, torre de Tourelles, Jargeau e Patay. Sua principal contribuição era manter o moral dos soldados com palavras de confiança. A fama de guerreira se espalhou, e assim ela passou por cidades como Gien, Mézilles, Auzerre e Saint Paul. Depois marchou a Reims, onde Carlos 7° foi coroado no dia 17 de julho de 1429

4. Joana conseguiu cumprir suas duas primeiras metas. A terceira missão era libertar Paris, o que não aconteceu. Joana foi ferida e seu pajem morto. As forças francesas foram derrotadas pelos ingleses em setembro de 1429. Meses depois, Joana e seus soldados se uniram ao exército real para libertar Compiègne e, em maio de 1430, Filipe, o Bom, sitiou a cidade. Joana foi presa por um escudeiro borguinhão e vendida ao rei da Inglaterra por 10 mil libras

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5. Mais de 100 juízes e especialistas participaram do julgamento de Joana por feitiçaria. Entre eles, apenas sete ingleses – todos os demais eram franceses. O interrogatório durou um mês. Dois pontos (discutíveis) condenaram a ré: as vozes, que viriam do diabo na interpretação dos magistrados; e o uso teimoso de vestes masculinas, inadmissível para uma dama da época. Condenada, Joana foi queimada viva aos 19 anos, em 30 de maio de 1431

6. Quatro anos depois, a nobreza francesa se reconciliou e virou o rumo da guerra, que terminou em 1453 com a vitória francesa. Carlos 7° mandou revisar o caso e negociou com a Igreja, pois não podia ter sua vitória associada a uma herege. Em 1455, o papa Calisto 3o aceitou o pedido de revisão da família D¿Arc e, em 1456, a condenação foi anulada. Em 1920, a donzela foi canonizada. Símbolo da resistência francesa contra a invasão, Joana é desde 1922 a padroeira da França

7. O fascínio pela história inspirou lendas e mitos. Uns dizem que Joana sobreviveu à fogueira (outra mulher teria sido queimada no seu lugar). Outros acreditam que ela era filha bastarda da rainha Isabel da Baviera e do duque Luís de Orleans, irmão de Carlos 6°. Às vezes as duas teses se encontram em uma das versões mais delirantes: Joana não só seria filha do duque mas assumiria outra identidade anos após escapar do fogaréu, como Claude des Armoises, uma aventureira que viveu em meados do século 15

Intervenção divina

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Por que o rei Carlos 7o deu ouvidos a uma camponesa iletrada? Na época, profecias não eram exatamente algo de outro mundo – outros reis ouviam profetas também. Entre 1350 e 1450, uma crise econômica se arrastava na Europa, com a peste, a guerra e um cisma dentro da Igreja. Assim, os reis estavam mais predispostos a ouvir os emissários divinos, pois acreditavam que, de fato, Deus intervinha na história dos homens e poderia salvá-los

CONSULTORIA Victor Villon, historiador e doutorando em história social da cultura pela PUC-Rio

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FONTES Livros Joana D’Arc, de Mary Gordon, e Joana D’Arc: Verdades e Lendas, de Colette Beaune

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