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Alvos de Ciro no passado, antigos adversários resistem a aliança

Logotipo do(a) Agência O GloboAgência O Globo 18/06/2018 Agência O Globo -
Pedetista tenta vencer resistências e atrair esquerda e centro-direita. © Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr Pedetista tenta vencer resistências e atrair esquerda e centro-direita.

Empenhado em angariar apoios para sua candidatura presidencial, Ciro Gomes (PDT-CE) enfrenta o desafio de superar resistências de antigos adversários — hoje possíveis aliados — que já foram alvos de ataques do pedetista.

A ambição de Ciro é fechar uma coligação que dê preferência a partidos de esquerda, como PSB e PCdoB, sem excluir um acordo com siglas de centro-direita, como DEM e PP. Mas o estilo verborrágico assusta potenciais apoiadores, especialmente os de centro-direita.

No DEM, partido que virou fiel da balança do centrão, há uma ala “em pânico” com a possibilidade de aliança com Ciro, defendida por parte da legenda. Em 2005, então ministro do governo Lula, ele chamou o atual presidente do DEM, ACM Neto, de “tampinha” e “anão moral”. Três anos antes, no entanto, Ciro havia recebido o aval do PFL (que depois foi batizado de DEM) e de ACM à sua candidatura ao Palácio do Planalto.

Mais recentemente, o pedetista fustigou um ex-líder do DEM na Câmara, o deputado Pauderney Avelino (AM): “Esse capitão do impeachment, capitão de pau, foi corretor da compra de votos da reeleição”, disse.

— Eu não dou muita atenção para esse cidadão. É um descompensado — diz Pauderney, que está processando Ciro.

A origem política de Ciro é de direita. Ele começou sua carreira em 1982, no Ceará, como deputado estadual do PDS. De lá para cá, mudou de partido seis vezes.

Além do temperamento de Ciro, alguns quadros da centro-direita questionam o programa de governo do pedetista.

— Nós temos um pé no mercado financeiro. Como vamos explicar um apoio a quem diz que vai revogar a reforma trabalhista e o teto de gastos?— pondera um centrista que vem mantendo conversas com a campanha de Ciro.

Diferentemente da centro-direita, esquerda e centro-esquerda partilham da agenda do pedetista. Mesmo sem a dificuldade programática, a esquerda também está sujeita a farpas desferidas pelo presidenciável. Hoje, Ciro busca como aliado preferencial o PSB, mas no passado acusou o falecido Eduardo Campos — morto em 2014 — de controlar a burocracia do partido “como uma capitania hereditária que herdou do avô (Miguel Arraes)”.

Num episódio recente, Ciro defendia um irmão de um grupo de populares, no meio da madrugada, e ao ouvir menção ao nome do ex-presidente Lula, xingou o petista.

Pessoas próximas ao pré-candidato revelam que ele está “muito bem treinado” para não falar mal de Lula. Ciro não conta com o apoio do PT no primeiro turno, mas sonha em obtê-lo caso chegue ao segundo.

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