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Fake news, ensino público e armas: O debate entre PSol, Rede e MBL na USP

Logotipo do(a) HuffPost Brasil HuffPost Brasil 14/09/2018 Débora Melo
Sâmia Bomfim e Isa Penna, do PSOL; Zé Gustavo, da Rede; Kim Kataguiri e Arthur do Val, do MBL. © Reprodução Sâmia Bomfim e Isa Penna, do PSOL; Zé Gustavo, da Rede; Kim Kataguiri e Arthur do Val, do MBL.

A fim de promover um debate "sem pregar para convertidos", estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) – Largo São Francisco convidaram integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre) que disputam as eleições pelo DEM para debater com candidatos do PSol e da Rede no evento As Juventudes na Política, na noite desta quinta-feira (13).

O auditório da universidade ficou lotado de gente interessada em ouvir Sâmia Bomfim (PSol), Zé Gustavo (Rede) e Kim Kataguiri (DEM), candidatos a deputado federal por São Paulo; e Isa Penna (PSol) e Arthur do Val (DEM), do canal Mamãe Falei, candidatos a deputado estadual.

A polêmica foi aberta por Kim Kataguiri, que logo no início do debate criticou o modelo de financiamento da USP. Assim como outras universidades estaduais, a USP recebe uma porcentagem fixa do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços).

"Por que manter esse sistema no qual os mais pobres são obrigados a financiar uma universidade à qual eles não vão chegar nem pelo sistema de cotas, porque os mais pobres de fato não terminam nem o ensino médio?", questionou o líder do MBL, que é contra as cotas.

Isa Penna aproveitou a deixa e defendeu uma das principais propostas do Psol, de taxar os mais ricos.

"Que tal se, para custear uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos, a gente não começasse a cobrar imposto de quem tem jatinho, iate e helicóptero?"

Debate teve discussão de ideias, mas também momentos de tensão e constrangimento. © Débora Melo Debate teve discussão de ideias, mas também momentos de tensão e constrangimento.

O youtuber Arthur do Val também voltou ao tema, e coube a ele a missão de ser o mais agressivo da mesa. Tão logo começou a falar, porém, o candidato foi vaiado pela plateia.

"Eu adoro ser o mais vaiado, principalmente em um ambiente como este, em que vocês estudam de graça. A gente vai privatizar isso tudo aqui, e aí vocês vão chorar", disse. "Tem muito comunistinha com 'nojinho' da palavra privatização. O playboyzinho que fica fumando maconha no CA [centro acadêmico] e tem condição de pagar a universidade vai pagar a mensalidade, sim", disse, em outro momento do debate.

O MBL levou uma pequena claque para o debate. Vestidas com camisetas do movimento, garotas gritavam "maravilhoso" a cada fala de Kataguiri, e rapazes aplaudiam e assoviavam. Do lado oposto, o apoio às candidatas do PSol era manifestado na forma de gritos como "sou feminista, sou radical, eu quero Sâmia deputada federal".

Com tantas divergências entre os convidados, nem só de propostas foi construído o debate. "A Sâmia se diz feminista, mas raspa o sovaco", provocou Mamãe Falei. A vereadora rebateu: "Isso é de uma ignorância tão grande, a luta feminista se trata de outras coisas, se trata de igualdade de oportunidades entre os gêneros, do combate à violência contra as mulheres, igualdade salarial, etc."

Fake News

Após uma pergunta sobre combate a fake news respondida por Kataguiri, Sâmia Bomfim lembrou a execução da vereadora Marielle Franco (PSol) há exatos 6 meses no Rio de Janeiro e acusou o MBL de disseminar notícias falsas sobre a correligionária.

Debate lotou auditório da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. © Débora Melo Debate lotou auditório da Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

"Boa parte da difamação em torno do nome de Marielle Franco partiu de vocês. Nós nunca perdoaremos vocês por isso, e as ruas vão cobrar toda essa irresponsabilidade", disse Bomfim. Em outro momento, ela sugeriu que o adversário "lave a boca" antes de pronunciar o nome de Marielle.

Os representantes do MBL negaram que tenham espalhado fake news sobre a vereadora. "Daqui a pouco a Sâmia vai nos chamar de assassinos da Marielle. Desafio qualquer um a mostrar uma fake news que tenhamos divulgado sobre ela", rebateu Arthur do Val.

Zé Gustavo, que é um dos fundadores da Rede Sustentabilidade, também acusou o MBL de publicar notícias falsas. Ao final do debate, ele fez um alerta à plateia: "Nós corremos o risco de que o Kim de hoje se torne o [Eduardo] Cunha de amanhã".

Armas

Questionado sobre por que defender a facilitação da posse e do porte de arma em uma sociedade polarizada e na qual os discursos de ódio ganham força, Arthur citou frases ditas por lideranças da esquerda – como "vamos incendiar o País", de João Pedro Stédile, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) – para se justificar.

"O negócio é o seguinte, brother: se você quiser me desarmar para eu ficar à mercê desse tipo de violência, eu sou totalmente contra", afirmou o youtuber.

O debate foi organizado por integrantes do Movimento Travessia, coletivo de alunos da Faculdade de Direito da USP.

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