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"Trump brasileiro faz campanha de hospital", diz jornal francês

Logotipo do(a) RFI RFI 5 dias atrás RFI
© Fotomontagem RFI

O jornal Le Parisien desta sexta-feira (14) descreve como o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, tenta prolongar sua imagem de “ferido em nome da pátria” para continuar crescendo nas pesquisas. Bolsonaro foi alvo de um atentado no último dia 6 de setembro e se recupera de mais uma cirurgia na UTI do Hospital Albert Einstein em São Paulo.

Com Lula, o antigo favorito, na cadeia, é da cama de um hospital que o atual líder das pesquisas faz campanha”, escreve Nicolas Berrod. O jornalista conta que desde que o candidato da extrema-direita foi esfaqueado, a corrida presidencial ficou “ainda mais maluca”, a menos de um mês para o primeiro turno que acontece no dia 7 de outubro.

O jornal lembra que Bolsonaro é um ex-militar de 63 anos que voltou a ser operado na quarta-feira (12), e que terá que ficar mais alguns dias em repouso. “O que não o impede de ficar na ativa”, diz Berrod. Bolsonaro voltou a crescer nas pesquisas e continua mantendo sua presença nas redes sociais. “Algumas pessoas próximas ao candidato não pensaram duas vezes em colocar fotos de seu ferimento na internet, considerado de muito mau gosto por parte da opinião pública brasileira”, conta o diretor executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (OPALC), Gaspard Estrada.

O diário diz também que, após um período de trégua, os rivais voltaram a atacar Bolsonaro, apresentado como um “machista” e “homofóbico”, “favorável à pena de morte e ao porte de armas”. “É preciso destacar também que Bolsonaro e seus aliados foram os primeiros a colocar lenha na fogueira ao dizer que estavam ‘em guerra’ contra o Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula”, escreve Berrod.

Os órfãos de Lula

O jornal francês também falou dos “órfãos de Lula”, que não poderão votar no candidato que está cumprindo 12 anos de prisão e que abriu mão dos últimos recursos para tentar concorrer às eleições. “Toda a questão agora é saber para quem irão os votos do ex-presidente que aparecia com 40% das intenções de voto" diz Berrod.

Nicolas Berrod lembra que o candidato oficial do PT aparece com somente 10% nas pesquisas. “O PT vai aproveitar o grande espaço de tempo que terá nas TVs para associar Lula a Haddad”, antecipa o diretor executivo do OPALC, Gaspard Estrada.

Para o especialista, a dificuldade é saber se uma parte dos votos de Lula não poderiam acabar indo para Bolsonaro. “Ele aposta no descontentamento da população com a classe política e se apresenta como o candidato que pode colocar ordem na casa”, analisa Estrada, mesmo sabendo que o perfil dos eleitores do PT normalmente não se parece com os de Bolsonaro.

Enquanto Bolsonaro não sai do hospital, o jornal ressalta que seus filhos, que também estão na política, continuam a garantir presença em atos públicos em nome do pai. Mas o jornalista Nicolas Berrod acredita que provavelmente acontecerá no Brasil, o que ocorreu na França, quando Macron bateu a candidata da extrema-direita Marine Le Pen. Na ocasião, o francês aproveitou o efeito de “tudo menos Le Pen”.

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