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Oposição venezuelana lança ofensiva contra Maduro com apoio de EUA e Brasil

Logotipo do(a) EL PAÍS EL PAÍS 24/01/2019 Alonso Moleiro,Pablo Guimón
Guaidó fala a seus partidários nesta quarta-feira em Caracas. © FEDERICO PARRA (AFP) Guaidó fala a seus partidários nesta quarta-feira em Caracas.

O líder oposicionista venezuelano Juan Guaidó proclamou-se presidente do país nesta quarta-feira ao considerar ilegítimo o segundo mandato de Nicolás Maduro. “Juro assumir formalmente as competências do Executivo nacional como presidente encarregado (interino) da Venezuela para conseguir a cessação da usurpação”, disse em Caracas o presidente da Assembleia Nacional — o Parlamento de maioria oposicionista declarado “em desacato” pelo regime — durante um dia de mobilizações em massa. O Governo dos Estados Unidos o reconheceu oficialmente como “presidente interino”. Em seguida se juntaram Brasil, Colômbia, Peru, Equador, Costa Rica, Chile e Argentina, além do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Guaidó decidiu dar o passo que parte importante da sociedade venezuelana lhe estava pedindo e prestou juramento publicamente como presidente encarregado do país, apoiando-se na interpretação do artigo 233 da Constituição, que autoriza o Legislativo a exercer funções quando o cargo da presidência está vago. Seu objetivo é conseguir a formação de um “Governo de transição e eleições livres”.

Sua declaração transcendeu o simbolismo do gesto e gerou uma reação em cadeia da comunidade internacional diante de um Governo cada vez mais isolado. Começando pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que quase imediatamente deu seu apoio e reconhecimento ao líder oposicionista. A decisão aconteceu depois de uma série de anúncios que marcaram o aumento do envolvimento de sua Administração na situação do país latino-americano.

Em um comunicado, Trump encorajou outros Governos ocidentais a reconhecer Guaidó como presidente interino e disse que vai usar “todo o peso do poder econômico e diplomático dos EUA para pressionar pela restauração da democracia venezuelana”.

Alguns dos principais Governos da região se pronunciaram imediatamente. Os presidentes do Brasil, Colômbia, Argentina, Peru, Equador e Costa Rica anunciaram no fórum econômico de Davos que também reconhecem Guaidó. A eles se juntaram as felicitações de Luis Almagro, secretário-geral da OEA. O presidente brasileiro em exercício, Hamilton Mourão, disse contudo que o apoio a Gauidó deve ser apenas político. “O Brasil não participa de intervenção. Não é da nossa política externa intervir nos assuntos internos dos outros países”, disse Mourão, ao ser questionado por jornalistas. Segundo ele, o Brasil "vai protestar, mas não vai fazer mais nada além disso".

Uma exceção significativa entre os gigantes da América Latina é representada pelo México. O porta-voz do governo de López Obrador disse a este jornal que “no momento não há mudança na postura do México” em relação à crise da Venezuela, por isso continua reconhecendo Nicolás Maduro como presidente do país caribenho, informa Javier Lafuente. O México se ampara na “não intervenção” para manter seu critério. A União Europeia também preferiu a cautela.

Depois de horas de silêncio e negociações com as capitais, a Alta Representante de Política Externa da UE, a socialista italiana Federica Mogherini, conseguiu emitir uma declaração em que a rejeição a Maduro foi mantida, mas sem apoiar claramente a autoproclamação de Guaidó. O texto cuidadoso e medido reflete as diferenças óbvias dentro da UE, onde os defensores do apoio descarado do presidente da Assembleia convivem com aqueles que preferem optar por uma transição que evite, entre outras coisas, um possível banho de sangue.

Manifestantes da oposição, nesta quarta-feira em Caracas. © FEDERICO PARRA (AFP) Manifestantes da oposição, nesta quarta-feira em Caracas.

No dia 10 de janeiro Maduro culminou a deriva do regime com uma posse rejeitada pelas principais instâncias da comunidade internacional, de Washington a Bruxelas, e a maioria dos Governos da região. O sucessor de Hugo Chávez, que em maio venceu uma eleição realizada sem a participação da maioria das forças da oposição, exibiu, não obstante, o apoio de Rússia, China e Turquia. Na América, Maduro mantém o apoio expresso do presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, do regime autoritário do nicaraguense Daniel Ortega e do Executivo de Evo Morales, na Bolívia.

O novo chefe da oposição venezuelana chamou o país às ruas nesta quarta-feira, 23 de janeiro, data em que a democracia começou no país, sob o lema de não reconhecer o Governo chavista e pedir eleições limpas.

“Hoje a esperança renasce na Venezuela”, disse Guaidó. “Não vamos deixar nossa gente só. Enquanto Maduro não protege ninguém, vamos resgatar esta Constituição, os direitos humanos, e sim, hoje damos um passo mais. Que não haja dúvidas, o povo sairá no fim de semana para entregar a Lei da Anistia [prometida aos militares] e receber a primeira semana de ajuda humanitária. Espero que a família militar fique do lado do povo”.

Mensagem em vídeo de Pence

Sua estratégia consiste em obter apoio interno, embora principalmente o suporte externo. Na terça-feira, já havia conseguido o do vice-presidente dos EUA, Mike Pence. Em uma mensagem em vídeo ofereceu seu “apoio inquebrantável” aos protestos em massa na Venezuela contra o presidente Maduro realizados durante o dia, em uma explícita demonstração de apoio da Administração Trump à oposição venezuelana. “Enquanto o bom povo da Venezuela faz ouvir suas vozes amanhã [nesta quarta-feira], em nome do povo norte-americano dizemos: estamos com vocês. Nós nos levantamos com vocês e continuaremos com vocês até que a democracia seja restaurada e vocês reivindiquem seu direito natural à liberdade”, disse Pence na mensagem, com algumas expressões em espanhol.

“Nicolás Maduro é um ditador sem direito legítimo algum ao poder. Nunca ganhou a presidência em uma eleição livre e justa, e se agarrou ao poder prendendo qualquer um que ousar se opor a ele”, continua o vice-presidente no vídeo transmitido pelo Twitter. Pence assinou seu inequívoco apoio à oposição venezuelana com um artigo de opinião que publicou no The Wall Street Journal, no qual elogia repetidamente Guaidó, a quem se refere como “corajoso presidente” da “legislatura legítima da Venezuela”. Esse mesmo apoio à Assembleia Nacional como “o único órgão democrático legítimo do país”. Pence manifestou diretamente ao líder da oposição por telefone, segundo o The New York Times, em 15 de janeiro.

“Encorajamos o presidente [Trump] a seguir em frente”, disse o senador republicano Marco Rubio após se reunir com o presidente na Casa Branca. Trump convocou nesta quarta-feira uma reunião no Salão Oval, que contou com a presença do próprio Rubio, Pence e da equipe de segurança nacional. Nicolás Maduro não demorou a responder. Afirmou que ordenou “uma revisão total e absoluta da relação” da Venezuela com os Estados Unidos e deu 72 horas para que a equipe diplomática norte-americana deixe o país.

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