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Empresas de moradia compartilhada despontam na capital

Logotipo do(a) Veja São Paulo Veja São Paulo 3 dias atrás Mônica Santos
Área social de uma unidade da Amora: quarto por até 3 000 reais por mês no Alto de Pinheiros © (DivulgaçãoVeja SP)/Veja SP Área social de uma unidade da Amora: quarto por até 3 000 reais por mês no Alto de Pinheiros

Quarto individual da Yuca, na Avenida Angélica © (Rogério PallattaVeja SP)/Veja SP Quarto individual da Yuca, na Avenida Angélica

A cozinha compartilha da Uliving, nos Jardins: área de alimentação também estimula convivência © (Alexandre BattibugliVeja SP)/Veja SP A cozinha compartilha da Uliving, nos Jardins: área de alimentação também estimula convivência

Quarto compartilhado no Share Student Living, na Consolação © (DivulgaçãoVeja SP)/Veja SP Quarto compartilhado no Share Student Living, na Consolação

Quarto individual da Amora Residências: opção no Alto de Pinheiros © (DivulgaçãoVeja SP)/Veja SP Quarto individual da Amora Residências: opção no Alto de Pinheiros

Quarto individual da Uliving, nos Jardins: só para estudantes © (DivulgaçãoVeja SP)/Veja SP Quarto individual da Uliving, nos Jardins: só para estudantes

Esqueça o perrengue para conseguir um fiador, as confusões para partilhar as despesas, o desespero para preencher a vaga de alguém que decidiu ir embora. As repúblicas à moda antiga, com as suas alegrias e dores, seguem firmes e fortes, mas um novo jeito de dividir residências, denominado coliving, vem fazendo a cabeça de estudantes, jovens em início de carreira e nômades globais que vivem na capital.

Nesse modelo de moradia coletiva, o contrato é fechado diretamente com uma empresa, que assume a responsabilidade de administrar o local, realizar uma limpeza periódica e resolver todos os problemas que surgirem. Entupiu a pia, queimou o chuveiro, sumiu o sinal do wi-fi? É só chamar o “síndico”. O quarto, em geral individual, é mobiliado, assim como as demais dependências, tudo num estilo moderninho, com cara de casa de revista.

Despesas básicas como água, luz, gás e internet integram a mensalidade ou são cobradas junto com ela em um boleto único. O novo morador leva somente objetos pessoais e roupa de cama. A lista de áreas comuns, além de cozinha, sala de tv, lavanderia e sala de estudos, pode incluir academia superequipada, espaço de festas com churrasqueira, coworking, piscina e até rooftop — todos os espaços compartilhados são pensados para que as pessoas interajam e criem conexões. visitas costumam ser bem-vindas e existe a possibilidade de pernoite.

Fernando Henrique Basso Filho: morador da Uliving (Foto: Alexandre Battibugli) © Alexandre Battibugli/Veja SP Fernando Henrique Basso Filho: morador da Uliving (Foto: Alexandre Battibugli)

Outro ponto a favor de tais moradias é a localização: elas estão nos melhores bairros da cidade e perto de estações de metrô. O pacote de comodidades, é claro, tem um preço alto quando comparado ao das repúblicas: o leito varia de 1 000 reais mensais, em quarto compartilhado, a 4 000 reais. Detalhe: a maior parte das acomodações está lotada e com fila de espera.

Aluno do curso de comércio internacional na Anhembi Morumbi, Fernando Henrique Basso Filho, 21 anos, trocou um casa na vila Mariana, que dividia com uma amiga, por um quarto da Uliving — atualmente ele paga 1 720 reais  por mês para residir nos Jardins. “Além de toda a praticidade, meu maior ganho foi a convivência com intercambistas de outros países”, diz ele.  Um ponto que também se mostra favorável ao negócio é, segundo Juliano  Antunes, CEO da Uliving, a segurança. “Os pais têm a tranquilidade de saber que todo o acesso é controlado.”

Pioneira em investir nesse conceito de moradia por aqui,  a empresa surgiu em 2012 e só aceita estudantes. Hoje,  mantém 282 leitos na cidade, divididos em dois edifícios  que passaram por retrofit. Um deles, no número 433 da  Avenida Duque de Caixas, deu nova vida ao antigo Hotel Jaguar; o outro, na Alameda Lorena, 94, tirou do  ostracismo um imóvel de onze andares que pertencia ao  Grupo Pão de Açúcar e ficou fechado por quinze anos.  A empresa também tem unidades em Ribeirão Preto e  no Rio de Janeiro e planos de expansão para outras cidades nos próximos anos. “Há no país 8 milhões de universitários, 6 milhões estão em curso presencial e pouco  mais de 30% se desloca para estudar. É um cenário bastante promissor”, avalia Antunes.

Juliano Antunes, CEO da Uliving: planos de expansão para os próximos anos © Alexandre Battibugli/Veja SP Juliano Antunes, CEO da Uliving: planos de expansão para os próximos anos

Também focada nos estudantes, a Share Student Living inaugurou seu primeiro empreendimento do gênero em 2018, na Vila Buarque, a 350 metros do Mackenzie. Nem bem começou o ano letivo e seus 236 leitos  estão ocupados. O prédio foi construído do zero, assim  como serão os dois próximos previstos para inaugurar no ano que vem, na Vila Mariana e no Butantã. A meta  de crescimento é atingir 3 000 camas até 2023.

O coliving também tem despertado a atenção de investidores que atuam comprando e reformando casas e apartamentos muito bacanas e bem localizados para  atender jovens em início de carreira. Neste nicho estão  a Amora Residências e a Yuca.  Esta última, que captou investimentos de 20 milhões de reais e pretende fechar  o ano com 500 unidades e 1 500 leitos, foi a escolha de Marina Sales, 28 anos, sócia de uma empresa de tecnologia da área financeira. “Eu me decidi principalmente pela comodidade. Minha única preocupação é  pagar uma conta no fim do mês. Além do apartamento ser muito confortável, a experiência está sendo ótima como networking”, conta ela, que ocupa um quarto  espaçoso de um apartamento de 154 metros quadrados na Avenida Angélica.

Marina Sales e Lara Barreto moradoras de uma casa da Yuca: apartamento de 154 metrosquadrados na Avenida Angélica © Rogério Pallatta/Veja SP Marina Sales e Lara Barreto moradoras de uma casa da Yuca: apartamento de 154 metrosquadrados na Avenida Angélica

É lá também que mora a administradora Lara Barreto, de 29 anos. Ela faz coro no  quesito praticidade. “Estava com vontade de mudar, morar em um lugar legal, decorado, mas a ideia de  fazer tudo sozinha me desanimava. O modelo foi perfeito para o que eu procurava”, diz.

No bolso > quanto custa viver em uma moradia compartilhada

O rooftop do Share Student Living, na Consolação: o empreendimento tem fila de espera © Divulgação/Veja SP O rooftop do Share Student Living, na Consolação: o empreendimento tem fila de espera

Amora Residências (amorare.com.br)

> Número de leitos: 20 (Vila Mariana), 16 (Alto de Pinheiros) e 16 (Butantã)

> Preço: 1 000 reais (quarto duplo na Vila Mariana) a 3 000 reais (quarto individual no Alto de Pinheiros)

> Serviços inclusos: internet, água, luz, gás, IPTU, TV na sala, lavanderia (quatro fichas) e limpeza mensal do quarto

> Status: esgotado; há lista de espera

Share Student Living (sharesl.com.br)

> Número de leitos: 236 (Consolação)

> Preço: 1 600 reais (beliche em apartamento com três dormitórios), 2 300 reais (em quarto para duas pessoas), 2 800 reais(quarto individual em apartamento com três dormitórios)e 4 000 reais (individual)

> Serviços inclusos: internet e limpeza semanal do quarto

> Status: esgotado; há lista de espera

Uliving (uliving.com.br)

> Número de leitos: 157 (Jardins) e 125 (433, no centro)

> Preço: No 433, 1 000 reais o quarto compartilhado e 2 300 reais o individual; nos Jardins, 1 800 e 3 500 reais, respectivamente

> Serviços inclusos: internet, água e luz. Uso da lavanderia e limpeza do quarto são cobrados à parte

> Status: 80% ocupado; lista de espera para alguns tipos de quarto

Yuca (yuca.live)

> Número de leitos: 85 distribuídos por 26 apartamentos localizados em bairros como Pinheiros, Jardins e Brooklin

> Preço: a partir de 2110 reais o quarto individual

> Serviços inclusos: internet, condomínio,

IPTU, água, luz, gás, TV no quarto e limpeza semanal do quarto e áreas comuns

> Status: novas vagas a partir de abril; há lista de espera

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