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Doria, Marina Silva, FHC... O que os políticos falaram sobre a delação da JBS

Logotipo do(a) EL PAÍS EL PAÍS 19/05/2017 Felipe Betim
Dois homens assistem ao discurso de Temer, nesta quinta. © Fernando Bizerra Jr. Dois homens assistem ao discurso de Temer, nesta quinta.

Lideranças políticas brasileiras, algumas delas presentes nas bolsas de aposta para disputar uma eleição presidencial – direta ou indireta –, reagiram à hecatombe política causada pelas últimas notícias envolvendo o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves. Em conversa gravada, o pemedebista trata com Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, de uma série de assuntos, como o de pagamentos ao ex-deputado Eduardo Cunha, que atualmente está preso cumprindo pena, e até da compra de procuradores e juízes. Já o senador mineiro pediu, segundo ele mesmo confirmou, dois milhões de reais ao magnata para cobrir despesas referentes à Operação Lava Jato.

A ex-senadora e ex-candidata à presidência Marina Silva, da REDE, gravou um vídeo para dizer que "o presidente não está mais em condições de governar", confirmando o que "a fraude de 2014 já sinalizava: nem Dilma e nem Temer teriam condições e legitimidade de conduzir o país". Marina, que aparece bem colocadas nas pesquisas e deve sair candidata, conclui sua fala pedindo por eleições diretas: "O Congresso Nacional pode prestar um grande serviço pra sociedade brasileira aprovando a emenda apresentada pelo deputado Miro Teixeira que possibilita uma nova eleição direta, pra que a sociedade possa fazer a escolha daquele que, bom base em um programa, poderá fazer a transição nesse difícil momento que estamos atravessando". Parlamentares da REDE apoiados pelo PSOL, que também faz oposição ao Governo Temer, protocolaram pedidos de impeachment na manhã desta quinta. Ambos os partidos pedem eleições diretas.

João Doria (PSDB), atual prefeito de São Paulo e outro possível candidato a presidência da república, também gravou um vídeo para pedir "equilíbrio e serenidade". O tucano, que apoia o Governo Temer, diz que "os fatos são muito graves", mas também afirma que as reformas levadas a cabo pelo Governo são essenciais "para gerar crescimento e emprego". Devido ao seu bom desempenho eleitoral em São Paulo e a dúvida que paira sobre seus colegas de partido, atingidos pela Lava Jato, especula-se que Doria possa investir em uma candidatura presidencial.

Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também do PSDB, usou seu perfil no Facebook para dizer que a "grave crise atual deve dar-se no absoluto respeito à Constituição". Isso poderia ser interpretado como um respaldo a que sejam realizadas eleições indiretas, o caminho natural caso Temer deixe o cargo. Neste caso, especula-se que o ex-mandatário poderia ser o escolhido pelo Congresso. Sobre isso uma possível renúncia de Temer, o tucano foi enfático: "Os atingidos por elas têm o dever de se explicar e oferecer à opinião pública suas versões. Se as alegações de defesa não forem convincentes, e não basta argumentar são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia". Consultado por este jornal, o PSDB afirmou não ter ainda uma posição oficial a respeito de uma possível renúncia ou se apoiará eleições diretas ou indiretas.

Outro presidenciável que se pronunciou, mas de forma mais discreta, foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele lidera as pesquisas de opinião e já disse que quer ser candidato, mas depende de escapar de ser condenado pela Justiça. Ainda na noite desta quarta, seu perfil no Facebook divulgou duas fotos na qual aparecem o juiz Sérgio Moro acompanhado de Aécio e Temer. Nesta quinta, as fotos já haviam sido apagadas. De todas as formas, o PT lançou uma nota afirmando que não há "saída democrática sem o voto universal, livre e direto".

Ronaldo Caiado, do Democratas, que forma parte da base aliada do Governo, contrariou seu partido e pediu a renúncia de Temer. Em várias declarações, divulgadas em sua página do Facebook, disse defender a mudança na Constituição para a realização de eleições diretas. Ele é considerado um nome mais forte de seu partido e também é um provável candidato para as próximas eleições - seja lá quando elas se realizem. A posição oficial do DEM é cautela. O presidente José Agripino admitiu a gravidade das acusações, mas disse que "a hora é de aguardar consistência e confirmação dos fatos".

Também usando sua página no Facebook, o ex-presidente Fernando Collor, que renunciou ao seu cargo em meio a um processo de impeachment, também pediu cautela. Concluiu dizendo que "as duas Casas Legislativas são responsáveis o suficiente para que possamos encontrar o nível de crescimento e igualdade social que desejamos".

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