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Palocci intermediou caixa dois para campanha de Lula

Logotipo do(a) VEJA.com VEJA.com 11/05/2017 Eduardo Gonçalves
João Santana e a mulher dele, Mônica Moura, deixam a sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba © Paulo Lisboa João Santana e a mulher dele, Mônica Moura, deixam a sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba

No acordo de colaboração premiada, cujo sigilo foi levantado nesta quinta-feira, o casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura relata que o ex-ministro Fazenda Antônio Palocci intermediou os pagamentos por fora para a campanha à reeleição do petista, em 2006, logo após vir à tona o escândalo do mensalão. De acordo com o relato do marqueteiro petista, o ex-presidente Lula teria pedido a Palocci que intermediasse a contratação dele para a campanha de reeleição.

À Procuradoria-geral da República, Mônica Moura afirmou que a primeira negociação com Palocci ocorreu em seu escritório particular em São Paulo quando ele já não era mais ministro — ele foi titular da Fazenda de 2003 a 2006. Na ocasião, ele teria dito a ela que parte do dinheiro teria que ser pago de maneira não oficial em espécie e a outra parte pela Odebrecht. Para isso, orientou-a a procurar o executivo da empreiteira Pedro Novis, que à época comandava a empreiteira.

Para Mônica, Lula sabia do montante não contabilizado  destinado à sua campanha, porque Palocci falou por diversas vezes que teria que consultá-lo e ter a sua autorização devido ao valor alto. A campanha, segundo a delatora, custou 24 milhões de reais — 13,7 milhões de reais entrou via caixa 1 e cerca de 10 milhões via caixa dois.

O casal prosseguiu dizendo o combinado era que metade dos 10 milhões seriam pagos por Palocci em dinheiro vivo com o objetivo de criar empecilhos para o rastreamento dos valores. E a outra metade seria quitada pela Odebrecht em transferência para contas no exterior.

Mônica Moura detalha que, entre 2006 e 2007, viajou constantemente a São Paulo para recolher o dinheiro em espécie, que geralmente era entregue dentro de caixas de roupas e sapatos por Juscelino Dourado, ex-chefe de gabinete de Palocci. O ponto de encontro usual era a loja de chá Tee Gschwendner do shopping Iguatemi, na Zona de Sul de São Paulo.

Os outros 5 milhões de reais foram transferidos pela Odebrecht na conta Shellbill, sediada na Suíça, entre 2006 e 2007.

Para ter o acordo de delação premiada fechado, o casal entregou três documentos à procuradoria — os repasses oficiais, o extrato da conta na Suíça e uma agenda de Mônica na qual constava as reuniões com o ex-assessor de Palocci, as viagens para São Paulo e jantares com Palocci.

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