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BC puxa queda do dólar, depois de moeda superar R$4 no início do pregão

Logotipo do(a) Reuters Reuters 25/04/2019 Por José de Castro
. © Reuters .

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou esta quinta-feira na maior queda em duas semanas, encerrando o dia na casa de 3,95 reais após superar a resistência psicológica dos 4 reais no começo do pregão.

O dólar à vista caiu 0,76 por cento, a 3,9561 reais na venda. Na máxima de mais cedo, a cotação alcançou 4,0071 reais. Na B3, a referência do dólar futuro cedia 1,10 por cento, a 3,9495 reais.

A moeda brasileira teve o melhor desempenho entre as principais divisas nesta sessão. Na quarta-feira, o real havia ocupado a vice-liderança nas perdas, com o dólar fechando no maior patamar em quase sete meses.

O mercado vendeu dólares depois de o diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra Fernandes, dizer que a autoridade monetária não tem "preconceitos" em relação ao uso de qualquer instrumento cambial e dar destaque à possibilidade da oferta de linhas.

"O BC deu uma leve ameaça de intervenção com essa fala", disse Victor Candido, economista-chefe da Guide Investimentos.

As declarações do diretor do BC ocorreram justamente num momento marcado por nova escalada do dólar para o nível de 4 reais, o que gerou no mercado a sensação de que o BC pode estar incomodado com tal patamar.

"A fala do Bruno provocou 'stop' dos comprados", disse um gestor de um fundo na capital paulista.

Nesta semana, o BC já havia dado sinais de maior atenção ao câmbio. A autoridade monetária anunciou de forma antecipada o início em 2 de maio das rolagens de contratos de swap cambial com vencimento em julho. A autarquia ressalvou que os montantes a serem ofertados poderão ser revistos "sempre que necessário".

No caso dos leilões de linha, o BC vendeu no fim de março 1 bilhão de dólares nessa modalidade de operação, o que elevou o estoque desses recursos a quase 9 bilhões de dólares.

Em abril, o dólar avança 1,04 por cento frente ao real, depois de em março ter saltado 4,32 por cento, na maior alta mensal desde agosto do ano passado (8,46 por cento).

Mas para o economista da Guide Investimentos boa parte dos ganhos da moeda estão ligados ao ambiente externo, onde o dólar tem mostrado força generalizada. Nos cálculos de Candido, o ambiente internacional responde por cerca de 80 por cento do preço do câmbio no Brasil.

"E como esperamos alívio no dólar lá fora e aprovação da reforma aqui, acreditamos que o nível de 4 reais não é sustentável", afirmou o economista, estimando taxa de câmbio em torno de 3,70 reais nos próximos meses.

BOLSA

 O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, com Natura disparando em meio a expectativas mais favoráveis sobre uma eventual fusão com a Avon, enquanto JBS renovou máximas recordes com perspectivas positivas sobre a demanda chinesa e autorização para exportar frango para a Índia.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,34 por cento, a 96.321,03 pontos, de acordo com dados preliminares. Mais cedo, recuou 0,88 por cento no pior momento.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que a "previsão mínima" de economia com a reforma da Previdência é de 800 bilhões de reais em 10 anos, abaixo da proposta atualizada do Ministério da Economia, de 1,237 trilhão de reais, mas dentro de previsões no mercado.

Economistas do UBS têm como cenário base uma economia entre 600 bilhões e 800 bilhões de reais e estimam que o governo deverá trabalhar arduamente para alcançar algo nesse intervalo.

No final da manhã, a Câmara dos Deputados também instalou a comissão especial que analisará o mérito da PEC na Casa. O colegiado terá um prazo de 40 sessões, a partir de sua constituição, para proferir parecer.

A consultoria Arko Advice calcula que a conclusão da votação da matéria na Câmara deve acontecer até meados de agosto, conforme nota a clientes, o que confirmaria expectativas no mercado de um desfecho apenas no segundo semestre, e não no primeiro como se conjecturou anteriormente.

No exterior, Wall Street encerrou sem direção única, com os índices vulneráveis a resultados corporativos de grandes empresas de tecnologia e do setor industrial. Nasdaq e S&P 500 fecharam no azul, mas o Dow Jones encerrou em queda.

DESTAQUES

- NATURA disparou 10 por cento, tendo no radar que a Avon NA Holdings, subsidiária da Avon Products, e a sócia Cerberus Investor fecharam acordo para vender a Avon North America para a LG Household & Health Care. Em março, a Natura disse que estava negociando potencial transação envolvendo a Avon. Para analistas do Itaú BBA, a transação elimina alguns pontos de preocupação do mercado em relação a uma potencial fusão entre a Avon e a Natura.

- JBS avançou 6 por cento, a 20,16 reais, ainda incentivada por perspectivas positivas para o setor de proteínas no Brasil em decorrência do surto de peste suína africana na China, mas também anúncio da companhia de que a unidade Seara Alimentos recebeu autorização do governo da Índia para exportar produtos de frango a partir do Brasil. No setor, MARFRIG subiu 5,2 por cento.

- PETROBRAS PN valorizou-se 0,7 por cento, com alta dos preços do petróleo Brent no exterior e noticiário incluindo provisão de 1,3 bilhão de reais por litígios envolvendo a Sete Brasil e novo programa de desligamento voluntário.

- LOJAS RENNER fechou com elevação de 5,8 por cento, também entre os destaques positivos, antes da divulgação do desempenho no primeiro trimestre ainda nesta quinta-feira, após o fechamento do pregão. Analistas do BTG Pactual esperam resultados resilientes, com expansão de 11 por cento nas vendas mesmas lojas em relação ao mesmo período do ano anterior, embora estimem queda na margem bruta consolidada no trimestre.

- BRADESCO PN encerrou com acréscimo de 1,2 por cento, revertendo perdas registradas em boa parte da sessão, que chegaram a 2,8 por cento no pior momento, após divulgação do resultado do primeiro trimestre. O banco teve no período crescimento de 22 por cento no lucro líquido recorrente na comparação anual e agradou analistas, mas ficou em linha com as estimativas.

- VALE cedeu 0,06 por cento, em movimento alinhado ao de outras mineradoras no exterior. A Anglo American disse que a produção de minério de ferro no sistema Minas-Rio saltou 61 por cento no primeiro trimestre de 2019 ante o mesmo período de 2018, para 4,9 milhões de toneladas.

- CSN recuou 1,6 por cento, maior queda do Ibovespa e ampliando as perdas acumuladas em abril, após fechar o primeiro trimestre com valorização de 83,8 por cento.

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