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Como saber se você está comendo atum legítimo ou falso

Logotipo do(a) HuffPost Brasil HuffPost Brasil 11/08/2017 Julie R. Thomson

© chang via Getty Images

A ONG de conservação marítima Oceana publicou há alguns anos um estudo surpreendente que trouxe à tona a prática muito comum de vender peixes sob rótulos errados. A organização informou que, depois do pargo, um dos peixes que é o maior alvo da rotulagem errada é o atum fresco. E a prática continua a ser vista hoje.

Em 2016 o presidente Obama introduziu uma regra para reprimir essa fraude, exigindo que 25% dos frutos do mar importados tivessem sua origem rastreada até a embarcação que os capturou. Mas isso não significa que você não possa ser enganado na peixaria, comprando "atum" que evidentemente não é atum de fato.

O estudo da Oceana tratou do atum fresco, o tipo que você pode pedir em restaurantes que servem sushi, restaurantes de frutos do mar e peixarias. O atum previamente cozido e enlatado ou embalado não fez parte do estudo, se bem que tenha seus próprios e vários problemas de sustentabilidade e transparência.

Recentemente, durante férias de família no interior do Estado de Nova York, compramos suposto "atum" fresco na seção de peixaria do supermercado. Ficamos maravilhados com o preço ótimo do peixe. Mas não demoramos a perceber que tínhamos sido enganados. O peixe que nos venderam deve ter sido escolar-preto, que não guarda nenhum parentesco com o atum.

Em sua pesquisa, a Oceana descobriu que 84% das amostras supostamente de atum branco que ela testou nos Estados Unidos eram na realidade de escolar-preto. Para começo de conversa, o nome "atum branco" é preocupante, porque "atum branco" não existe; o nome usado para descrever o atum de cor mais pálida é albacora. Os atuns mais escuros que geralmente consumimos são o atum-ahi ou o atum-amarelo.

Esse hábito de chamar de atum peixes que não são atum acontece com mais frequência nos restaurantes de sushi – em nada menos que 74% dos restaurantes desse tipo que fizeram parte da amostra analisada pela Oceana. Mas também aconteceu 18% do tempo nas peixarias.

O verdadeiro problema do falso atum

O problema do escolar-preto não se limita a você receber uma coisa que não pediu: é que esse peixe pode deixar você doente.

Seu consumo é proibido no Japão desde 1977, porque o governo japonês considera essa espécie tóxica. Na década de 1990 o FDA (o órgão federal americano que fiscaliza alimentos e medicamentos) fez uma recomendação contra a venda do escolar-preto (mas a recomendação foi revogada posteriormente).

O escolar-preto é saboroso, pelo fato de ser um peixe gorduroso, mas essa substância gordurosa é fruto de um alto teor de ésteres cerosos, que os humanos não conseguem digerir. Se você consumir mais de 170 gramas do peixe, ele pode provocar diarreia ou esteatorreia, razão porque algumas pessoas o descrevem como o "peixe ex-laxante".

Como se assegurar de não estar comprando atum falso?

Um indício importante é o preço.

A Oceana diz que se o preço lhe parece bom demais para ser verdade, pode apostar que é. Em outras palavras, se você quer comer atum, prepare-se para pagar caro.

"Se você encontrar atum a US$12 a libra (0,45 kg), pode desconfiar", disse ao HuffPost o chef Dave Seigal, do Lobster Place, em Nova York. "O atum fresco é um peixe que geralmente custa 25-35 dólares a libra."

E, se você quiser economizar dinheiro, saiba que provavelmente vai pagar a diferença mais tarde, de outra maneira.

A cor é outro indício de problemas

Mas nem sempre o preço é um indício, então não deixe de ficar atento para a cor. "O escolar-preto é um peixe de aparência leitosa. Não existe atum que tenha essa aparência", explicou Seigal. "E há um nível de opacidade no atum que não há no escolar-preto."

Considere a origem

Pergunte ao peixeiro de onde veio o peixe e se ele foi congelado previamente. Se o peixeiro hesitar em responder a qualquer uma dessas perguntas, desista da compra. Saber de onde vem o peixe que você vai consumir é crucial para ter certeza de que você vai comprar o que realmente procura.

Vale lembrar que o congelamento anterior do peixe não é algo negativo. O atum geralmente é congelado previamente, porque os pescadores normalmente o congelam quando estão em alto mar. "As pessoas não precisam temer o pescado congelado", diz Seigal. "Na realidade, em Nova York a lei prevê que o pescado usado para fazer sushi chegue congelado."

"É de máxima importância rastrear a origem e trajetória do peixe", ele prosseguiu. "É a melhor maneira de você evitar uma situação como essa."

Se o supermercado local ou o supermercado onde você faz as compras nas suas férias não puder responder suas perguntas, desista da compra e encomende frutos do mar de uma fonte confiável online. O Lobster Place oferece esses serviço. Outros estabelecimentos comprometidos com a transparência em relação aos frutos do mar, também, como o Sea to Table.

Pode lhe custar mais caro, mas valerá a pena para evitar consumir pescado falso e não incorrer no risco de efeitos colaterais provocados pelo escolar-preto.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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