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Vacinação também é fundamental para os mais velhos

Logotipo do(a) Saúde é Vital Saúde é Vital 12/01/2018 André Biernath
Além da infância, vacinas também merecem atenção na velhice: Não, vacina não tem idade! © iStock Não, vacina não tem idade!

Junto com o acesso à água potável, a vacinação é considerada a invenção que mais salvou vidas na história da humanidade. Seu desenvolvimento permitiu varrer da face da Terra vírus e bactérias que, há apenas algumas décadas, afetavam milhões de pessoas, especialmente as crianças. O aprimoramento da tecnologia e do conhecimento científico possibilitou ampliar a ação dos imunizantes e estender seu uso para outras faixas etárias, incluindo à turma que já passou dos 60.

Hoje, esses recursos são considerados um pilar fundamental do envelhecimento saudável. “Do mesmo modo que tratamos o colesterol e a pressão alta para evitar um infarto nos idosos, temos que encarar a vacinação como a melhor estratégia para prevenir as doenças contagiosas”, compara a médica Maisa Kairalla, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Regional São Paulo.

Com o passar dos anos, é natural que o sistema imunológico fique mais frágil e não consiga responder ao ataque de seres microscópicos com a mesma potência de outrora. Nesse contexto, as vacinas perdem um pouquinho de sua efetividade. Mas não há razão para alarde: elas continuam importantes e diminuem pra valer a probabilidade de complicações derivadas de uma infecção. “Um indivíduo imunizado contra o vírus influenza pode até pegar uma gripe, mas o quadro será leve e ele terá um risco muito menor de sofrer uma pneumonia na sequência”, exemplifica a médica Isabela Garrido, do Fleury Medicina e Saúde.

Também não dá pra se esquecer do benefício coletivo das picadas. Ora, se eu estou resguardado contra determinado micróbio, não o transmito para quem está em meu círculo de convivência.

Imagine alguém mais velho que mora com um portador de doença crônica ou com seu neto recém-nascido, ainda não totalmente vacinado. Essas pessoas estão vulneráveis e dependem da imunidade dos outros para não contrair algumas infecções. Portanto, manter a carteirinha atualizada é uma responsabilidade para com a sociedade.

Infelizmente, a visita aos postos de saúde fica mais rara conforme a idade avança. “Não temos a cultura de perguntar sobre as vacinas após a infância”, nota a geriatra Thais Ioshimoto, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Outros motivos que explicam essa baixa popularidade são as notícias falsas espalhadas pela internet e o próprio sucesso das políticas públicas. “Como não vemos gente com sequelas de poliomielite ou de sarampo, parece que são coisas de um passado distante. Mas elas só permanecerão assim se insistirmos nesse esforço conjunto”, conclama a médica Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. Nas páginas a seguir, você confere as vacinas que todo mundo acima de 60 anos deve tomar para percorrer uma vida longa e livre de ameaças.

Será que eu tomei?

“Caso não exista um registro adequado na carteirinha de vacinação, o indivíduo deve se valer de outra dose para se certificar”, orienta a médica Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, entidade que publica uma tabela de vacinas específica aos idosos. Antes de reforçar as defesas do corpo, você pode buscar o aconselhamento com seu médico ou ir direto à unidade de saúde mais próxima de sua casa.

Influenza

Periodicidade – Uma vez ao ano.

Disponibilidade – Na rede pública e na rede privada.

Entra ano, sai ano, todo mês de abril começa a campanha nacional de vacinação contra a gripe. Os idosos são um dos públicos-alvo. Afinal, o vírus costuma provocar problemas sérios neles e favorecer outras infecções respiratórias, com destaque para a pneumonia.

A necessidade de renovar a proteção de 12 em 12 meses está relacionada à mudança no tipo de influenza que circula pelo ambiente a cada inverno – às vezes é o H1N1, outras é o H3N2 e assim por diante. “Além disso, aproveitamos a passagem deles no posto para atualizar as outras vacinas que estejam atrasadas”, conta a enfermeira Maria Lígia Nerger, coordenadora do Programa Municipal de Imunizações de São Paulo.

Pneumocócica

Periodicidade – Uma dose da 13-valente e, seis meses depois, uma da 23-valente. Após cinco anos, é feito um reforço da 23-valente.

Disponibilidade – Na rede pública, apenas a 23-valente para idosos hospitalizados ou em clínicas. Na rede privada, é possível encontrar os dois produtos.

Com 70 mil óbitos anuais, a pneumonia é a terceira maior causa de morte no Brasil (na frente estão infarto e AVC). Ainda bem que existem imunizantes capazes de barrar as principais bactérias por trás da encrenca, como a Streptococcus pneumoniae, responsável por até 30% dos casos.

“As vacinas 13-valente e 23-valente resguardam contra cepas diferentes de micro-organismos”, diz Thais Ioshimoto. Por questões financeiras, a 13-valente não está no sistema público. Mas o governo deve incluí-la em breve no calendário para algumas populações.

Herpes-zóster

Periodicidade – Dose única.

Disponibilidade – Só na rede privada.

Lembra aquela catapora que você (ou um familiar) teve na infância? Ela pode voltar a atormentar décadas depois. Isso porque o vírus que suscita a condição, conhecido como varicela-zóster, fica anos quietinho no nosso sistema nervoso. Daí ele tira vantagem de falhas da imunidade para reaparecer por meio de bolhas na pele e dores intensas, que muitas vezes viram crônicas.

“A vacina diminui em até 80% o risco dessa complicação”, calcula Maisa Kairalla. Aliás, um novo imunizante acaba de ser aprovado nos Estados Unidos. De acordo com os estudos do laboratório GSK, ele seria ainda mais efetivo que a versão atual. Espera-se que a novidade chegue ao Brasil em 2018 ou 2019. Enquanto isso, vale a pena investir na fórmula disponível nas clínicas privadas do país.

Tríplice bacteriana

Periodicidade – Uma dose a cada dez anos.

Disponibilidade – Na rede pública, apenas a versão dupla, que protege de difteria e tétano. Na rede privada, há o acréscimo da coqueluche.

Apesar de a difteria estar controlada no país, a imunização contra essa doença que atinge as vias aéreas segue importante para anular epidemias futuras. O tétano, marcado por fortes espasmos musculares, costuma ocorrer após acidentes. Como os idosos estão mais ativos ultimamente, o risco da infecção sobe.

Por fim, a coqueluche não chega a ser uma ameaça brava ao sistema respiratório dos mais velhos. “Mas vaciná-los impede a propagação para as crianças, público em que a doença é mais séria”, diz a médica Letícia Lastoria, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Hepatite B

Periodicidade – Três doses com um intervalo de 30 dias entre a primeira e a segunda e seis meses para a terceira.

Disponibilidade – Na rede pública e na rede privada.

As doenças sexualmente transmissíveis estão em alta entre os idosos. Um exemplo claro disso é a hepatite B, difundida por meio do sêmen, das secreções vaginais, da saliva e do sangue. Em 2016, a faixa etária acima dos 60 anos passou para o primeiro lugar no número de casos da moléstia no Brasil, representando 13% do total.

Além do sexo, é possível se infectar com objetos cortantes, como alicates de unha e seringas. O vírus fica alojado no fígado e pode provocar uma cirrose ou um tumor. “E a vacina é a barreira inicial contra um câncer ali”, afirma Maria Lígia Nerger. Antes restrita aos bebês, ela começou a ser prescrita para todas as idades a partir de 2013.

Situações especiais

Veja outros imunizantes que são usados em alguns contextos

Hepatite A

Aplicada apenas em surtos ou quando um exame de sangue, pedido pelo profissional de saúde, mostrar que o organismo não está 100% livre do vírus.

Febre amarela

Moradores de regiões onde há casos relatados dessa doença precisam tomar uma dose da vacina. Antes de ir ao posto, idosos devem se orientar com o médico.

Meningocócica conjugada ACWY

Resguarda contra quatro sorotipos da bactéria. É indicada antes de viagens para áreas em que a meningite está ativa, como países da África.

Tríplice viral

Evita sarampo, caxumba e rubéola. Como a maioria das pessoas já teve contato com esses vírus antes dos 60 anos, não há necessidade dessa picada rotineiramente.

Vídeo: Terapia com guaxinins está ajudando crianças na Rússia (Via )

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