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Snacks orgânicos não são necessariamente melhores que junk food. Eis o porquê.

Logotipo do(a) HuffPost Brasil HuffPost Brasil 19/03/2019 Katy Severson
Será que as versões orgânicas de junk food são mais saudáveis que as não orgânicas? Sim e não. © Jena Ardell via Getty Images Será que as versões orgânicas de junk food são mais saudáveis que as não orgânicas? Sim e não.

Nossa sociedade cada vez mais preocupada com a saúde não para de gerar demanda por versões orgânicas das nossas junk foods prediletas, como biscoitos Oreos. Os consumidores americanos estão se esbaldando. Mas será que esses produtos são mais saudáveis que as versões não orgânicas?

Os pesquisadores respondem: sim e não.

Há vários motivos pelos quais a escolha pelos orgânicos pode ser mais saudável. Estudos mostram que alimentos orgânicos contêm níveis mais altos de antioxidantes e de certos minerais e vitaminas. Laticínios orgânicos têm níveis muito mais altos de ácidos graxos ômega 3. Além disso, a alimentação orgânica significa menos pesticidas e herbicidas – traços desses químicos já foram encontrados em biscoitos e cereais matinais. 

O Programa Nacional de Orgânicos do Departamento de Agricultura do governo americano contém várias restrições em relação às substâncias sintéticas e aditivos, tais como colorantes, que podem ter relação com transtornos comportamentais em crianças.

E o programa também restringe o uso de antibióticos e hormônios em produtos animais como carne e derivados do leite, que são particularmente problemáticos. Diversos estudos associam a presença de antibióticos na comida com resistência aos tratamentos com antibióticos – uma “crise de saúde iminente”, segundo um estudo de 2015 – que pode levar a um surto de infecções resistentes a antibióticos.

Eis o consenso entre os especialistas em nutrição:

 

Junk food orgânica ainda é junk food 

Do ponto de vista dos macronutrientes, junk food orgânicas muitas vezes são idênticas às não orgânicas. Elas tendem a ter os mesmos níveis elevados de açúcar e poucas proteínas e fibras, o que significa que elas não causam sensação de saciedade e podem trazer riscos de problemas de saúde futuros.

As porcarias orgânicas também podem conter açúcares refinados e amido. Apesar de o governo americano proibir o uso de xarope de milho, o xarope de arroz integral – um adoçante muito refinado que também tem alto índice glicêmico – muitas vezes é usado como substituto.

E consumir muito açúcar, seja orgânico e de cana, ou de xarope de milho pode ter os mesmos efeitos negativos na saúde. 

“A fonte específica do açúcar pode não ser tão importante para a saúde no geral”, diz Mary Camire, professora de nutrição da Universidade do Maine. “O consumo de longo prazo de frutose – de qualquer fonte, orgânica ou não – pode gerar resistência à insulina, doença do fígado gordo e vários outros problemas. O mesmo vale para a sacarose, seja o açúcar de cana ou de beterraba.”

Um barrinha de cereais feita com uva passa orgânica pode ter uma quantidade ligeiramente maior de antioxidantes, mas isso não compensa as deficiências nutricionais do produto. 

 

Muitos dos benefícios nutricionais dos alimentos orgânicos se perdem no processamento

“Dependendo da intensidade e da severidade do processamento, o conteúdo nutricional, incluindo vitaminas e minerais, será degradado nas comidas processadas”, diz Balu Nayak, professor associado de processamento de alimentos da Universidade do Maine.

Biscoitos produzidos industrialmente, por exemplo. “A massa é assada a temperaturas altas o suficiente para degradar ou destruir a maior parte dos nutrientes. Portanto, não importa se a farinha de trigo é orgânica ou convencional.”

Em uma pesquisa do HuffPost/YouGov*, os americanos afirmam, em proporção de quase dois para um, que não pagariam mais por alimentos orgânicos. Os americanos de renda mais alta são mais propensos do que os de renda mais baixa ao afirmar que estariam dispostos a pagar por um alimento premium: 40% dos que têm famílias com renda anual superior a US$ 100 mil dizem que o fazem, em comparação com um terço dos que têm renda anual entre US$ 50 mil e US$ 100 mil. Somente 22% dos que aqueles que ganham menos de US$ 50 mil estão dispostos a pagar mais por orgânicos. Mesmo entre os mais ricos, quase metade dos entrevistados não está disposta a pagar mais.

Isso é certamente verdade no caso dos “alimentos ultraprocessados”, categoria que inclui várias de nossas comidas favoritas, como pão de forma branco, nuggets de frango e doces. Esses alimentos são submetidos a um processamento intensivo que tira dos alimentos integrais vários dos seus nutrientes. Além disso, os ultraprocessados  incluem uma longa lista de aditivos. E embora o Programa Nacional de Orgânicos limite o uso de certos aditivos, os alimentos orgânicos não são imunes ao “ultraprocessamento”.

Um ingrediente derivado de fonte orgânica pode ser processado da mesma maneira e representar os mesmos riscos à saúde de um ingrediente convencional.

Ou seja, não podemos presumir que um produto seja saudável só porque é orgânico.

Muitas marcas orgânicas tendem a atender consumidores preocupados com a saúde, o que significa que elas costumam usar menos processamento ou ingredientes mais saudáveis na tentativa de atrair os consumidores. Mas a mera presença da palavra “orgânico” na embalagem não garante isso.

“Agora que você vê mais e mais junk food orgânica, pode surgir uma ‘aura saudável’ que engana os consumidores”, diz Frank Hu, professor de nutrição e epidemiologia da Universidade Harvard. “Ser orgânico em si não compensa os efeitos prejudiciais de vários alimentos ultraprocessados, tipicamente cheios de açúcares adicionados, sódio e amido refinado.”

Essa “aura saudável” refere-se a um fenômeno estudado pelos pesquisadores. Certas afirmações, como “baixo teor de gordura” ou “feito com ingredientes orgânicos”, podem nos levar a acreditar que um alimento é mais saudável ou tem menos calorias. Um estudo da Universidade Cornell apontou que os consumidores americanos estimam que um alimento orgânico tem 60 calorias a menos do que as versões convencionais.

A indústria alimentícia sabe disso e pode se aproveitar dessa “aura”. Afirmações como “feito com frutas de verdade” ou “feito com ingredientes orgânicos” nas embalagens podem confundir os consumidores e nos convencer de que estamos comendo um alimento mais saudável do que ele realmente é. A empresa pode afirmar que seus produtos são “feitos com fruta de verdade”, mesmo que contenha poucas frutas reais, ou uma versão altamente processada da fruta.

Então, como saber qual é a melhor opção? Temos de ler o rótulo com atenção.

E não apenas as informações nutricionais, embora isso também seja importante. Ele nos informa sobre o conteúdo total de macronutrientes e a presença de certas vitaminas e minerais. Mas como os fabricantes podem usar fibras sintéticas ou outros nutrientes para “melhorar” as informações nutricionais, a lista dos ingredientes pode ser mais útil. 

“Com a lista de ingredientes, você saberá se o produto inclui alimentos integrais ou componentes de alimentos saudáveis, como nozes ou grãos integrais, a quantidade de açúcar adicionado e se o alimento contém quantidades relativas de fibra ou proteína.”

Em geral, uma longa lista de ingredientes significa que um alimento foi altamente processado, especialmente se contém adoçantes refinados ou aditivos como lecitina de soja, glicerina ou goma guar (todos permitidos sob as regras de orgânicos do governo americano). 

Mais uma coisa a ter em mente: rótulos de alimentos orgânicos podem ser confusos.

O Departamento de Agricultura americano (USDA) tem quatro diretrizes diferentes de rotulagem para produtos orgânicos: “100% orgânico”, “orgânico”, “fabricado com ingredientes orgânicos” e “contém ingredientes orgânicos”. A melhor opção é procurar o Selo Orgânico do USDA. Embora “100% orgânico” e “orgânico” recebam o selo USDA, se um alimento “contém ingredientes orgânicos”, não é necessário cumprir nenhuma das outras regras relativas aos orgânicos.

* A pesquisa HuffPost US/YouGov consistiu de 1.000 entrevistas completas realizadas entre 4 e 5 de março com adultos americanos, usando uma amostra selecionada das pessoas que concordaram com pesquisas do YouGov, refletindo a demografia e outras características da população adulta dos Estados Unidos.

O HuffPost fez parceria com o YouGov para a realização de pesquisas de opinião diárias. Você pode saber mais sobre o projeto (http://today.yougov.com/huffpost/) e participar das pesquisas (https://today.yougov.com/account/register/). Mais detalhes sobre a metodologia estão disponíveis aqui (http://data.huffingtonpost.com/yougov/methodology).

Photo Taken In Camden Town, United Kingdom © Alena Kravchenko / EyeEm via Getty Images Photo Taken In Camden Town, United Kingdom

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